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Informação:
Coletiva.net
- 06/12/2005
Ele
é pai de família, trabalhador, protetor, conservador,
sem curso superior, que assiste à TV depois da jornada
de trabalho. No fim do dia, cansado, quer se informar sobre
os fatos mais relevantes do dia de maneira clara e objetiva.
Este é o Homer, personagem dos Simpsons, na versão
de William Bonner, ao defender-se da crítica de que teria
usado o personagem como exemplo de preguiçoso e comedor
de biscoitos. A notícia de uma reportagem publicada na
revista Carta Capital mexeu com o editor-chefe do Jornal Nacional,
que redigiu uma nota para explicar a comparação
que fez e que levantou um debate polêmico a partir da
interpretação feita por um professor universitário.
Leia
a posição de Bonner:
‘MEIO
LINEU, MEIO HOMER’
No
dia 23 de novembro, recebemos, no JN, a visita de professores
universitários. Eles assistiram a uma reunião
matinal, em que se esboça uma previsão da edição
daquele dia. E me ouviram fazer algumas considerações
sobre nosso trabalho.
Em
palestras que ministro a estudantes que nos visitam todas as
semanas, faço o mesmo. Nestas ocasiões, sempre
abordo, por exemplo, a necessidade de sermos rigorosamente claros
no que escrevemos para o público. Brasileiros de todos
os níveis sociais, dos mais diferentes graus de escolaridade.
E o didatismo que buscamos para o público de menor escolaridade
não deve aborrecer os que estudaram mais. Neste desafio,
como exemplo do que seria o público médio nessa
gama imensa, às vezes cito o personagem Lineu, de A Grande
Família. Às vezes, Homer, de Os Simpsons. Nos
dois casos, refiro-me a pais de família, trabalhadores,
protetores, conservadores, sem curso superior, que assistem
à TV depois da jornada de trabalho. No fim do dia, cansados,
querem se informar sobre os fatos mais relevantes do dia de
maneira clara e objetiva. Este é o Homer de que falo.
Mas
o Professor Laurindo tem uma visão diferente de Homer.
Em vez do trabalhador (numa usina nuclear), o acadêmico
o vê como um preguiçoso. Em vez do chefe de família,
o Professor Laurindo o vê como um comedor de biscoitos.
Esta imagem não é a que tenho, não é
a disponível, num texto bem-humorado, no site oficial
da série Os Simpsons, que faz graça do personagem,
mas registra que Homer é "um marido devotado e que,
apesar de poucas fraquezas, ama a sua família e é
capaz de tudo para provar isso, mesmo que isso signifique se
fazer passar por tolo".
Não
sei para quantos professores e estudantes citei Homer, ou Lineu,
como exemplo. Mas jamais tive informação de que
alguém guardasse imagem tão preconceituosa, tão
negativa do personagem do desenho. Como profissional, como defensor
da nossa imensa responsabilidade social, sinto-me profundamente
envergonhado de me ver na obrigação de explicar
isso. Como trabalhador, pai de família protetor, meio
Lineu, meio Homer, reconheço humildemente meu fracasso
no desafio de ser claro e objetivo para todos os meus interlocutores
daquela manhã.
William
Bonner
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