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O lobby da TV digital
Definição do sistema esquenta disputa dos consórcios.


 

Informação: ISTOÉ Dinheiro - Publicação em 07/12/2005

Por ADRIANA NICACIO

Desembarca nesta semana em Brasília um grupo de empresários japoneses com uma missão na mala: convencer o Brasil a adotar o padrão de TV digital japonês, o ISDB. Eles não são os únicos. Comissões dos consórcios europeu e americano também têm pedido reuniões e trabalhado pesado na defesa de seus modelos, desde que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou que até fevereiro definirá qual dos três padrões será adotado no País. Em jogo, está um mercado que passará por uma revolução tecnológica e movimentará mais de R$ 20 bilhões só na troca de aparelhos nos próximos dez anos. A disputa envolve grandes investimentos em pesquisa, manufatura e parcerias internacionais. “Vou negociar com os três até arrancar a melhor proposta”, disse à DINHEIRO o ministro Hélio Costa. “O essencial é que as soluções encontradas para o sistema brasileiro possam ser exportadas”.

É uma guerra global, bem como os lobbies – e cada um joga com as armas que tem. Em 2 000, os japoneses ofereceram isenção de royalties como atrativo. Desta vez, além de manter a proposta, estão dispostos a importar software produzido no Brasil. O padrão japonês permite que as empresas de radiodifusão transmitam para a telefonia móvel usando o mesmo modelo de negócio das televisões. Esse é o padrão pelo qual o ministro Costa tem mais simpatia. Os europeus, donos do padrão DVB-T, também têm feito sua parte ao investir em pesquisa e incorporar aplicativos desenvolvidos no Brasil em seu sistema. Esse padrão agrada as empresas de telefonia. Na tentativa de adoçar a proposta, o embaixador da União Européia no Brasil, João Pacheco, acenou com uma oferta de E 5 milhões e possibilidade de empréstimos do Banco Europeu para compra de equipamentos. Primeiro a ser desenvolvido, o padrão americano (ATSC) oferece menos vantagens ao usuário brasileiro, mas maior capacidade de barganha. A TV digital dos EUA foi criada para um mercado que, em 80% dos casos, o sinal é transmitido via cabo. No entanto, no Brasil, onde a maioria dos televisores tem menos de 20 polegadas e a presença do cabo é pequena, o sistema parece ser menos atrativo. Mas os EUA, que implementaram seu padrão no Chile, oferecem US$ 150 milhões para investimentos se o Brasil optar pelo ATSC.

Fabricantes de televisores e equipamentos, como Philips e Samsung, defendem o sistema europeu, mas estão preparados para produzir aparelhos de qualquer sistema. “Mais importante que não pagar por patentes é garantir que a pesquisa e o desenvolvimento sejam feitos no País, para que não fiquemos atrasados e sem condições futuras de exportar”, diz Benjamin Sicsú, vice-presidente de Novos Negócios da Samsung.

Diante da pressão, o governo brasileiro se uniu com a Argentina para buscar um modelo comum. Os argentinos querem fabricar televisores digitais e uma hipótese seria usar o software brasileiro, com possibilidade de venda mundial. Brasil e Argentina têm escala para negociar uma norma comum. A idéia é que o Sistema Brasileiro de TV Digital entre em operação em janeiro de 2007.

O que oferece cada padrão

Japonês:
Vantagens técnicas
– Sinais de radiodifusão são transmitidos para telefonia móvel sem custo para o usuário.
Desvantagens – Menor interatividade.
Oferta – Empresas japonesas abrem mão dos royalities sobre a tecnologia.
Quem faz o lobby – Consórcio japonês e transmissoras de TV.

Europeu:
Vantagens técnicas
– A interatividade é a mais evoluída dos três padrões.
Desvantagens – Exige intermediário na transmissão da radiodifusão para telefonia móvel.
Oferta – Financiamento de € 5 milhões para pesquisa e desenvolvimento de tecnologia e empréstimos do Banco Europeu para as emissoras se reequiparem
Quem faz o lobby – Consórcio europeu e empresas de telefonia.

Americano:
Vantagens técnicas – O padrão americano tem a melhor imagem do mundo em alta definição.
Desvantagens – Oferece pouca interatividade e, até o ano passado, não permitia transmissão para aparelhos móveis.
Oferta – Financiamento de até US$ 150 milhões para pequisa e desenvolvimento e troca de equipamentos
Quem faz o lobby – Governo e empresas americanas.