| Informação:
Agência
Repórter Social - 18/12/2005
Seguindo
a trilha aberta pelo processo contra a RedeTv!, que resultou
na retirada do seu sinal do ar por 24 horas, o Ministério
Público Federal do Distrito Federal deve entrar ainda
no primeiro semestre de 2006 com ação semelhante
contra a Rede Globo. A procuradora federal Lívia Tinoco
trabalha sobre denúncias do movimento GLBTT (Gays, Lésbicas,
Bissexuais, Travestis e Transexuais) sobre conteúdo homofóbico
no programas “Zorra Total”. O MP aguarda apenas
as indicações do movimento para decidir a estratégia
processual. Em reunião realizada na semana que passou,
ficou marcado para fevereiro um encontro para trabalhar esta
questão.
A
ação contra a Rede Globo foi apontada como certa
pela procuradora depois de a emissora ter respondido que não
reconhece “qualquer tipo de violações às
leis” no “Zorra Total” após a primeira
representação apresentada pelo MP. Na mesma representação,
Lívia Tinoco incluía também a TV Gazeta,
por denúncias contra o programa do Sérgio Mallandro.
A rede paulista, no entanto, teve reação diversa
da Vênus Platinada. “Eles reconheceram os erros
no conteúdo e se dispuseram a dialogar com o movimento”,
conta Lívia. Assim, podem escapar de um processo após
um ajustamento de conduta.
Na
última reunião com o movimento GLBTT, não
ficou decidido se a Gazeta será poupada. Antes do encontro,
no entanto, a procuradora afirmava que “enquanto a gente
puder resolver extra-judicialmente, vamos tentar”. “Já
com a Rede Globo se viu que não tem condição.
Certamente vamos entrar com uma ação”, disse
Lívia à reportagem da Agência Repórter
Social.
O
gabinete da procuradora tem buscado dar cada passo do processo
com o apoio irrestrito dos movimentos sociais que deram início
à investigação. Dessa forma, esperam garantir
total legitimidade para uma briga que aparentemente será
bem maior do que a enfrentada pelo procurador paulista Sérgio
Suiama contra a RedeTV!.
Primeiro,
pela força política e econômica da Rede
Globo. Na ação contra a RedeTV!, Suiama –
e também os movimentos que apoiaram a iniciativa do procurador
– foi beneficiado, de certa forma, pelo despreparo da
empresa e seu departamento jurídico para lidar com a
situação. Ao superestimar o poder da mídia
e considerar que o descumprimento da ação, que
pedia a retirada do ar do programa de João Kleber “Tardes
Quentes”, não geraria retaliações,
a emissora paulista sofreu um revés histórico.
Além da retirada do sinal, está cumprindo um acordo
muito próximo do que já pedia o MP na ação
inicial. O programa de Kleber está sendo substituído
até 10 de janeiro por um programa produzido pelos movimentos
sociais sobre direitos humanos. Além disso, teve de pagar
R$ 200 mil reais aos movimentos para custear a produção.
(Leia também "Direitos de Resposta" responde
à altura dilema da "produção alternativa"
)
O
segundo ponto a complicar a situação de um futuro
processo contra a Globo é a disputa ideológica
que a rede vem se dispondo a travar para provar que é,
além de um “patrimônio” brasileiro,
uma promotora dos direitos humanos. Foi este o teor da resposta
da emissora ao MP do Distrito Federal. Nela, lembrou a recente
abordagem do tema do homossexualismo em sua novela “América”
e o prêmio recebido da Secretaria Especial de Direitos
Humanos do Governo Federal por sua campanha pró-pessoas
portadoras de deficiência. Além de uma disputa
judicial, a ação contra a maior empresa de comunicação
do país pode se tornar também uma disputa por
corações e mentes.
Alceu
Luís Castilho e Cristina Charão
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