| Informação:
Agência
Câmara - 15/09/2005
A
transmissão da "Voz do Brasil" no horário
das 19 às 20 horas foi criticada hoje por representantes
de emissoras de rádio e televisão, durante audiência
pública da Comissão de Ciência e Tecnologia,
Comunicação e Informática. Tanto a obrigatoriedade
da transmissão do programa quanto o horário causaram
polêmica. Parlamentares da comissão defenderam
as regras atuais e afirmaram que o programa é instrumento
de cidadania. Atualmente, a "Voz do Brasil" vai ao
ar de segunda a sexta-feira, exceto em feriados.
Ataque
O presidente da Associação Brasileira de Emissoras
de Rádio e Televisão (Abert), José Inácio
Pizani, afirmou que a "Voz do Brasil" representa um
resquício de autoritarismo que se contrapõe ao
espírito da liberdade democrática. "Já
não se admite que os veículos de comunicação
sejam calados por esse mecanismo anacrônico de cerceamento
de liberdades", disse.
Na
mesma linha, o representante da Associação Brasileira
dos Radiodifusores (Abra) na audiência, Rodrigo Neves,
afirmou que as informações oficiais dos poderes
da República já são suficientemente divulgadas,
o que dispensaria a rigidez da transmissão obrigatória
da "Voz do Brasil". Como exemplo de divulgação
oficial, ele citou os veículos de comunicação
da Câmara dos Deputados, como o portal da Casa na internet,
a Rádio Câmara e a TV Câmara.
Contra-ataque
Os deputados Almir Moura (PMDB-RJ), Gilberto Nascimento (PMDB-SP)
e Angela Guadagnin (PT-SP) defenderam a transmissão do
programa pelas emissoras de rádio. Para Almir Moura,
a "Voz do Brasil" não interpreta a notícia,
mas a veicula de maneira imparcial. Segundo ele, assuntos do
Legislativo são divulgados no programa de maneira mais
abrangente, o que não acontece na programação
normal das emissoras.
Gilberto
Nascimento concordou com a avaliação e lembrou
que, na grande mídia, quem aparece é o "deputado
do mensalão, o deputado ladrão, o deputado desonesto".
Nascimento reclamou da falta de espaço para os deputados
sérios e destacou que as boas ações não
se tornam notícia.
Para
Gilberto Nascimento, a "Voz do Brasil" possibilita
que os assuntos do Legislativo, do Judiciário e do Executivo
sejam transmitidos com neutralidade. "É uma questão
de cidadania informar as pessoas sobre as ações
dos políticos que elegeram. Não dá para
pensar só no lucro. As emissoras querem faturar, mas
não querem levar informação", disse.
A
deputada Angela Guadagnin também elogiou a "Voz
do Brasil" e disse que seus eleitores se lembram das suas
ações que são divulgadas pelo programa,
mas não têm notícia de sua atuação
na programação normal de televisão.
Recuo
Diante das intervenções de parlamentares em favor
do programa, Pizani recuou. "A Abert não quer acabar
com a “Voz do Brasil”, quer apenas flexibilizar
as regras atuais que obrigam o programa a ser transmitido por
todas as emissoras de rádio entre as 19 horas e as 20
horas", afirmou. "Às 19 horas, as pessoas estão
no trânsito, voltando para casa, há jogos de futebol
começando", prosseguiu.
Projetos
em análise
O deputado José Rocha (PFL-BA) afirmou que é preciso
repensar a obrigatoriedade de o programa ser transmitido entre
as 19 e as 20 horas. "Chegou o momento de elaborarmos uma
nova legislação sobre o assunto", disse o
deputado, que solicitou a audiência.
José
Rocha é relator do Projeto de Lei 595/03, da deputada
Perpétua Almeida (PCdoB-AC), que flexibiliza o horário
de transmissão da "Voz do Brasil" e a estende
para a TV. Dois projetos tramitam em conjunto com essa proposta.
O Projeto de Lei 5123/05, do deputado Medeiros (PL-SP), permite
a retransmissão do programa entre as 20 horas e a meia-noite
nas regiões que estiverem em situação de
emergência ou em estado de calamidade pública.
O
projeto também permite às emissoras a transmissão
ao vivo de jogos das seleções brasileiras de futebol,
vôlei e basquete e dos times locais que participarem de
competições nacionais e internacionais em período
que coincidir com o da "Voz do Brasil". Já
o Projeto de Lei 4250/04, do deputado Ivan Ranzolin (PP-SC),
autoriza a transmissão do programa em qualquer horário
a partir das 19 horas.
Reportagem
- Edvaldo Fernandes
Edição - Pierre Triboli
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