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Informação:
Observatório
da Imprensa - 13/12/2005
Alberto
Dines
Além
de autoritários, incompetentes. Tanto o juiz que impôs
a censura prévia à Folha de S.Paulo e à
Folha Online como os magistrados que autorizaram a polícia
capixaba a fazer um grampo nos telefones da Rede Gazeta (ES)
cometeram erros primários.
O
titular da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo,
Silvio Luís Ferreira da Rocha, pretendeu impedir a publicação
de qualquer notícia sobre o caso de espionagem praticado
pela Kroll, mas acabou chamando a atenção para
aquilo que pretendia manter em sigilo. Quem havia esquecido
do caso foi lembrado pelos jornais que registraram fartamente
o ato censório. Internautas mais expeditos foram às
bases de dados e levantaram tudo o que havia a respeito da arapongagem
da Kroll.
O
grampo na Rede Gazeta foi patético: o desembargador que
autorizou a espionagem acabou admitindo que foi induzido a erro
pois "pensou tratar-se do número telefônico
de uma empresa de fachada, de nome Telhauto" (Folha, 11/12,
pág. A 23). [Ver "Grampos
telefônicos na Rede Gazeta", neste OI]
Mancada
igual do judiciário nunca aconteceu. Precisa ser punida
com rigor pelo recém-instalado Conselho Nacional de Justiça
(CNJ). Os delegados de polícia que solicitaram a escuta
foram ineptos, o juiz que encaminhou o pedido e o desembargador
que o autorizou estavam despreparados. E isso não pode
ficar assim. A imprensa não pode resignar-se com esta
dupla combinação de prepotência com incompetência
[ver matéria "Ligações
perigosas", de ClaudioTognolli, no site Consultor
Jurídico].
Atacada
pelo governo e pelo partido do governo por denunciar infrações
que eles próprios admitiram e vilipendiada por um bando
de gozadores irresponsáveis, a imprensa brasileira precisa
reagir com mais altivez.
Não
são as empresas jornalísticas que estão
sendo desacreditadas, é um pedaço vital da democracia
brasileira que está sendo perigosamente corroído.
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