Informação: Direto da Redação - 25/06/2006
Leila Cordeiro
A Globo Internacional completa, em julho próximo, seis anos distribuindo seu sinal pelos cinco continentes. Ela começou nos Estados Unidos e depois se espalhou pelo resto do mundo. No início, o sinal da poderosa emissora era distribuído apenas por satélite pela empresa americana Dish Network. O assinante era obrigado a instalar uma antena específica para sintonizá-la. Antena exige um correto direcionamento visual do satélite. Com isso, muitos não conseguiam captar o sinal, principalmente em apartamentos. A Globo correu atrás e passou a negociar a distribuição do sinal via cabo, atingindo áreas até então inexploradas.
Durante todo esse tempo, o telespectador da Globo Internacional se acostumou a conviver com uma grade de programação meio improvisada, já que programas e eventos esportivos que a emissora compra os direitos de transmissão exclusivamente para o Brasi não passam no exterior. Por esse motivo, por exemplo, a F-1 nunca foi transmitida pela Globo no exterior. Em seu lugar a Globo Internacional coloca programas do tipo tapa-buraco, criando uma insastifação entre os assinantes apaixonados pelo automobilismo.
Muitos brasileiros que moram no exterior reclamam: “No Brasil eu via a Globo de graça, aqui eu tenho que pagar vinte dólares por mês e assim mesmo não tenho o direito de ver alguns programas, as corridas de F-1, nem os jogos da seleção”.
Mas este ano, um episódio curioso mudou esse quadro. A Dish Network, a empresa que distribui sinais e ganha no número de assinantes que assistem seus canais, decidiu abrir um espaço no dial para um grupo de empresários brasileiros que criaram, um mês antes da Copa, a RBTI (Rede Brasileira de Televisão Internacional). Na surdina, negociaram com a FIFA a compra dos direitos de transmissão da Copa em português. Um trunfo espetacular para conquistar milhares de assinantes de uma só tacada.
Tal qual o pequeno David, a RBTI tinha conseguido o que a Globo há tantos anos no exterior jamais de esforçara para conseguir para seus assinantes. Na história da Bíblia, David derrota o gigante Golias com uma pedrada na fronte. Mas, aqui na nossa história, Golias veio com tudo pra cima e passou por cima de David ao anunciar em cima da hora, surpreendentemente, que transmitiria os jogos da Copa do Mundo.
A pergunta que os assinantes da Globo Internacional hoje fazem é por que isso não foi feito antes? Foi preciso que aparecesse um pequeno concorrente para que o gigante se mexesse e pensasse naqueles que pagam para assistir a emissora e acabam vendo uma programação cheia de tapa-buracos?
Aparentemente, a Record Internacional que também distribui seu sinal pelo mundo afora, está amargando maus momentos com a transmissão da Copa pela Globo no exterior. Seus telejornais no Brasil podem exibir até 90 segundos de lances e gols das partidas. Quando o telejornal é passado nos EUA, as imagens dos jogos são sempre substituídas por um aviso de que a emissora não tem autorização para reproduzi-las.
A Copa tá rolando há vários dias e o Galvão Bueno continua dizendo “tá na Globo, tá na Copa”. É preciso avisar a ele que isso só vale para o Brasil. Nos EUA, o brasileiro tem as opções em inglês (ESPN/ABC), em espanhol (Univision) e em português (RTBI). Portanto, quem quiser se livrar do Galvão pode escolher outro canal.
Sobre o autor: Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas Tvs Globo, Manchete, SBT, e na CBS Telenotícias Brasil, como repórter e âncora. É também artista plástica e tem dois livros publicados.
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