| Informação
GPR - Grupo
de Profissionais de Rádio
IDG
Now - Antônio Rosa Neto 19/12/2005
Inacreditável
o que está acontecendo com consumo de mídia, causado
pelo novo comportamento social, que está levando o tradicional
meio de comunicação rádio novamente à
liderança.
Nas
chamadas décadas perdidas, 80 e 90, por exemplo, as mulheres
tinham difícil acesso ao mercado de trabalho. Também
os jovens, tinham enormes dificuldades em freqüentar escolas.
Hoje o que percebemos é um cenário completamente
diferente. As mulheres batem o recorde nas carteiras de trabalho
assinadas, chegando a 50%, como também o Brasil bate
recorde de jovens freqüentando as salas de aula.
Evidentemente
o que percebemos é um inexorável crescimento de
atividades nas diversas culturas do mundo. Hoje acordamos mais
cedo e dormimos mais tarde. Ocupamos nosso tempo, com uma infinidade
de tarefas, que seriam absurdas comparadas há 20 anos.
Desde
os princípios das análises de hábitos de
mídia, jamais nos deparamos com tamanha revolução.
Nossas rotinas diárias permitiam identificar as probabilidades
no comportamento de consumo de mídia. A Televisão,
por exemplo, que tinha uma performance impressionante, até
porque havia pessoas sem atividade nas residências. O
horário nobre da TV, naquela época, hoje parece
ridículo; acontecia às 18h. Depois foi migrando
para às 19h, às 20h e hoje se encontra na faixa
horária das 21h às 22h. A propósito, horário
da principal novela do país.
Evidente
que com mais atividade, as pessoas passam muito mais tempo fora
de casa. O interessante é notar, que os meios de comunicação,
disputam nossa atenção e competem com nossas diversas
atividades. Neste contexto, TV, Jornal, Revista e mesmo a internet,
exigem nossa atenção total, fato escasso hoje.
Portanto
como temos um tempo previsto para consumo de mídia, a
realidade é que ele está recuando. Por mais inacreditável
que pareça, o único meio que leva enorme vantagem
com este fator, é o meio Rádio. O Rádio
é o único meio que pode ser consumido, viabilizando
atividades paralelas e por isto mesmo, já é identificado
no mundo todo, como o meio do futuro.
Quando
analisamos os Estudos Ipsos/ Marplan, sobre hábitos de
consumo de mídia, percebemos que o Rádio é
líder absoluto entre os horários das 5h às
18h. Também pelo estudo do Ibope, constatamos esta liderança
em termos de horas consumidas.
É
interessante notar que hoje o Rádio é muito mais
qualificado do que a TV. Sua penetração, de acordo
com os estudos Ipsos/Marplan, ocorre com mais propriedade, nas
classes A,B e C, perdendo desempenho nas classes D e E. O mesmo
não ocorre com a TV, que mantém alta penetração
também nas classes baixas.
A
razão maior, é que o ouvinte hoje é uma
pessoa ativa e com renda. Já quem fica em casa, principalmente
no horário da tarde, provavelmente é inativo e
conseqüentemente, tem menor renda.
Quando
se trata de faixa etária, diferentemente do que muitos
ainda imaginam, o meio Rádio detém sua maior penetração
junto aos jovens, principalmente entre 15 a 29 anos. Nem precisamos
explicar o porquê, pois sabemos que são os mais
ativos entre todos.
Este
movimento não é apenas nacional, é uma
realidade muito mais destacada nos paises desenvolvidos. O Festival
Mundial de Publicidade de Cannes deste ano referendou o que
defendemos, pois eles esperaram exatos 52 anos, para incluir
pela primeira vez, as peças criativas de Rádio,
para julgamento. Foi um enorme sucesso.
Também
em publicidade, o Radio Advertising Bureau (RAB) identifica
forte crescimento nos Estados Unidos e na Europa, superando
inclusive o crescimento de diversos meios.
O
desejo em consumir o meio é tamanho, que nos EUA há
cinco anos surgiram duas empresas que oferecem Rádio
por satélite diretamente para automóveis; A XM
Radio e a Sirius Radio. Ambas operam com mais de cem canais
de áudio, cobrindo o mercado americano de costa a costa.
O interessante é que o consumidor aceita pagar por este
serviço, exatamente U$ 12,95 por mês, caracterizando
a importância do meio.
Empresas
montadoras americanas de automóveis, como GM e Ford,
entre outras, já instalam gratuitamente os aparelhos
com acesso ao satélite, como uma vantagem competitiva,
cabendo ao comprador assinar ou não o serviço.
Ambas já conquistaram 6 milhões de assinantes.
Outra
realidade diferenciada do meio no Brasil, foi a decisão
das empresas em digitalizar os sinais das emissoras AMs e FMs.
Fomos os terceiros no mundo e decidimos pelo padrão IBoc,
"In Band On Channel" que viabiliza o envio de sinais
analógicos e digitais, sem qualquer mudança nas
freqüências e permitindo aos ouvintes, manter seus
aparelhos atuais, e migrando gradativamente para os digitais.
Com
a digitalização, as emissoras AMs ganham qualidade
sonora das FMs e as FMs ganham qualidade de CDs. Nesta nova
era, o rádio ganha característica de meio multimídia.
Além do som sem chiados, as emissoras poderão,
em breve, enviar aos ouvintes, por exemplo, mensagens de texto,
imagens das músicas, shows, etc.
Antônio
Rosa é presidente da Dainet. Sugestões e comentários
podem ser enviados para o e-mail arosa@dainet.com.br
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