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Radinho de Pilha: o que aconteceu com ele?
A invenção da televisão significou, como todos sabem, o mais significativo momento de inflexão do rádio. Mas não a sua morte, como muitos chegaram a profetizar. Hoje, poucos se lembram de que a invenção do rádio transistorizado,  batizado em nosso país como  radinho de pilha foi, na  segunda metade da década de 50 do século 20, um grande momento do rádio..

 

Informação: Caros Ouvintes - 02/05/2006

Por Chico Socorro

E dessa vez, amplamente a favor por ter agregado o fator mobilidade ao rádio. Resguardas as proporções devidas a contextos históricos diferentes, o rádio de pilha significou para o meio rádio o mesmo impacto causado hoje pelo celular ao telefone fixo.

História do radinho de pilha para aqueles que se interessam pela história do rádio. O texto abaixo foi extraído do site http://bn.com.br/radios-antigos/transcom.htm

A necessidade de se construir aparelhos eletrônicos cada vez menores, levou os Laboratórios BELL dos EUA a desenvolver, após o término da 2a guerra mundial, um componente de tamanho diminuto conhecido posteriormente como TRANSISTOR, estando nesta época, disposta a conceder por $25,000 uma licença para que alguma indústria produzisse este componente em grande escala. Em 1951, uma companhia do Texas, a "Texas Instruments" ( TI )obtém a licença para o desenvolvimento em larga escala deste componente, levando três anos para alcançar o processo de fabricação em massa do Transistor de Unijunção de Germânio.

Em 1954, após exaustivos testes em laboratório realizados por uma equipe de engenheiros, cria um método de produção em larga escala do transistor, preparando-se a partir daí, a lançar secretamente um pequeno rádio totalmente transistorizado.

Busca entre os principais fabricantes de rádios nos EUA, alguém que se dispusesse a fabricá-lo, tendo como única interessada a indústria "I.D.E.A" Industrial Development Engineering Associates de Indianápolis, Indiana.

Correndo contra o tempo, (pois os Japoneses também já dominavam a técnica de construção desse componente e estavam prestes a lançar um rádio de bolso) a I.D.E.A. e a Texas lançam no Natal de 1954 um pequeno rádio de bolso totalmente transistorizado, conhecido como "REGENCY TR-1".



REGENCY Modelo TR-1
1º rádio transistorizado no Mundo. Alimentado por uma bateria de 22 ½ Volts, tendo seu circuito, 4 transistores de germânio.

O radinho de pilha hoje não tem a mesma importância que teve entre nós durante as décadas de 60 a 70 do século passado. Ele foi substituído, em grande parte, pelos modelos mais modernos, em função da melhora  geral do poder de aquisição da população e também pela ampliação crescente do fornecimento de energia elétrica para quase todo o País.Curiosamente, as pilhas Ray-O-Vac e Eveready, que  eram grandes anunciantes no passado, estão há muito tempo fora da mídia.

Mostramos a seguir dois “cases” curiosos em que  se revela a importância do radinho de pilha para os brasileiros.

Tom Zé, baiano, arguto observador da alma nordestina e um dos principais compositores do chamado Tropicalismo, ao lado de Gilberto Gil e Caetano, nos conta em uma de suas músicas dos anos setenta que “o nordestino que vem tentar a vida no Sul, só pode visitar os seus parentes  quando tiver comprado três importantes símbolos de civilização: um rádio de pilha, um relógio de pulso e um par de óculos escuros”.

Na outra história, mais recente, anos 80-90, o pai da dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano, Francisco Camargo, trabalhador rural e apaixonado pela música, revela no filme  Dois filhos de Francisco que passava o tempo livre escutando um rádio de pilha e planejando transformar os filhos em uma dupla sertaneja de sucesso.

Resumo da ópera: o meio rádio, que começa  a entrar na era de Revolução Digital, parece imortal. Em todos os momentos  em que surgiram outros meios, como a televisão nos anos 50, a Internet na década de 90 e o Ipod nos dias atuais, o rádio  recebeu o diagnóstico de morte iminente. Mas sempre sobreviveu porque é,  inquestionavelmente,  mídia imbatível em duas características:  ele é democrático pois permite fazer muitas outras coisas ao mesmo tempo e cria uma relação amigável
imaginária entre o emissor e o caro ouvinte.

Francisco Socorro, paulista, graduado em Sociologia pela Universidade de Leipzig, Alemanha em 1968. Especialização: Planejamento da Comunicação Publicitária. Experiente profissional da publicidade e marketing, trabalhou em diversas agências de publicidade de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis e também na área de marketing de empresas anunciantes. Em Florianópolis, onde reside, é consultor independente nas áreas de comunicação e marketing e presta consultoria em planejamento de licitações públicas e prospecções de novos negócios na área privada, além de atuar como redator na elaboração de cases de marketing.