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ISTOÉ
- Publicação em 21/12/2005
Darlene
Menconi
Assistir
à final de um jogo de futebol pela tevê não
tem a mesma graça que ir a um estádio. Ainda mais
para quem costuma ver seu time na companhia de amigos barulhentos.
O paraibano Guido Lemos sabe disso. Tanto é que passou
as últimas três semanas sem dormir nem comer direito
para finalizar os detalhes do Torcida virtual, um programa de
televisão criado para demonstrar que na tevê digital
tudo pode ser diferente.
Desenvolvido
pela equipe que Lemos coordena na Universidade Federal da Paraíba
(UFPB), o protótipo simula um estádio de futebol.
Só que é o próprio telespectador quem escolhe
o ângulo de visão e o som da torcida que deseja
ouvir. Com o controle remoto nas mãos, ele seleciona
a cadeira onde vai se sentar, se na arquibancada do Flamengo
ou na do Fluminense, por exemplo.
A
grande novidade, porém, é um microfone instalado
no terminal de acesso – aparelho parecido com o decodificador
de tevê a cabo, que faz a transição da tevê
analógica para a digital. Basta escolher a cadeira vizinha
à de um amigo para ouvir pelo alto-falante da tevê
tudo o que ele falar durante o jogo, mesmo que cada um esteja
em uma cidade diferente. “É como ir para o campo
com um rádio de pilha”, compara Lemos. Programas
como o Torcida virtual, em que o telespectador tem maior interferência
na programação, serão testados durante
os jogos da Copa do Mundo e os desfiles de Carnaval.
Assim
como ocorre na internet, a experiência de ver tevê
tende a ficar muito menos passiva. Na prática, a transmissão
digital vai além da imagem e do som com qualidade superior
à de um DVD. Para demonstrar o potencial do mundo virtual,
1.300 cientistas de 22 consórcios de pesquisa formados
por 79 universidades criaram protótipos que vão
de um museu virtual, em que o telespectador visita a sala de
exibição como se fosse um videogame, até
programas de votação que tanto poderiam servir
para eliminar um concorrente do Big Brother quanto para aprovar
ou não um referendo como o das armas.
Para
exibir suas invenções ao ministro das Comunicações,
Hélio Costa, os cientistas brasileiros reuniram uma dezena
de protótipos. Mostraram o Jangada, da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp), que transforma a tevê em um computador
para navegar na internet e enviar e-mails sem sair do sofá.
Ou ainda o Viva mais!, um programa de auditório feito
pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para diagnosticar
pessoas com depressão a partir de cinco perguntas sobre
sono, apetite e aptidão física. Todo o contato
com o telespectador é feito através do controle
remoto.
Saúde
– “Há uma infinidade de coisas relacionadas
à saúde que podemos fazer usando a tevê
digital”, diz o neurologista Renato Sabbatini, presidente
do Instituto para a Educação em Medicina e Saúde.
Afinal, nove em cada dez residências espalhadas pelos
5.500 municípios do País têm pelo menos
um televisor. Todos os anos, são fabricados outros dez
milhões de televisores, que duram em média 14
anos.
“Sabemos
fazer bons produtos, falta o governo criar uma política
industrial que incentive o progresso da tevê digital”,
diz Marcelo Zuffo, responsável pelo terminal de acesso,
que possibilita que mesmo os aparelhos antigos entrem no mundo
digital. Marcada para estrear em 7 de setembro, a tevê
digital ainda deve vencer etapas difíceis, como a escolha
do padrão de transmissão de imagens. Hoje há
quatro disponíveis: o brasileiro, o japonês, o
americano e o europeu. Em comum, eles têm a capacidade
de transmitir imagens para tevês de alta definição
e celulares. Além de abrir as portas para um mundo onde
a imaginação é o limite.
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