| Informação:
Agência
Brasil - 20/07/2005
Vitor
Abdala
Repórter da Agência Brasil
Rio
– A Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) ampliou, este ano, seu trabalho de repressão
às emissoras de rádio que considera clandestinas.
Somente no primeiro semestre de 2005, 1.199 estações
em todo o Brasil tiveram suas transmissões interrompidas,
ou seja, uma média de 200 por mês. O resultado
é superior ao obtido no ano passado, quando 1.807 rádios
foram fechadas de janeiro a dezembro, isto é, 151 por
mês.
No
estado do Rio de Janeiro, entre janeiro e junho deste ano, foram
fechadas 113 emissoras. Em apenas seis meses, foram realizadas
mais interdições do que durante todo o ano de
2004, quando houve 87 fechamentos.
Segundo
o superintendente de Radiofreqüência e Fiscalização
da Anatel, Edilson Ribeiro dos Santos, o aumento à repressão
se deve principalmente ao crescimento do número de emissoras
que operam sem licença no Brasil. De acordo com a Agência,
3.887 rádios funcionavam ilegalmente no país no
final de 2004. Neste ano, a estimativa da Anatel aponta para
um número de 4.479 estações.
Santos
alega que as rádios ilegais são reprimidas porque
podem causar interferências em sistemas de telecomunicações,
como o de rádios legalizadas e de comunicação
aeronáutica. Representantes de rádios comunitárias
discordam. "Qualquer batimento de freqüência,
qualquer equipamento mal utilizado ou qualquer filtro mal situado
pode gerar rádio interferência na comunicação
aeronáutica. E isso pode colocar em risco a vida de pessoas",
disse Santos.
Segundo
ele, a interferência pode ser provocada também
por rádios legalizadas, mas isso seria algo mais raro.
Isso porque, de acordo com Santos, a Anatel tem um controle
maior dos equipamentos e dos projetos dessas emissoras, o que
não aconteceria com as estações clandestinas.
Segundo
ele, aparentemente, uma rádio de freqüência
modulada (FM), que atua na faixa de 87,8 a 108 MHz (Mega Hertz),
não pode interferir em um canal de comunicação
dos aviões com as torres de controle, que funcionam na
faixa acima dos 108 MHz.
No
entanto, problemas nos equipamentos de transmissão e
a proximidade na freqüência de emissoras poderiam
provocar um fenômeno conhecido como "batimento",
em que as freqüências de duas estações
se misturam e formam uma terceira freqüência, a qual
pode ultrapassar o limite dos 108 MHz e entrar na faixa da comunicação
aeronáutica.
De
acordo com o superintendente, recentemente foram fechadas duas
rádios paulistas que estariam provocando interferências
nas comunicações dos centros de controle de tráfego
aéreo de São Paulo e de Curitiba. "Uma dessas
rádios clandestinas funcionava em 104,9 MHz, ao lado
de uma outra rádio de 104,7 MHz. Deu batimento de freqüência
entre as duas e elas passaram a interferir na faixa de 126 MHz,
que é a faixa de comunicação aeronáutica",
contou Santos.
|