Informação: Direto da Redação - 07/06/2006
Eliakim Araujo
Fátima Bernardes, dublê de "musa da seleção" e apresentadora do Jornal Nacional, já está na Alemanha para a cobertura da Copa do Mundo. Ela integra uma equipe de quase duzentos profissionais da TV Globo, do cozinheiro ao diretor de jornalismo, que promete levar ao telespectador cada detalhe do maior evento esportivo do planeta, como estão chamando o campeonato mundial de futebol.
Antes de viajar, Fátima deu entrevista à Folha de SP, quando defendeu a emissora da acusação de gozar de privilégios na cobertura. Por ela ficamos sabendo que “isso acontece em qualquer lugar do mundo, quem pagou pelo evento tem acesso a determinadas áreas, chamadas áreas FIFA, quem não pagou vai ter outros acessos”.
Mas não é bem assim. A declaração da apresentadora, talvez por desinformação, é o que se pode chamar de meia-verdade. Quem paga pela transmissão do evento tem o direito exclusivo de transmiti-lo. Isso é pacífico. Mas não há como confundir o direito de transmissão com o direito de informar, a que todas as emissoras deveriam ter acesso. Privilegiar aquela que pagou pelos direitos de transmissão em detrimento do trabalho dos profissionais de outras emissoras é atitude injusta e monopolista.
Além do mais, não é verdade que “isso acontece em qualquer lugar do mundo”. Agora mesmo, nos Estados Unidos, o clima de decisão do campeonato nacional de basquete, da NBA, entre Miami e Dallas, tomou conta da mídia. Programas de TV e jornais dedicam generosos espaços à cobertura do evento. O direito exclusivo de transmissão é da rede ABC, mas todas as demais emissoras estão tendo acesso aos treinos e entrevistas com os jogadores dos dois times.
A propósito, vale informar que há uma completa democratização na aquisição dos direitos de transmissão dos grandes eventos esportivos nos EUA. A legislação americana não permite a formação de monopólio. Este ano, por exemplo, os direitos sobre o campeonato da NBA ficou com a rede ABC, que os repassa a ESPN e TNT, quando não tem interesse na transmissão, as olimpíadas com a NBC, os torneios de tenis do grand slam com a CBS, e assim por diante.
O injustificado monopólio da informação da seleção parte da própria CBF. No amistoso, em Königstein , os funcionários da Globo tiveram acesso a locais privilegiados do clube. Os demais jornalistas foram para as arquibancadas, afastados do campo e dos jogadores. Quando foram reclamar com Jörg Pöschl, presidente do clube, ouviram dele: “foi uma exigência da CBF, não preciso falar a vocês sobre a influência da Globo”.
Como se vê, o poder da emissora do Jardim Botânico está indo longe demais. Até os alemães já se renderam ao monopólio global.
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PS. De uma fiel e indignada leitora do DR que pede para não identificar-se, transcrevo o seguinte email: “Seria bem melhor para o Brasil, que a sociedade civil se manifestasse contra toda essa corrupção, violência, desemprego, enfim essa vergonha que assola o país, do que ficar com essa patriotada de Copa do Mundo. Se todo mundo aqui se mobilizasse contra essas bandalheiras, como estão se mobilizando para a Copa, esse país seria muito melhor. Vou torcer pela Croácia e pela Itália. Maldita hora que coloquei meus filhos nos melhores colégios e faculdades, devia ter posto uma bola no pé do Eduardo e incentivado ele a ser jogador de futebol.”
Sobre o autor: Ancorou o primeiro canal internacional de notícias em língua portuguesa, a CBS Brasil. Foi âncora dos jornais da Globo, da Manchete e do SBT e noticiarista da Radio JB. Tem uma empresa de assessoria em jornalismo e marketing.
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