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As pioneiras: Rádio Chapecó - Para início de conversa, falar de uma rádio de Chapecó, neste caso especial, é bom saber onde fica este lugar e o que ele represente para algumas pessoas em Santa Catarina.


 

Informação: Caros Ouvintes - 06/07/2005

Por Antunes Severo

Para funcionários públicos estaduais, até bem pouco tempo, representava degredo.

Caía em desgraça com o chefe em Florianópolis e lá o vivente era transferido para Chapecó. Como o “senador” Alcides Ferreira, não sabia?

Se você não conhece o “senador” Alcides Ferreira ou sua história e quer saber quem é o autor da frase “móveis pt cupim comeu pt”, vá até o final desta página e escreva-me. Mas, não é só por isso que Chapecó representa um marco na história de Santa Catarina. É que essa história vem de muito longe – leia a Guerra do Contestado, por exemplo – ou então olhe para o mapa do Brasil e observe as distâncias que nos separam em relação a outras capitais do sul:

• Chapecó a Curitiba, 490 km
• Chapecó a Porto Alegre, 500 km
• Chapecó a Florianópolis, 630 km

Isto sem contar as condições das estradas, das ligações telefônicas, a penetração dos jornais e rádios do Paraná e do Rio Grande do Sul e assim por diante.

Mesmo assim, Chapecó consegue, em 1948, instalar a sua primeira emissora de rádio – foi a 16ª a ser instalada em terra Catarina.

Hoje a Rádio Chapecó, com uma programação voltada para a música popular e o jornalismo, transmite para uma população de mais de 300 mil habitantes numa das regiões mais ricas do estado de Santa Catarina.

O surgimento da emissora é assim narrado por Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira: Constituída em 13 de abril de 1948, a Rádio Chapecó só foi registrada na Junta Comercial em 19 de agosto do mesmo ano, tendo como sócios fundadores Vicente de Paula Cunha, Jacinto Manoel da Cunha, Protógenes Vieira, Raul José de Campos e Serafim Eno Bertaso. A autorização para instalação da emissora veio pela Portaria nº 867, assinada em 11 de outubro de 1948, com publicação no Diário Oficial da União na semana seguinte.

O início das operações deu-se em 23 de outubro de 1948, com potência inicial de 100 watts, prefixo ZYX-5 e freqüência de 1.550 Khz. Em 21 de setembro de 1950, pela portaria nº 901, a emissora passou para 250 watts. Sete anos depois, a Rádio Chapecó já funcionava com um transmissor Telefunken de 1000 watts, conforme decreto nº 42.739. A autorização para nova mudança de freqüência, dessa vez para 1.340 Khz, foi concedida em 9 de setembro de 1959.

As diversas alterações estruturais não desviaram a Rádio Chapecó da vocação especial pela cobertura jornalística, com ênfase aos programas esportivos. O radioteatro foi deixado de lado, por falta de produção adequada. Campanhas para a alfabetização de adultos, o asfaltamento da BR-282 e a implantação de cursos superiores na cidade consagraram a emissora, que respaldava a voz da comunidade chapecoense.

Entre os profissionais que atuaram na Rádio Chapecó estão Nilo Nidgar Vink, Antônio Machado, Ivanor Vanzim, Nélson Brasil, Ivo Patussi, Antônio Ibrahim Simão, Rogério Vink, Seno Moesch, Celso Nunes Moura, Amílton Martins Lisboa, Welcy D’Avila Canals, Arlindo Sander, Romeu Roque Hartmann e Paulo Antônio Bohner.

Como patrocinadores, acompanharam a história da radiodifusora as empresas Bertaso Pasqualli S/A, Frigorífico Marafon, Frigorífico Chapecó, Força e Luz de Chapecó S/A, Irmãos Sperandio S/A, Morandini de Marco S/A, Casa do Povo, Cooperativa Madeireira Alto Uruguai Ltda, Dorval Cansiam e Irmãos, Casas Vitória, Automóveis e Máquinas S/A, Moinho Santo Antônio, Clínica Nossa Senhora de Lourdes.

Em 4 de novembro de 1969 houve a transferência dos estúdios da Avenida Getúlio Vargas, 791, para rua Marechal Floriano Peixoto, 161, edifício Francisco Norberto Bohner, onde funciona até hoje, conforme depoimento de Amilton Martins, em oito de maio de 1999.

Fontes:

http://www.chapeco.sc.gov.br/index.php?go=1
http://www.acaert.com.br
http://www.acontecendoaqui.com.br/pp_radio.php

História do Rádio em Santa Catarina. Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira. Florianópolis: Insular, 1999.

Na próxima semana Rádio Eldorado de Criciúma:

“As pessoas que passavam pela praça, ao ouvir aquela conversa tratavam logo de esticar ainda mais as orelhas para não confundir os nomes. O estardalhaço foi tão grande que muitas das pessoas citadas pelo som alto e claro do alto-falante mudaram-se de cidade, talvez até mesmo de federação”. Jane da Rosa, História da Rádio Eldorado contada pelos seus personagens. Monografia para conclusão de curso de Comunicação Social. Unisul, Tubarão, 1996.

Antunes Severo: Radialista e publicitário, é sócio-fundador do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia e editor do site.