| Informação:
Comunique-se - 03/12/2004
Da
Redação
Fonte:
O Globo
O
presidente venezuelano Hugo Chávez reacendeu as discussões
sobre as ameaças à liberdade de imprensa na América
Latina ao pôr em vigor a Lei de Responsabilidade Social
para Rádio e TV, em projeto aprovado na última
semana.
A
atitude está sendo duramente criticada pelas organizações
internacionais, como a Sociedade Interamericana de Imprensa
(SIP), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos
e a Human Rights Watch, com base em Nova York. No entanto, a
Federação Latino-americana de Jornalistas defendeu
o projeto.
O
presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação
da SIP, o guatemalteco Gonzalo Marroquín, afirmou que
a lei venezuelana atenta contra a liberdade de expressão
e concede ao governo autoridade para censurar previamente os
meios de comunicação. Como exemplo, Marroquín
lembrou que a lei determina em que horário é permitida
a divulgação do que for considerado mensagem violenta,
mas quem decide quais são essas mensagens é o
governo.
O
governo venezuelano garante que a lei não ameaça
a liberdade de informação. O texto aprovado pelos
parlamentares diz que seu objetivo é “fomentar
o equilíbrio democrático entre os deveres, direitos
e interesses, a fim de promover a justiça social e contribuir
para formação da cidadania”. Os chavistas
sustentam que nos últimos anos os meios de comunicação
do país se tornaram porta-vozes da oposição
e tiveram papel destacado no golpe de Estado de 2002 e na greve
geral que se estendeu por mais de cinco meses, entre 2002 e
2003, prejudicando a economia nacional.
Sobre
como os meios de comunicação reagem em relação
às disputas políticas no país, Alberto
Ravell, dono da Globovisión, uma da principais emissoras
de televisão informativas do país, assegurou que
“os canais de TV não são imparciais porque
as demais instituições do Estado venezuelano também
não são”. "Chávez controla tudo
e fomos obrigados a representar todos os setores da sociedade
civil que não se sentem amparados pelo governo",
argumentou Ravell.
Com
a entrada em vigor da nova lei, prevista para os próximos
dias, canais de TV e rádios só poderão
exibir debates políticos a partir das 23h. Um programa
informativo, diz a lei, “deve divulgar informações
sobre pessoas ou acontecimentos locais, nacionais e internacionais
de maneira imparcial, veraz e oportuna”. A maioria dos
canais de TV e rádios se opõe a Chávez
e manifesta esta posição claramente. No auge da
crise política, alguns jornalistas chegaram a se referir
ao presidente como assassino. O objetivo de Chávez seria
acabar com o protagonismo político, desfavorável
a ele.
Na
Argentina, a situação também é delicada.
O presidente Kirchner, que opositores acusam de ter manipulado
a imprensa da província de Santa Cruz, tem sido acusado
de telefonar para jornalistas que o criticam. O jornalista Julio
Nudler disse que o jornal Página 12 censurou um artigo
seu com denúncias contra o chefe de Gabinete, Alberto
Fernández. O escândalo causou a dissolução
da organização Periodistas, criada em 1997 para
defender a liberdade de imprensa.
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