| Informação:
AESP - Associação
de Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de
São Paulo - 11/12/2005
O
Estado de S.Paulo Economia - TV Digital
esiqueira@telequest.com.br
Prepare
o seu coração, leitor, pois a TV digital está
chegando. Embora ela ainda vá levar mais de 10 anos para
se consolidar, como ocorre até nos países desenvolvidos,
sua decolagem para o grande público começa no
primeiro semestre de 2006, com a produção pela
indústria brasileira de mais de 20 mil caixas de conversão
(set top boxes). Centenas delas serão espalhadas pela
Grande São Paulo, conectadas a televisores de várias
dimensões em pontos de grande visibilidade, como shopping
centers, lojas, hotéis e residências, para demonstrar
os recursos da TV digital com os primeiros programas transmitidos
no Brasil. Em junho, milhares de paulistas poderão receber
as imagens de alta definição dos jogos da Copa.
É claro que nos televisores de maiores dimensões
e de plasma, as imagens de alta definição poderão
ser vistas em toda a sua beleza.
No
dia 7 de Setembro, as seis maiores redes de TV brasileiras deverão
iniciar as transmissões regulares de programas. E existem
muitas razões para que o Sistema Brasileiro de TV Digital
(SBTVD) seja um sucesso. Aqui e no mundo.
VER
PARA CRER
Sei que ainda há muita desconfiança. O leitor,
como eu, talvez seja cético, em princípio, em
relação aos avanços brasileiros em eletrônica,
por conta de problemas do passado, como o padrão de TV
em cores PAL-M ou da reserva de mercado de informática.
O maior temor para mim seria um sistema incompatível
com o mundo. Mas, segundo o professor Marcelo Zuffo, da Politécnica,
"o sistema brasileiro elimina esse risco de incompatibilidade
com os três principais sistemas".
Quanto
à confiança, confesso que, depois de acompanhar
de perto o trabalho de quase uma centena de pesquisadores, me
convenci de que - apesar de todas as dificuldades - esses cientistas
são competentes, criativos e bem preparados. Muitos têm
mestrado e doutorado e mais de 10 anos de experiência
no Brasil e no Exterior.
Na
sexta-feira, o Brasil viveu um desses momentos históricos
na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
(USP). Com a presença do ministro das Comunicações,
Hélio Costa, e de mais 200 pessoas, representantes da
universidade, da indústria e das emissoras, os consórcios
de pesquisa demonstraram durante quatro horas o resultado de
seu trabalho no desenvolvimento do sistema brasileiro, suas
principais características da transmissão, modulação,
recepção, interatividade, canais de retorno, middleware,
controle remoto e caixa de conversão.
Em
seu discurso, Hélio Costa prometeu dar todo apoio ao
trabalho dos pesquisadores, com recursos do Fundo de Desenvolvimento
Tecnológico das Telecomunicações (Funttel)
e outros. E previu a possibilidade de obter mais R$ 100 milhões
em 2006, para a segunda fase dos trabalhos. Esperemos que tudo
isso se confirme no ano que vem.
O
MELHOR DE TRÊS MUNDOS
O Brasil adotou o caminho mais inteligente e criativo, ao fugir
da tentação de reinventar a roda e preferiu recorrer
ao melhor de três mundos, ou seja, os melhores padrões
e ferramentas de software disponíveis, usados nos sistemas
americano, europeu e japonês. Essa é a vantagem
de chegar por último ao mercado.
A
estratégia brasileira consiste, acima de tudo, em escolher
e adaptar os padrões abertos ou proprietários
mais avançados do mercado internacional, associando-os
às ferramentas de desenvolvimento mais modernas disponíveis
no País e no mundo. Por isso, o sistema criado vai incorporando
todas as vantagens dos demais e superando suas eventuais limitações.
Para a modulação do sinal, foi escolhido o padrão
de modulação OFDM (do inglês Orthogonal
Frequency Division Muliplexing), que garante maior robustez,
estabilidade ao sinal e a mobilidade. Para compressão
digital, o Brasil usará o MPEG-4. O middleware, caixa
de conversão (set top box) e o controle remoto terão
os recursos exigidos pelos conteúdos brasileiros e pelos
futuros programas de inclusão digital.
Entre
outras vantagens, o sistema brasileiro permitirá que
uma emissora possa transmitir até quatro programas simultâneos
de diferentes graus de definição num único
canal de freqüência de 6 megahertz (MHz): 1) low
definition (LD); 2) standard definition (SD); 3) enhanced definition
(ED), como a dos DVDs; 4) e high definition (HD), ou alta definição.
É
claro que o sistema brasileiro não é uma mera
junção de padrões e mundiais. Todos os
seus avanços exigiram e ainda vão exigir o desenvolvimento
e a criação de centenas de softwares e hardwares
adequados à realidade brasileira.
UMA
REVOLUÇÃO
A TV digital pode oferecer imagem superior, som de CD, maior
estabilidade, mobilidade e, acima de tudo, interatividade. Num
país como o Brasil, em que a televisão aberta
está presente em mais de 95% dos domicílios e
que tem mais redes geradoras e retransmissoras do que os Estados
Unidos, a digitalização terá um papel revolucionário
de inclusão digital e social.
Quais
são as próximas etapas? Se escolhido como padrão
brasileiro, o SBTVD será transferido à indústria
para a produção de componentes, partes e projetos
de equipamentos. Em paralelo, o Brasil passará a debater
com emissoras e empresas de telecomunicações as
linhas gerais do modelo de negócio para a TV digital.
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