Informação:
RA RÁDIO AGÊNCIA - 29/11/2004
A
primeira fase do vestibular 2005 da Unicamp usou o rádio
como tema principal da redação e das 12 questões
dissertativas. Quando li esta notícia me senti alegre.
Afinal, até que enfim alguém dava algum valor
para o rádio brasileiro.
Mas
minha alegria foi logo substituída por uma reação
formada por um misto de espanto e incredulidade quando li que
a escolha fora "bastante criticada pela coordenadora do
laboratório de redação do Objetivo, Maria
Aparecida Custódio. "Dona Maria afirmava, entre
outras pérolas, que "a presença do rádio
é pequena entre os jovens".
Fiquei
imaginando o que esta senhora faz de manhã quando liga
o carro. Ou como se informa quando está longe dos aparelhos
de TV e computadores de Internet. Ou ainda, se cansada do trânsito,
como faz para ouvir aquela música relaxante ou alegre.
Tudo bem, talvez ela não seja jovem, mas deveria ao menos
saber a importância que este veículo tem. E como
ele pode ser fundamental para o jovem, como ademais é
fundamental há décadas para todas as pessoas,
independente de idade, sexo, religião...
Talvez
se a prova de redação fosse sobre a importância
da obra de Machado de Assis, ou ainda sobre João Ubaldo
Ribeiro, o que ela diria? Desancaria a Unicamp com o argumento
de que o hábito da leitura é pequeno (eu diria
quase inexistente) entre os jovens? Isso lá é
justificativa, Dona Maria?
Sei
que os jornais, muitas vezes, distorcem o que as pessoas falam.
Talvez Dona Maria não tivesse sido bem compreendida pelos
jornalistas que a entrevistaram. Ou ainda, coisa comum, arrependeu-se
do que disse logo depois... Concedo-lhe o benefício da
dúvida, mas mantenho minha indignação.
O argumento é pernicioso, ainda mais vindo de alguém
cuja função é ensinar jovens a redigir.
Até
onde sei, a gente escreve para construir nossa identidade. E
muitas vezes esse ato mágico se torna uma forma sublime
de prazer. Escrever é um ato vital por isso mesmo e não
importa o tema, afinal é uma prova, pois não?
Se eu sei escrever, dê-me um tema qualquer que eu seguramente
saberei dizer algo a respeito, até mesmo narrar o tamanho
desmedido de minha ignorância...
"No
princípio era o Verbo...", já lemos isso
na Bíblia. E não há Internet que acabe
com o prazer e a necessidade da escrita. Da mesma forma, não
haverá TV ou qualquer engenhoca milaborante que irá
acabar com a importância do rádio.
Que
ele seja ignorado, até entendo, apesar de não
aceitar. Mas pelo menos não nos neguem o direito à
existência. E por último, mas não menos
importante: jovem ouve rádio sim! É só
perguntar a eles.
Alexandre
Pelegi é produtor e comentarista do programa Fique por
Dentro, da Rádio Metropolitana FM SP.
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