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Informação:
Folha de São
Paulo - Dinheiro - 13/12/2005
LUÍS
NASSIF
São
três os padrões de TV digital analisados pelo governo
brasileiro: o europeu, o japonês e o norte-americano.
Correndo por fora, há um padrão desenvolvido em
cima do sistema japonês por um consórcio de instituições
de pesquisa brasileiras.
Já
abordei o europeu e o brasileiro. Vamos ao ATSC, o padrão
norte-americano. Na verdade, o dono da patente é a LG,
empresa coreana que adquiriu a Zenith. Os defensores do padrão
apresentam como sua maior qualidade a capacidade de transmissão,
de 19,4 megabits por segundo. O padrão europeu seria
bem menos, e o japonês, um pouco menos.
Tem
uma fragilidade, que é a falta de mobilidade, porque
não era a opção de negócios da TV
americana. Como há esse requisito para o Brasil, os norte-americanos
se dispõem a desenvolver o chip da mobilidade até
julho de 2006.
O
ponto central que diferencia os sistemas é a modulação
do sinal. Os demais pontos são comuns a todos os sistemas
-como o padrão de imagem MPEG. Os norte-americanos se
dispõem a negociar sobre os royalties da modulação
-que são de US$ 2 por aparelho.
Como
é impossível a redução dos royalties
para um país especifico, de acordo com as regras da OMC
(Organização Mundial do Comércio), os norte-americanos
se dispõem a transferir metade dos royalties para um
fundo de desenvolvimento da TV digital no Brasil.
Acenam
também com o ganho de escala, pelo fato de o aparelho
ser o padrão dos Estados Unidos, mercado de 34 milhões
de aparelhos por ano. Pelos seus cálculos, o Brasil poderá
fabricar 5 milhões de aparelhos por ano. Os mercados
para esses receptores, além do Brasil e dos Estados Unidos,
seriam o Canadá, o México e a Coréia do
Sul.
Segundo
os técnicos, o sistema ATSC permite alterações
na transmissão sem ter de jogar fora os aparelhos em
uso. Mas isso para os aparelhos digitais. Por enquanto, todo
transmissor analógico fabricado nos Estados Unidos tem
obrigação de ter um sintonizador digital.
Quando
acabar o prazo para os analógicos, só ficarão
os transmissores digitais. O Brasil tem uma larga herança
de analógico e um baixo poder de renda. No caso americano,
o custo do adaptador digital sairia por US$ 50, mas dependendo
do volume.
Em
relação ao mercado externo, dos 34 milhões
de aparelhos comprados anualmente, 30 milhões são
importados da Coréia, México e Japão. Hoje,
o grande beneficiário é o México. O Brasil
poderia se beneficiar.
O
consórcio oferece também US$ 150 milhões
de financiamento da Opic (Overseas Private Investment Corporation)
-instituição ligada ao governo norte-americano-
para desenvolvimento de pesquisas de software no Brasil.
De
qualquer modo, é importante salientar os seguintes aspectos:
1)
Os aspectos propriamente tecnológicos não são
o mais relevante. Nenhum é fundamentalmente melhor do
que outro.
2)
Abrir mercado para exportações brasileiras é
relevante.
3)
Permitir que a tecnologia brasileira possa ser desenvolvida
e agregada a um dos padrões existentes é importante.
4)
Na definição do padrão estará em
jogo a possibilidade de se alargar ou não o espectro
de distribuição de conteúdo para TV.
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