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Informação:
Folha de São
Paulo - Dinheiro - 13/12/2005
LUÍS
NASSIF
Dentro
do propósito de tentar entender os argumentos de todas
as partes envolvidas na discussão sobre o padrão
brasileiro de TV digital, vamos à corrente liderada pela
Coalizão DVB Brasil (Sistema Brasileiro Padrão
Mundial). Trata-se um consórcio mundial integrado por
260 organizações de telefonia, de radiodifusão
e de fabricantes, entre os quais empresas como ST Micro Electronics,
Siemens, Phillips, Nokia, Tales (empresa francesa da área
de defesa), Rhodes & Schwartz e Samsung.
É
um consórcio aberto, com um conjunto de desenvolvedores
articulando-se nos moldes do sistema Linux, com as implementações
sendo aprovadas por uma autoridade certificadora -o ETSI. A
diferença é que as inovações aprovadas
são incorporadas ao sistema e rendem royalties ao desenvolvedor,
já que o pacote é negociado em conjunto.
Desenvolver
um padrão mundial é tarefa difícil, porque
há muita gente na mesa fechando soluções
de compromisso. Nem sempre é ótimo do ponto de
vista técnico, mas consegue ser superior do ponto de
vista econômico, por ser necessariamente mais flexível,
para comportar as realidades distintas de todos os países-membros,
além de permitir a universalização.
Na
época da disputa da telefonia, o CDMA (sistema proprietário
da empresa Qualcomm) era apresentado como tecnologicamente superior.
O modelo de negócios da GSM era superior -um consórcio
global, dos moldes do DVB. Tinha abrangência maior, ganhou
a guerra internamente e permitiu ao Brasil se tornar grande
exportador de aparelhos celulares.
Hoje
em dia, há três padrões básicos de
transmissão de TV digital: o europeu (do DVB), o japonês
(da mesma família, com implementações próprias)
e o norte-americano (na verdade, da sul-coreana Samsung). E
um conjunto de softwares proprietários utilizados por
todos.
Segundo
o consórcio DVB, o modelo americano ATSC e o japonês
são restritos, criados para proteger o mercado interno
da competição global. Seu foco é uma população
de alta renda per capita. Sendo, ambos os países, os
únicos mercados de seus respectivos padrões de
TV digital, dificilmente o Brasil conseguiria exportar produtos
baseados neles.
Além
disso, o DVB é o modelo que melhor trabalha o conceito
de convergência digital. Há um padrão DVB
para satélites, para TV a cabo e para antenas terrestres.
Essa lógica, além de garantir a convergência,
permite ganhar escala e baratear os insumos.
As
resistências contra o modelo DVB vêm das empresas
de radiodifusão, já que é o padrão
que mais facilita a entrada das empresas de telefonia no campo
da transmissão de imagem.
A
proposta da Coalizão Brasil DVB é que os institutos
brasileiros reunidos no Sistema Brasileiro de TV Digital tragam
suas implementações para dentro do consórcio
DVB. O televisor brasileiro seria universal, permitindo exportar.
E cada implementação desenvolvida pelo consórcio
brasileiro -na forma de aplicativos ou de tecnologia-, se aprovada,
seria imediatamente disponibilizada para um mercado global.
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