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ISTOÉ
Dinheiro - Publicação em 28/12/2005
RETROSPECTIVA 2005
Por
Cristiane Barbieri
Nem
no mais delirante sonho de Aristóteles, o primeiro a
definir o conceito de democracia, os cidadãos seriam
tão ouvidos ou teriam tanta voz quanto possuem hoje por
meio dos blogs, os jornais pessoais na internet. Por dia, são
criados 70 mil blogs, o que equivale a uma nova página
por segundo. Por hora, os usuários postam mais de 29
mil atualizações em seus endereços. Até
meados de dezembro, existiam 23,2 milhões de blogs ativos,
segundo a Technorati, principal autoridade de acompanhamento
da blogsfera, o mundo dos blogs. O assunto tomou tamanha proporção
que, este ano, as gigantes da internet AOL e VeriSign abriram
a carteira e compraram empresas da área. Em aquisições
feitas com apenas um dia de diferença, em outubro, a
AOL pagou US$ 25 milhões pelo Weblogs Inc. e a VeriSign
desembolsou US 2,3 milhões pela Weblogs.com. Isso poderia
representar apenas o reaquecimento dos negócios da internet
– 2005 foi o ano de maior crescimento da rede, ultrapassando
inclusive o recorde de 2000, o ano da bolha – mas há
muito mais envolvido do que isso. Nesse novo mundo, todos têm
o que dizer – e querem ser ouvidos.
Há
desde exemplos curiosos, como o www.milliondollarhomepage.com,
em que um estudante britânico de 21 anos de idade se propõe
a juntar US$ 1 milhão com a contribuição
de internautas (detalhe: em quatro meses, ele conseguiu US$
874 mil) até novidades criadas pela interação
que, em última instância, leva a verdadeiras revoluções
sociais e na comunicação. Num mundo em que, do
conteúdo do celular à página de acesso
ao banco, tudo é mídia, isso não é
pouco. Tome-se como exemplo o caso do jornal sul-coreano OhmyNews.com.
Feito por 25 jornalistas profissionais, ele conta com a contribuição
de 33 mil repórteres-cidadãos em todo o mundo.
Com 750 mil acessos únicos diários, o jornal eletrônico
levou a fama de ter decidido em suas páginas a eleição
do presidente Roh Moo-hyun. “OhmyNews é um tipo
de praça pública na qual uma geração
se encontra, discute e descobre a confiança”, diz
Oh Yeon Ho, fundador do jornal. “A mensagem que eles percebem
é não estamos sozinhos, podemos mudar essa sociedade.”
Lembra o conceito aristotélico de democracia? No Brasil,
os exemplos de desejo de interação são
inúmeros. Durante a fase aguda da crise do governo Lula,
os endereços de notícias mais visitados foram
blogs de jornalistas que, juntos, quase alcançaram 500
mil acessos residenciais diários. Tudo isso é
apenas o começo. Na blogsfera já há os
blooks (mistura de books com blogs), os splogs (o spam nos blogs,
criados por robôs) e muitos outros novos termos. Indo
além, há a explosão dos fotologs, podcasts,
videocasts. A nova revolução da comunicação
está apenas começando.
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