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UMA TV E MUITAS POLÊMICAS.

Informação: Direto da Redação - 01/11/2007

Eliakim Araujo

Se depender do número de polêmicas que tem gerado, a nova TV pública do governo vai ser um sucesso. Mas, na verdade, o cenário não é bem esse.

Apesar da reconhecida seriedade do Ministro Franklin Martins e das boas intenções dos profissionais que está nomeando para gerir a nova TV, são muitas as dúvidas que pairam no ar com questões que só serão mesmo respondidas quando a TV estiver funcionando. Por enquanto, ninguém sabe direito o que vai acontecer.

Nesse quadro, a meu ver, a questão editorial é a mais séria. Não há dúvida de que o governo precisa de um canal de comunicação forte para enfrentar os grandes jornalões e poderosas redes de TV reconhecidamente voltados para interesses pessoais e/ou politicos. A mídia na mão de empresários de caráter duvidoso dispõe de ferramentas para ameaçar, acuar e até chantagear o governo , editando a informação da maneira que mais lhe convenha, deixando de lado os sagrados princípios de um jornalismo sadio e independente.

Claro, que essa mesma regra tem que valer também para a TV pública. Há uma expectativa, sobretudo entre os formadores de opinião, sobre sua linha editorial. Terá ela um caráter independente ou será apenas uma TV chapa branca? A jornalista Tereza Cruvinel, que vai mandar no pedaço, avisa que um conselho de quinze membros, sem nenhuma ligação com o governo, zelará pela independência do novo canal. Uma espécie de ombudsmans, imagino. A idéia desse comitê é louvável, a pergunta que fica no ar é : - será que eles serão tão independentes, sabendo-se que foram nomeados pelo governo?

Outra questão, levantada desde o início, tem a ver com a necessidade de um novo canal público quando o governo já dispõe de uma rede de TVs educativas em vários estados. No Rio, a TV Educativa é um marco na história da televisão brasileira desde os tempos de Gilson Amado, um apaixonado pelo veículo. A TV-E possui uma estrutura montada e funcionando, tanto assim que é para lá que vai a nova TV pública. Ou seja, parece que estamos trocando seis por meia dúzia.

E é aí que entra um outro aspecto, o social. O que será feito do quadro de funcionários da TV-E, quando se anuncia que a nova TV pública poderá, durante 36 meses, contratar servidores sem concurso publico, com base apenas em currículos profissionais?

Beth Carmona, que dirige a TV-E, alertou nesta quarta-feira para o clima de apreensão que tomou conta dos funcionários. Nada lhes foi comunicado oficialmente, não sabem o que o futuro lhes reserva. Temem uma demissão em massa. Como no Brasil tudo é muito confuso, há ainda essa incrível história de funcionários estatutários e celetistas, um imbroglio que dura décadas e ninguém resolve.

Espera-se que os novos dirigentes da TV pública se preocupem em preservar os bons quadros da TV Educativa, especialmente aqueles que não aparecem na telinha. Funcionários humildes, iluminadores, operadores de câmera, de áudio, maquinistas, cenógrafos, sem contar editores de jornalismo, cinegrafistas e diretores de TV. Eles são a alma da TV. E as estrelas do video não seriam absolutamente nada sem eles.

PS. A coluna se solidariza com Mino Carta, o editor da CartaCapital. O anúncio da Globo é realmente ofensivo e a revista agiu dentro do seu direito ao recusá-lo.

Sobre o autor: Ancorou o primeiro canal internacional de notícias em língua portuguesa, a CBS Brasil. Foi âncora dos Jornais da Globo, da Manchete e do SBT e noticiarista da Rádio JB. Tem uma empresa de assessoria em jornalismo e marketing.