Informação:
AESP -
Associação de Emissoras de Rádio e Televisão
do Estado de São Paulo - 28/11/2004
O
Estado de S.Paulo Economia - TV Paga
Anatel
deve anunciar, nos próximos dias, regras para regularizar
as operações
Renato
Cruz
Érica
Cristina Marques, de 28 anos, vive em uma comunidade de baixa
renda em Curicica, no Rio de Janeiro. Ela faz curso de cabeleireira
e seu marido, Túlio Albuquerque, de 34 anos, trabalha
como sorveteiro. O casal tem três filhos: Jefferson (10
anos), Jéssica (7 anos) e Thaís (1 ano). Apesar
de morarem próximos ao Projac, sede da Central Globo
de Produção, em Jacarepaguá, a recepção
do sinal aberto de TV não é solução
para a família. "Aqui tem muita árvore e
muito morro", afirma Érica. "Tem casa em que
nem pega o sinal."
A
família assina TV a cabo, da empresa GCG Telecom, e paga
R$ 12 por mês para receber 21 canais. Se houver atraso
de um mês, a conta sobe para R$ 13. "Qualquer um
pode pagar", diz Érica. "Uma Net é muito
cara." Além da Globo, Érica gosta de assistir
à Rede 21 à noite. "Passa filme bom lá."
As crianças gostam do SBT, da Cultura e do Futura.
LEGALIDADE
"Não temos nenhum amparo legal", admite Giovander
Silveira, sócio da GCG Telecom e presidente da Associação
Brasileira das Empresas de Telecomunicações e
Melhoramento de Imagens e Atividades Afins (Abetelmim), que
reúne 38 empresas dos autodenominados antenistas. Eles
vendem TV a cabo em favelas e outras comunidades de baixa renda.
"Mas
não somos piratas", ressalta Silveira, explicando
que os associados da Abetelmim distribuem sinal de canais abertos,
que captam diretamente do satélite. Para operar TV a
cabo no Brasil é necessária uma licença
que essas empresas não têm. A rede das empresas
oficiais de cabo não chega aos bairros atendidos pelos
associados da Abetelmim, que construíram suas próprias
redes.
A
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
deve anunciar nos próximos dias uma regulamentação
que permitirá operações como a da GCG Telecom
se conectarem às redes das empresas de cabo, como a Net
e a TVA, para venderem pacotes populares nas comunidades em
que atuam. De acordo com a agência, as regras estão
sob análise de seu conselho diretor, aguardando a aprovação.
As empresas esperam pelo regulamento desde o mês passado.
PIRATARIA
Nas áreas cobertas pelas empresas oficiais de cabo, a
pirataria é grande. A Associação Brasileira
de Televisão por Assinatura (ABTA) calcula cerca de 300
mil conexões piratas, comparadas a 3,6 milhões
de assinantes legais.
O
gato, como é chamada a ligação clandestina,
não é exclusividade de comunidades de baixa renda.
Mas o Jardim Ângela, bairro pobre na zona sul de São
Paulo, foi destaque em reportagem do jornal The New York Times
há algumas semanas. O jornal entrevistou um morador do
bairro, identificado somente como Antônio, que cobrava
R$ 450 por ligações clandestinas de TV em vários
pontos da cidade.
Coberto
em parte pela Net, é fácil identificar os gatos
quando se anda pelas ruas do Jardim Ângela. Em um quintal
compartilhado por seis pequenas casas, por exemplo, o cabo entrava
e saía pela janela das residências, instalado precariamente,
conectando uma a uma ao serviço.
Em
um bar, o balconista exibia uma TV de 14 polegadas com decodificador
da Net, comprado por R$ 25 no bairro, que ele usa para receber
o sinal puxado de um vizinho. "Ele assina a Net e eu pago
R$ 17, dividimos a conta", explica o balconista, que pergunta:
"Não é ilegal, é?" É,
mas, em algumas semanas, ele poderá ter uma alternativa
legal. E de baixo custo.
Baixa
renda, um bom negócio
Pelo menos é o que esperam as empresas legais
de TV a cabo
Renato
Cruz
Alguma
coisa errada aconteceu com o setor de TV por assinatura no País.
Em 2000, a Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) divulgou um documento intitulado Perspectivas para
a Ampliação e Modernização do Setor
de Telecomunicações (Paste), prevendo que o total
de assinantes de televisão passaria de 2,8 milhões
em 1999 para 13,1 milhões em 2004. Depois de chegar a
3,6 milhões em 2001, o número caiu para 3,5 milhões
no ano seguinte, ficando estagnado em 2003. Para este ano, a
expectativa das operadoras é de chegar novamente a 3,6
milhões de assinantes. Ou seja, 9,5 milhões a
menos que o esperado.
"Vemos
como uma boa oportunidade de negócio", afirma o
vice-presidente de Banda Larga da Associação Brasileira
de Televisão por Assinatura (ABTA), Fernando Mousinho,
sobre a regulamentação que permitirá às
operações sem licença se conectarem às
empresas legais para venderem pacotes populares. "Poderemos
expandir a base de assinantes."
A
venda, manutenção e faturamento vão ficar
por conta do parceiro, de acordo com Mousinho. A ABTA representa
empresas de TV a cabo como Net, TVA e Vivax.
Com
preço estimado de R$ 15 a R$ 20 ao mês, o pacote
popular deve trazer os canais abertos e os obrigatórios,
como os do governo (TV Câmara e TV Senado).
"Dependendo
da comunidade e do custo, podem trazer mais algum, talvez de
esporte, filme ou desenho", explica Mousinho. O pacote
popular será limitado às comunidades de baixa
renda.
As
empresas da Associação Brasileira das Empresas
de Telecomunicações e Melhoramento de Imagens
e Atividades Afins (Abetelmim), que operam em favelas do Rio
de Janeiro, têm mais de 100 mil assinantes que poderiam
ser adicionados à base de clientes das empresas tradicionais
de TV por assinatura.
"Somos
empresas pequenas que, quando começamos a operar, nem
sabíamos da lei", afirma Giovander Silveira, presidente
da Abetelmim. "Algumas têm mais de 10 anos e são
anteriores à Lei do Cabo", complementa, referindo-se
à legislação do setor. A GCG Telecom, que
pertence à Silveira, atende a 4 mil assinantes e emprega
8 pessoas.
Érica
Cristina Marques, cliente da GCG Telecom, paga R$ 12 por mês.
"Um preço de R$ 20 pode ficar puxado", explica
Érica. A possibilidade de ter mais canais, porém,
a deixa animada: "Adoro filmes. Para ter um canal só
de filmes, faria de tudo para pagar."
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