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Informação:
Observatório
da Imprensa - 27/12/2005
Katherine
Funke (*)
Os
reflexos dos cinco anos do atual senador Antonio Carlos Magalhães
(PFL-BA) à frente do Ministério das Comunicações
(1985-1990) ainda são nítidos no estado da Bahia,
onde 32 políticos em exercício de mandato –
de vereadores a senadores – são sócios de
41 emissoras de rádio ou TV. Outros 10 são parentes
dos sócios de 24 emissoras. E é o partido de ACM
que domina o cenário: 28 emissoras estão sob controle
direto de sócios-proprietários, sem contar as
filiadas à Rede Bahia.
O
mapa da relação entre políticos e radiodifusão
na Bahia foi detalhado em reportagem publicada segunda-feira
[26/12] no jornal A
Tarde, de Salvador. A matéria repercute localmente
a representação movida pelo Instituto pelo Desenvolvimento
do Jornalismo (ProJor), que mantém este Observatório
da Imprensa [ver a íntegra na seção Entre
Aspas, nesta edição do OI].
Além
dos políticos em exercício de mandatos, a apuração
identificou dezenas de outras rádios e TVs de ex-políticos
que continuam a exercer poder político local. Essa lista
poderá renderá outra reportagem, tamanha a abrangência
do mapa.
A
fonte principal das informações foi o cadastro
do Ministério das Comunicações. Notou-se
que ele está desatualizado. Um punhado de políticos
negou a sociedade. Quem enviou documentos, teve a emissora retirada
da lista – caso do senador Marcelo Crivella (PL) e do
deputado federal José Carlos Araújo (PFL).
Ambos
constam nos recentes levantamentos de parlamentares sócios
de empresas de radiodifusão realizados por James Görgen,
do Fórum Nacional pela Democratização da
Comunicação, e Venício A. de Lima, da Universidade
de Brasília. Os dois estudos, aliás, foram o ponto
de partida para o levantamento baiano.
Consultas
e exames
Alguns
políticos nem quiseram falar sobre o assunto, ou pelo
menos suas assessorias não demonstraram menor interesse
em esclarecer o problema. É o caso dos deputados federais
Fábio Souto (PFL), Pedro Irujo (PMDB), Robério
Nunes (PFL) e Wanderval Lima (PL).
Em
Salvador, funcionários da TV Aratu e da Rádio
Sociedade dizem que Irujo vendeu as emissoras. Elas foram, portanto,
retiradas da lista.
Todos
os políticos procurados, sem distinção,
demonstraram curiosidade por saber a fonte da informação.
A maioria não sabia ser um dado público, disponível
a todos no site do Ministério das Comunicações,
no menu "Rádio e TV" [veja
aqui].
Aliás,
houve até quem não se soubesse sócio de
emissora: o vereador Judazio Seibel (PL) e o ex-prefeito e ex-deputado
estadual Waldemiro Seibel (PTB), de Laranja da Terra (ES), donos
de uma FM em Itapetinga. Foi engraçado ouvir dos dois,
pai e filho, que não faziam idéia de onde era
"Tapetinga".
"É
bom saber que eu tenho um bem na Bahia", comemorou Waldemiro,
que mantém um programa semanal numa rádio educadora
do município de Afonso Cláudio, da qual também
é sócio. No seu Voz do Povo, distribui consultas
médicas e exames clínicos de graça, em
sorteios realizados no meio de comentários políticos.
A cidade fica a 130 km da capital.
"Não
pessoas"
Afora
quem não quis dar entrevista, todos os políticos
citados na reportagem foram ouvidos. A maioria foi ouvida por
mim; daí a conclusão: eles sabem o que estão
fazendo. Sabem direitinho, aliás. Mas uns se fazem de
ingênuos, outros aparentam distância da emissora
e alguns adotam ares de ascéticos empresários.
E
há ainda quem demonstre ter consciência e, com
um discurso convincente, tentam neutralizar a crítica.
O prefeito de Várzea da Roça, Wilson Brasileiro
(PFL), dono de uma OM numa cidade a 12 km do município
que administra, diz o seguinte: "Não tenho esses
pruridos de ser político e ser sócio de rádio.
Nunca vou usar esse mecanismo de massas. Para mim, o povo tem
que ter autogestão".
Bravo.
Se todos pelo menos pensassem assim, não veríamos
veículos com resquícios de autoritarismo na capital
e no interior. Em emissoras da Rede Bahia, da família
de ACM, por exemplo, quem é da oposição
não tem voz. São, orwellianamente, "não-pessoas",
apagáveis da memória – se a história
fosse feita só das realidades construídas por
esses veículos.
Um
deputado federal – que pediu off, que pena! – reconheceu
que as emissoras da rede da sua família são mesmo
"blindadas". Mas disse não ter nada a ver com
isso e, portanto, off na veia. Falha minha não ter gravado
o telefonema...
(*)
Jornalista
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controlam 65 emissoras – K.F.
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