|
Informação:
Observatório
da Imprensa - 06/12/2005
Francisco
Djacyr Silva de Souza (*)
Não queremos nesta reflexão defender a censura
nem estimular o cerceamento da liberdade dos locutores, mas
acreditamos que seja necessário e urgente uma atenção
maior no que se passa pelas programações radiofônicas
que enchem nossos lares de pornofonias e observações
infelizes por parte de locutores que muitas vezes destilam idéias
discriminatórias e ideologias que servem a interesses
econômicos. Essa realidade não contribui para o
desenvolvimento de uma comunicação que atenda
os interesses da maioria do povo, que está ávido
de informações, de contribuições
cidadãs e de um rádio que exerça um papel
firme na defesa dos direitos.
O
poder público precisa fazer acompanhamento mais abalizado
de certas programações de rádio. Nota-se
uma proliferação de idéias que não
têm nada a ver com a nossa sociedade democrática.
É preciso que os radialistas passem urgentemente por
uma reciclagem, pois o rádio é um meio de comunicação
que está em todos os lugares – e aquilo que é
emitido pelas ondas radiofônicas deve ser baseado no valor
e no respeito aos que recebem a informação. O
rádio não deve ser usado para satisfazer interesses
políticos ou econômicos. Seu papel vai mais além:
a missão dos que trabalham nesse meio de comunicação
é atuar a serviço dos interesses da sociedade.
Em
alguns casos o rádio é usado para macular a imagem
de pessoas que não têm direito de defesa, pois
a maioria dos programadores não dá este direito
e deixam aqueles que são agredidos sem oportunidade de
se defender. Os interesses econômicos e políticos
fazem do rádio um instrumento de discriminação,
segregação e negação da democracia.
O rádio sempre esteve na vanguarda da sociedade e não
podemos deixar que ele seja instrumento de um processo de fortalecimento
da ânsia de lucro.
É
preciso urgentemente uma maior participação da
sociedade no controle desse meio de comunicação
– não um controle antidemocrático, mas controle
social . Os supostos proprietários de rádio (bem
público) precisam criar mecanismos de participação
da sociedade na programação; estimular ouvidorias
para saber da opinião dos ouvintes sobre o que se emite,
sobre o que se diz, sobre as idéias difundidas.
As
programações devem cumprir um papel cidadão,
estimulando ações de solidariedade, de respeito
às leis e ao ambiente, de dignidade e luta contra a discriminação.
O rádio dever ser cúmplice das lutas populares.
Os detentores das concessões de rádio devem desenvolver
programações interativas com participação
popular. Rádio é de interesse público e
o povo não quer baixaria em suas casas: quer conhecer
a vida , saber dos seus direitos e contribuir com um mundo melhor
e mais justo.
O
rádio deve ser um instrumento a mais a serviço
da melhoria do nível de vida do povo, pois a comunicação
é um processo de trocas e, a comunicação,
uma arma forte para a melhoria do nível de vida do nosso
povo.
(*)
Presidente da Associação de Ouvintes de Rádio
do Ceará
|