Parte dos parlamentares alega que não influi na gestão das emissoras
Dos parlamentares investigados, parte confirmou que tem emissoras de rádio e TV, mas disse acreditar que isso não implica irregularidade. Eles alegam que as empresas foram adquiridas antes do mandato ou que não têm ingerência sobre o funcionamento delas. Outros dizem não ser proprietários - ou porque já venderam suas cotas ou por se dizerem homônimos dos verdadeiros donos.
'Essa rádio é uma brincadeira, dá prejuízos mensais', disse o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG). 'Só continuo porque ela me ajudou no passado. Com rádio ou sem rádio eu tenho uma votação boa em Barbacena, consolidada há gerações. Não é a rádio que vai influir na eleição.'
O deputado Marcondes Gadelha (PTB-PB), que aparece como dono de duas emissoras de rádio na Paraíba, diz não ver problemas. 'O sistema não é meu', sustentou. 'Ele pertenceu ao meu pai. As rádios são gerenciadas por dois irmãos meus, o Renato e o Jorge Gadelha', disse o parlamentar. Mesma justificativa deu o deputado Sarney Filho (PV-MA), que consta como proprietário de uma emissora de rádio e uma de TV no Maranhão. 'As emissoras pertencem à família Sarney há anos. Todos sabem que minha família tem negócios na área de comunicação, como rádios, jornais e TV.'
Na interpretação de alguns parlamentares, a lei não proíbe que sejam donos, mas sim de dirigir a emissora. 'Pelo que sei, a lei proíbe o deputado de ser dirigente, e não sócio', afirmou o deputado Vadão Gomes (PP-SP). 'Sou apenas cotista. Quando comprei não era deputado e muito raramente dou entrevistas.' A mesma defesa apresentou Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), que por meio de sua chefe de gabinete, Heloísa Amaral, sustentou que não gerencia nem ocupa cargo de direção na emissora, por isso acredita estar confrontando a lei.
Fazem parte ainda dos parlamentares que admitem terem ligação com empresas de rádio e TV: Severiano Alves (PDT-BA), Dimas Ramalho (PPS-SP), Sandra Rosado (PSB-RN) e Dirceu Sperafico (PP-PR).
Outro grupo afirma haver defasagem nos dados apresentados pelo Ministério Público, pois esses parlamentares dizem já terem deixado a sociedade. 'Não sou mais dono dessa rádio', explicou Alexandra Santos (PMDB-RJ), falando sobre a Musical de Cantagalo. 'Fiquei com ela por 12 anos, mas vendi.' É caso análogo ao do deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), que confirmou ter sido proprietário do Sistema Maranhense de Radiodifusão, mas disse que deixou a sociedade em 2005. O deputado João Magalhães (PMDB-MG) afirmou que tirou do ar a rádio Comcel. 'Quis evitar problemas jurídicos e financeiros, pois era deficitária.' Jaime Martins (PL-MG), outro que diz ter vendido sua empresa, acusa o Ministério das Comunicações de lentidão nas homologações de transferência. Odílio Balbinotti (PMDB-PR) também integra esse grupo.
NEGATIVAS
Há deputados que negaram ter qualquer ligação com as emissoras citadas. Como Pedro Fernandes, que nega participação numa segunda empresa. 'Nunca fui dono dessa rádio', disse, referindo-se à Difusora de Mossoró. 'Pelo que sei, ela pertence a um outro Pedro Fernandes.' Carlos Leréia informou que a Difusora de Imbituba pertence a homônimo. Aníbal Gomes (PMDB-CE), Pedro Irujo (PMDB-BA) e José Rocha (PFL-BA) também integram o grupo.
Dois deputados disseram não lembrar de ter sociedade nas rádios investigadas - Mussa Demes (PFL-PI) e Mauro Benevides (PMDB-CE). 'Posso ter dado no passado algum tipo de colaboração, mas nem me lembro', disse Benevides.
A assessoria de Fernando Collor (PRTB-AL) não soube informar se ele vai se afastar do controle da Gazeta de Alagoas.
Os demais parlamentares não responderam ao Estado.