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Sem fio
Internet até na água -
A banda larga wireless, acessível em cidades inteiras, começa a chegar ao Brasil graças a uma nova tecnologia chamada WiMax.


 

Informação: Veja on-line - Edição Especial - Natal Digital - Novembro de 2005

Bia Baldim

Acessar a internet de banda larga sem fio já é possível em diversos pontos de grandes cidades do país, graças aos hot spots, transmissores instalados em lugares públicos, como hotéis e restaurantes. Fora desses locais, porém, o dono de um notebook ainda é obrigado a se conectar a um cabo ou à linha telefônica para navegar. Pelo mesmo motivo – a necessidade de uma estrutura física de transmissão de dados –, a internet de banda larga é um privilégio de cerca de 5% dos domicílios brasileiros. A principal alternativa sem fio disponível atualmente, a internet via satélite, é cara.

Esse quadro deve mudar a partir de 2006 com o surgimento de serviços de banda larga sem fio de longo alcance, primeiro nas cidades grandes e depois, provavelmente, no interior. Isso só se tornou possível graças à evolução de uma nova tecnologia, batizada WiMax, que permite transmitir grandes quantidades de dados em alta velocidade e a longas distâncias – até 50 quilômetros (em condições ideais), contra uma centena de metros do wi-fi usado nos atuais hot spots (veja quadro na pág. 34). É fácil perceber o potencial dessa nova tecnologia em países como Brasil, Índia e Rússia, onde é economicamente inviável levar cabos e fios de banda larga aos quatro cantos do território.

Há projetos experimentais de implantação do WiMax em cidades como Campinas, Belo Horizonte, São Paulo e Ouro Preto – esta última foi escolhida para os testes porque a passagem de fios e cabos causaria danos ao patrimônio histórico. Esses pilotos envolvem empresas privadas e, em alguns casos, apoio público. Uma dessas empresas é a Editora Abril, que publica VEJA. Prevê-se que em 2006 o serviço esteja disponível em São Paulo e, em 2007, no Rio de Janeiro. A Abril acertou parcerias com a Intel e com a Samsung, para que notebooks e computadores de mão já saiam de fábrica compatíveis com o WiMax. A partir de 2007, todo laptop com plataforma Intel terá acesso WiMax e wi-fi. Se tudo correr como previsto, dentro de alguns anos o internauta que vive em uma grande cidade brasileira poderá escolher entre três ou quatro serviços do gênero, pagando uma assinatura mensal para acessar a internet de banda larga onde quer que esteja.

Nos últimos anos, outras tecnologias foram testadas no Brasil e no exterior. O WiMax foi escolhido porque é fruto de um acordo de mais de 300 empresas, entre elas gigantes como Intel, Nokia, Samsung e Siemens, para chegar a um padrão eficiente e economicamente viável. "A padronização do WiMax vai permitir que muitas empresas fabriquem e trabalhem com essa tecnologia, barateando os custos", afirma Ronaldo Miranda, diretor de marketing e vendas da Intel para a América Latina.

No Brasil, a regulamentação do setor está a cargo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Como o espectro de ondas eletromagnéticas é limitado, será preciso ter concessão do governo para operar o serviço wireless, assim como acontece na televisão e no rádio. Algumas empresas que detêm concessões – caso da Editora Abril – já preparam o serviço de banda larga sem fio. Em outros casos, haverá leilões para escolher as empresas que vão operar as freqüências.

A princípio, todos os serviços serão pagos, mas é provável que o governo negocie com as empresas projetos de acesso de banda larga sem fio para comunidades carentes. Segundo José Luiz Frauendorf, diretor-geral da NeoTec, uma associação que reúne operadoras de certas freqüências, especula-se um custo de 50 reais mensais por usuário, que pode aumentar dependendo da velocidade e dos serviços que esse consumidor desejar.

Nem tudo é perfeito no WiMax, que não tornará obsoleto o acesso à banda larga por cabo ou fio telefônico. Assim como o rádio e o celular, o WiMax tem limitações físicas por depender de radiofreqüência. Isso quer dizer que muitos usuários conectados ao mesmo tempo poderão tornar a navegação mais lenta. A solução é aumentar o número de transmissores. A qualidade do serviço dependerá da elasticidade da oferta. A nova tecnologia também abre outras possibilidades além do simples acesso à internet. Pode ajudar na segurança das grandes metrópoles, ao permitir que se instalem câmeras de vídeo wireless. Também podem ser imaginados serviços como ver TV pelo celular e usar o notebook como telefone móvel.

Pioneirismo coreano

Na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos, muitas cidades já dispõem de conexão sem fio em grandes áreas. Mas em nenhuma é possível conectar-se à internet de qualquer ponto da cidade, como parques, ônibus e metrôs: é preciso estar perto de um hot spot, a antena que permite o acesso wireless. A Coréia do Sul deve ter em breve o WiMax móvel na maior parte do território. País com a maior proporção de pessoas conectadas por banda larga no mundo, será pioneiro no projeto de internet de alta velocidade sem fio. Neste mês, a segunda maior cidade do país, Busan, entrará em testes para provar que a tecnologia é viável. Os coreanos poderão acessar a rede de seus notebooks em qualquer ponto da cidade e, no futuro, em qualquer lugar do país. Nos Estados Unidos, a cidade de São Francisco, na Califórnia, é a mais desenvolvida, com 450 hot spots. Projetos mais audaciosos, como o da prefeitura da Filadélfia, que pretendia proporcionar acesso de banda larga de qualquer ponto da cidade, causaram protestos. As operadoras de telefonia e de TV a cabo, que vendem esse tipo de serviço, não aceitaram a competição. Protestaram e conseguiram a aplicação de uma lei estadual que determina que elas sejam as responsáveis pela construção e operação da tal rede municipal.