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Mídia e etnia no Brasil.


 

Informação: Carta Maior - Agência de Notícias - 16/12/2004

Questão Étnica

Paulo Rogério Nunes

A invisibilidade de negros na mídia é um problema que começou a ser discutido nos últimos anos mas que ainda precisa de atenção do governo e de toda a sociedade. Lá fora a conscientização sobre o tema é crescente.

No Brasil, a invisibilidade de negros na mídia é um problema que começou a ser discutido nos últimos anos mas que ainda precisa de atenção do governo e de toda a sociedade. A televisão brasileira não mostra a diversidade racial de nosso país e estereotipa os valores e a estética negra. Os cursos de comunicação nas universidades e as linhas de pesquisa, a rigor, também ignoram o tema.

Lá fora a conscientização sobre o tema é crescente. Em novembro, aconteceu em Berlim o Black Media Congress. Organizado pelo grupo Cybernomads, que estimula a visibilidade dos afro-alemães na mídia, o congresso teve o objetivo de discutir a presença de afro-descendentes na mídia internacional, criar uma rede de intercâmbio midiático entre a diáspora africana e articular possibilidades de cooperação entre produtores. Apesar de contar com apenas 3% da população alemã, a comunidade afro-descendente no país germânico é extremante articulada, chegando a produzir um programa sobre a temática étnica em TV aberta.

O Black Media Congress tratou de temas que vão da importância da diversidade racial nas produções audiovisuais ao processo legislativo e regulador da mídia, passando pela apresentação de cases de sucesso na área de mídia étnica. Reforçou ainda a necessidade de apropriação das TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação – pelas comunidades negras. Segundo o pesquisador afro-americano Abdul Alkalimat, coordenador do E-Black Studies da Universidade de Toledo e autor do livro “African American Experience in Cyberspace", é preciso fazer a revolução dentro da revolução. Ele acredita que é necessário que as comunidades negras em todo o mundo se apropriem das ferramentas tecnológicas para mudar esta realidade. Do contrário, o negro será sempre ser representados de forma estereotipada.

Um exemplo que reverte esta lógica vem do Congo. Lá, a revista africana Mabeya Mbila traz informações sobre educação, saúde, imigração e tenta promover a auto-estima dos leitores a partir de assuntos diretamente relacionados às suas comunidades. A publicação é produzida na língua Lingala, preservando assim, os valores culturais e lingüísticos locais.

Entre pesquisadores, ativistas, empresários e produtores de diversos países do mundo, o Brasil foi representado pelo Fórum Nacional de Comunicação Contra o Racismo e pela ONG Dombali, que trabalha há 14 anos para a inclusão de jovens afro-descendentes na mídia. A Dombali foi a única ONG brasileira escolhida para participar do evento. Lá, teve a chance de mostrar a experiência do país no campo da inclusão racial na mídia a partir do treinamento juvenil nas áreas de produção e filmagens para TV, rádio, dramaturgia e Internet, além da experiência do programa TV Afirmação, produzido pela para o canal comunitário de São Paulo.

O Brasil tem dado passos interessantes neste caminho. Em novembro de 2003, diversos seminários sobre o tema mídia e etnia aconteceram nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Brasília, em cooperação com o governo Canadense e o gabinete do senador Paulo Paim. O próximo encontro acontece no V Fórum Social Mundial, para o qual estão sendo planejadas diversas atividades sobre diversidade étnica e multiculturalismo nos meios de comunicação.