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Informação:
Observatório
da Imprensa - 06/12/2005
Ao
defender a agilidade no processo de concessões de rádios
comunitárias, o assessor da Casa Civil para Políticas
Públicas de Comunicação, André Barbosa,
afirmou ontem, em audiência pública na Câmara
dos Deputados, que o governo federal não tem a intenção
de fechar as portas para os veículos populares. Promovida
pela Comissão de Legislação Participativa
e Direitos Humanos e Minorias, a reunião contou com a
presença de membros da sociedade civil que cobraram o
fim da repressão contra as rádios comunitárias.
Coordenador da Associação Brasileira de Rádios
Comunitárias (Abraço), Clementino Lopes queixou-se
do tratamento dado pelo governo às emissoras populares
e destacou o privilégio concedido pelo ministro das Comunicações,
Hélio Costa, aos grandes veículos de comunicação.
Críticas
a órgãos do governo como a Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel) e a Polícia
Federal (PF) também foram ouvidas. O integrante da Comissão
de Liberdade de Expressão do Sindicato dos Jornalistas
do Distrito Federal, Dioclécio Luz, mostrou que mais
de sete mil rádios foram fechadas, em apenas dois anos,
pela Anatel e pela PF. Só neste ano, a média ficou
em 200 rádios por mês, o que totalizou um bloqueio
de 1.199 emissoras em 2005. O infarto que matou Maria da Conceição
– responsável pela Rádio Tupi em Teresina
(PI) –, no mês de setembro, foi citado como conseqüência
da ação truculenta da agência e dos policiais
federais. Mesmo concordando com as atitudes injustificadas dos
órgãos fiscalizadores, a coordenadora dos Serviços
de Radiodifusão Comunitária do Ministério
das Comunicações, Alexandra Costa, lembrou que
a utilização de serviços públicos
sem autorização continua sendo considerado crime.
Costa ainda anunciou que 2.413 rádios comunitárias
possuem licença para operar no País desde 1998.
Porém, 4.202 pedidos foram negados no mesmo período.
Para
Clementino Lopes, a necessidade de reabertura desses processos
arquivados é fundamental. Como encaminhamento das discussões,
André Barbosa se encarregou de discutir com a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, a possibilidade de se realizar
uma conferência nacional sobre radiodifusão comunitária
– reivindicação solicitada há meses
pelo movimento dos radiodifusores populares. A data do evento
está prevista para maio de 2006.
Participaram
da audiência pública, o FNDC, a Associação
Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço),
a Articulação Cris-Brasil, entre outros. O ministro
das Comunicações e a ministra-chefe da Casa Civil
Dilma Rousseff foram convidados mas não compareceram.
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