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Informação:
Folha de São
Paulo - Dinheiro - 08/12/2005
LUÍS
NASSIF
Algumas
dúvidas cercam o padrão brasileiro de TV digital.
Em 2003, o então ministro das Comunicações,
Miro Teixeira, liberou R$ 80 milhões para que fosse constituída
uma rede de pesquisadores, coordenada pelo CPQD (o antigo centro
de pesquisa da Telebrás), visando desenvolver um padrão
brasileiro de TV digital.
Hoje
em dia, há três padrões consolidados no
mundo: o europeu, o americano e o japonês. Em um dos pontos
centrais, o da modulação, a tendência mundial
é caminhar para o sistema OSDM, desenvolvido nos anos
60, mas que recuperou importância com o advento da mobilidade,
dos padrões Wi-Fi e outros. Os europeus adaptaram esse
padrão em 1995, os japoneses aprimoraram em 1998. O consórcio
brasileiro pretende trabalhar em cima do japonês, trazendo
alguns aprimoramentos. Os técnicos consideram que é
o sistema que melhor casa robustez com amplitude.
Pretende-se
também utilizar o padrão MPEG 4 de imagem. Com
a digitalização, será possível colocar
um transmissor em cada canal, duplicando a capacidade atual
-os canais ficam apenas nos números ímpares para
não poluir o vizinho. Além disso, o sistema permitirá
a transmissão simultânea de até quatro programações,
ampliando enormemente a oferta de distribuição.
São
questões técnicas, que demandam ainda uma boa
discussão.
A
questão central é mais política do que
técnica. Pelos cálculos dos coordenadores do projeto,
o mercado estará extremamente aquecido nos próximos
quatro anos. Será possível vender 40 milhões
de aparelhos digitais. Com a importação de tecnologia,
custariam royalties na casa de US$ 400 milhões. Com o
sistema adaptado em padrões abertos, o pagamento cairia
para um terço.
Segundo
esses técnicos, há um receio concreto e um falso
em relação ao modelo. O concreto é que,
assim que implantar uma modulação baseada no modelo
do Japão, por conta de seus laços com o país,
a Rede Globo (que foi sócia da japonesa NEC no Brasil)
possa obter financiamento em condições vantajosas
em relação à concorrência e dominar
o mercado de transmissores. São 21 mil espalhados pelo
país e que podem ser instantaneamente ocupados com equipamento
importado.
A
falsa questão, na opinião desses pesquisadores,
é a leitura de que o sistema japonês expulsaria
as empresas de telecomunicações do mercado de
distribuição de conteúdo. Em 2005, pela
primeira vez em dez anos, o mercado de telefonia fixa mundial
estagnou, o que acirrará ainda mais a competição.
Só que a concorrência das telecomunicações,
na opinião desses técnicos, é com a TV
por assinatura.
De
qualquer modo, a decisão tem que vir no bojo de uma política
industrial. A TV digital exige um vídeo de plasma. E
não existe nenhum fabricante de plasma em toda a América
Latina.
Amanhã,
o modelo brasileiro de TV Digital será apresentado na
USP, com a presença do ministro das Comunicações,
Hélio Costa.
Nas
próximas colunas, trarei mais visões sobre a questão.
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