Leila Cordeiro
Uma briga de namorados, uma cena íntima picante embaixo das cobertas, discussões que não levam a lugar nenhum. Essas são algumas das cenas que parecem combinadas demais, ensaiadas demais para convencerem como reality-show, mas fazem parte dos BBBs da vida, e o público acaba acreditando que aquilo tudo ali é verdade e não se fala mais nisso.
Afinal, quando está no ar o tal BBB, que já vai para a sua oitava edição, é campeão de audiência não só nas telas globais, como em sites consagrados na Internet, onde existe até um espaço reservado só para comentários sobre os participantes e suas reacões. Incrível, mas é verdade!
Mas não foi só a Globo que aderiu aos programas chamados realisticos, onde as pessoas fingem não saber que estão sendo focalizadas por câmeras espalhadas por todos os cantos. Será que há alguém que ainda acredita que nada é combinado nesses shows, que começaram nos Estados Unidos e Europa e foram ganhando espaço nas TVs mundo afora? Ou que algum dos participantes está sendo sincero quando se expõe através de reações que podem ou não agradar ao publico que o está assistindo?
Essa "realidade" televisada se traduz de várias maneiras e de certa forma acaba se transformando num show motivacional que tem pretensões de ensinar às pessoas como viver melhor, mostrando caminhos a seguir para conquistar objetivos e realizar projetos de vida. Tudo isso, é claro, com muito glamour , onde sempre os apelos sensuais e sexuais têm lugar de destaque.
Na contramão do apelativo BBB, há os reality shows mais do tipo família. Afinal é preciso agradar a todas as faixas etárias e credos. Por isso, no SBT, em Supernanny, a história gira em torno da babá que ensina com maestria como os pais, à beira de um ataque de nervos, devem lidar com criancinhas mimadas e histéricas.
Correndo por fora nesse, digamos, show da vida, está o Simple Life, da Record, onde patricinhas que deram certo na vida aprendem a lidar com as coisas simples da sobrevivência de um ser humano, como trabalhar duro, lavar e passar roupa, cozinhar, cuidar da casa, etc. Coisas que mocinhas superficiais não podem nem imaginar fazer fora dos holofotes e das câmeras .
Apesar desses três exemplos, parece que pouco a pouco o reinado dos reality shows está perdendo espaço na programação das emissoras, para a alegria do telespectador que está cansado de tanta “realidade” ensaiada, e prefere a realidade verdadeira do jornalismo. A Globo está voltando suas baterias para a notícia em programas de variedades, como o Mais Você, de Ana Maria Braga, que tem se esforçado para parecer bem informada.
Mas esse esforço matinal da Globo, tem tudo a ver (sem nenhuma alusão ao slogan global) com o rolo compressor jornalístico da Record, que descobriu que a informação é a mola mestra de uma emissora de TV. O jornalismo na Record tem sido prioridade, não só no seu novo canal de noticias, o Record News, como em todos os seus programas, sejam ou não jornalísticos. A toda hora, repórteres entram no ar de qualquer lugar do Brasil ou do mundo, passando ao telespectador o que de mais importante está acontecendo.
Sem dúvida, o verdadeiro reality show é aquele produzido diariamente pelo jornalismo das emissoras, onde o mundo real é mostrado em toda sua dimensão e os personagens e acontecimentos são reais. Ou deveriam ser.
Sobre a autora: Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas TVs Globo, Manchete, SBT e na CBS Telenotícias Brasil, como repórter e âncora. E também artista plástica e tem dois livros publicados.