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Informação:
Observatório
da Imprensa - 13/12/2005
Leneide
Duarte-Plon, de Paris
O
argentino Guillermo Spivak resolveu enfrentar um desafio e tanto:
a concorrência do audiovisual americano e europeu na Europa.
Para isso, criou uma rede exclusiva de conteúdo latino-americano,
La Latina TV, em maio deste ano, para um público de latinos
e europeus interessados na diversidade cultural. O Brasil tem,
em princípio, uma nova porta para seus produtos audiovisuais
mas, por enquanto, os brasileiros ainda estão de fora
da programação e dos investimentos do novo canal,
como conta Spivak ao Observatório da Imprensa.
"A
programação tem por objetivo dar um canal na Europa
aos latino-americanos, mas também pretende conquistar
um público europeu ávido por conhecer a cultura
latino-americana para além dos clichês. Por isso,
o canal é legendado ou dublado em francês e a curto
prazo será também em alemão e em inglês",
diz Spivak.
Na
entrevista que se segue, ele conta como nasceu o canal que pode
ser visto em toda a Europa. E se diz otimista pois a Latina
TV deve alcançar o ponto de equilíbrio orçamentário
antes dos três anos que fixara como horizonte.
***
Por
que e como foi criada a Latina TV?
Guillermo
Spivak – Minha principal atividade nos últimos
quinze anos foi produzir, realizar e distribuir programas no
mundo inteiro. Graças a essa experiência, constatei
que os programas relacionados com a América Latina não
encontravam, apesar da grande qualidade, um bom espaço
nos canais europeus. As percentagens obrigatórias de
programas europeus que os canais locais devem difundir, a força
de penetração do audiovisual americano e a falta
de estrutura de marketing dos produtores latino-americanos fazem
com que os programas da América Latina não tenham
espaço no panorama audiovisual europeu. Daí a
idéia de que um canal específico poderia não
somente interessar ao público europeu, que sempre teve
grande afinidade com a América Latina, mas também
criar uma janela para valorizar os conteúdos latinos.
Tendo conseguido o apoio dos principais produtores, canais e
distribuidores latino-americanos, montamos um modelo econômico
que surge como um dos mais rentáveis dos últimos
tempos e com um potencial de desenvolvimento importante.
Graças
à Astra e à Globecast, que asseguram a difusão
do nosso sinal, a Remics & Cia, nossa primeira agência
publicitária, a companhia Thema, que nos distribui nos
operadores a cabo por toda a Europa e a uma equipe com grande
experiência tanto no mercado europeu quanto americano,
lançamos a La Latina TV em maio de 2005.
A
Latina TV tem como objetivo difundir a cultura latino-americana.
Qual a programação da rede?
G.S.
– A Latina TV é um canal de conteúdo
geral que divulga o melhor dos programas latino-americanos.
Telenovelas, séries, cinema, esportes, música,
talk-shows, atualidade, documentarios, estilo de vida etc. Sua
linha editorial consiste em ser pluralista, positiva e sexy.
A programação tem por objetivo dar um canal na
Europa aos latino-americanos, mas também pretende conquistar
um público europeu ávido por conhecer a cultura
latino-americana para além dos clichês. Por isso,
o canal é legendado ou dublado em francês e a curto
prazo sera também em alemão e em inglês.
O
canal tem apoio ou subvenção dos países
latino-americanos?
G.S.
– Não temos subvenção. Apesar
do interesse manifesto que tem um canal como o nosso para o
desenvolvimento do mercado audiovisual latino-americano e de
podermos dar uma imagem positiva deste continente, com suas
óbvias repercussões no turismo e no comércio
externo, os países latino-americanos se limitaram a nos
felicitar.
A
TV Latina já conhece seu público? Qual é
ele?
G.S.
– Somente em janeiro de 2006 teremos as primeiras
medidas de audiência. Todos os indicadores mostram que
temos um grande público que já nos acompanha.
O público nos procurou para assinatura desde o primeiro
dia e temos uma progressão importante. As conexões
ao nosso site continuam a aumentar. Os espectadores nos escrevem
para nos felicitar e pedir novos programas.
Qual
o papel do Brasil na Latina TV?
G.S.
– A Latina TV lançou sua primeira produção
com um programa especial sobre o ano do Brasil na França.
Mas os patrocinadores privados ou institucionais não
acharam que essa promoção merecia apoio, e decidimos
deixar de lado o programa e conteúdos brasileiros, como
fazemos com outros países.
La
Latina TV atinge quantos países?
G.S.
– Ela é difundida em toda a Europa graças
ao satélite Astra e em cada país, graças
a plataformas locais. Como a cada dia surge um novo operador
que se junta à Latina TV, convidamos os seus leitores
a consultar nosso site para saber como receber o canal.
O
senhor pensa que canais cada vez mais especializados como a
Latina TV encontrarão seu público no panorama
audiovisual europeu?
G.S.
– No que concerne a Latina TV, não há dúvidas.
Ela é diferente de outros canais especializados. Por
um lado, é mais que um canal temático : apresenta-se
como um canal de conteúdo geral com a originalidade de
ser latino. A qualidade dos programas e sua temática
já seduziram os europeus, cada vez mais numerosos a assinarem
o canal.
Qual
o modelo econômico do canal?
G.S.
– A Latina TV foi criada com recursos privados para garantir
sua independência editorial. A publicidade, as remunerações
das plataformas de difusão e os produtos derivados (áudio,
telecompras, produções etc) são as três
colunas de sua rentabilidade. Em princípio, havíamos
previsto um equilíbrio financeiro em três anos,
porém os primeiros resultados, depois de apenas alguns
meses, mostraram que o equilíbrio chegará muito
antes. Para consolidar e acelerar seu desenvolvimento, a Latina
TV decidiu abrir seu capital para novos investidores.
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