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TV DIGITAL e REGIONALIZAÇÃO
"Padrão Japonês seria uma traição ao país", diz especialista.

 

Informação: Agência Carta Maior - 07/06/2006

Celso Schröder, coordenador geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, presente no FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul, fala sobre a dimensão estratégica da escolha do padrão de TV digital a ser adotado pelo Brasil e seus possíveis impactos no futuro.

Da Redação - Carta Maior

A escolha do padrão de TV Digital a ser adotada pelo Brasil pode não estar tão definida quanto faz aparentar os esforços de comunicação daqueles que defendem a escolha do padrão japonês, tido por muitos já como o eleito. O coordenador geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Celso Schröder, esteve nesta segunda-feira, 05 de junho, em Florianópolis para participar do debate “TV Digital e Regionalização da produção Audiovisual: impasses”, a convite do FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul.

Schröder garante que a decisão do governo ainda não está tomada. “Se a escolha for pelo padrão japonês, será uma traição ao país. É uma traição que significa impedir o Brasil de dominar uma tecnologia que vai ter uma importância para o século XXI que o ferro e o aço tiveram no século XX”, acusa.

As mudanças no sistema de televisão, segundo Shröder, são muito mais complexas do que as pessoas imaginam. Ele faz um alerta: “A TV Digital é apenas a ponta do Iceberg, ela poderá ser, ou não – dependendo da escolha -, o alavancador de uma indústria importantíssima que vai desde do automóvel à inteligência, ao domínio de satélites, exército, controle de fronteiras e muito mais”. Participaram do mesmo painel a representante do conselho de Comunicação Social, Berenice Mendes, e Alfredo Bertini, presidente do Fórum dos Festivais.

A participação de Berenice concentrou-se na questão das leis de regulamentação para a regionalização da produção, que, segundo ela, devem anteceder à definição a respeito dos sistemas de TV Digital. “Não é possível que o Jornal Nacional às 20h na TV aberta seja radiodifusão e às 21h na TV a cabo seja telecomunicação, isso é um absurdo”, defende Berenice.

O presidente do Fórum dos Festivais, Alberto Bertini, complementou informando que, nos Estados Unidos, as emissoras de TV só podem trabalhar 25% do tempo em rede, sendo o restante da programação destinada à produção local de cada empresa. Para fundamentar as reivindicações dos produtores brasileiros com relação ao tema da mesa - TV digital e regionalização da produção - e contextualizar a questão para o público do Fórum Audiovisual Mercosul, Bertini apresentou ao público um histórico do audiovisual na formação da sociedade brasileira.