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Informação:
Observatório
da Imprensa - 29/11/2005
Está
para ser entregue nos próximos dias ao presidente Luís
Inácio Lula da Silva o relatório do Grupo de Trabalho
Interministerial (GTI) que analisou a situação
da radiodifusão comunitária no Brasil e apresentou
sugestões para sua disseminação. Com exclusividade,
o e-Fórum antecipa algumas das conclusões do documento
de 78 páginas produzido depois de 34 reuniões
realizadas em seis etapas, de fevereiro e agosto deste ano,
por oito ministérios e pela Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) e Fundação
CPqD. O grupo também recebeu contribuições
do FNDC e de outras organizações do movimento
social ligado à democratização da comunicação,
bem como das entidades representativas dos radiodifusores comerciais.
Mesmo
não resultando em mudanças imediatas, uma vez
que as principais medidas dependem da aprovação
presidencial e do Congresso Nacional, o trabalho se mostrou
um primeiro esforço de apontar problemas e buscar soluções
para se chegar a um consenso entre as diferentes visões
e interesses que gravitam em torno deste segmento da comunicação
social.
Se
for implementado na íntegra, promete mudar substancialmente
o quadro de abusos e injustiças que colocam as emissoras
comunitárias como o "patinho feio" da radiodifusão.
"As propostas e recomendações a seguir convergem
no sentido da construção de uma nova política
para a radiodifusão comunitária sonora e de sons
e imagens no país. Não se trata apenas de emitir
novas outorgas, mas de reconhecer esta modalidade de comunicação
como estratégica para o Estado e promover políticas
robustas de disseminação da demanda, reconhecendo
o efeito indireto sobre a geração de emprego e
renda, bem como a inclusão do indivíduo na sociedade
da informação", concluiu o relatório.
Entre
as alterações mais importantes, o GTI elaborou
um anteprojeto de lei que permitirá às rádios
comunitárias captar publicidade para sua sustentabilidade,
formar redes de emissoras e ter acesso ao processo de solicitação,
entrega de documentos e autorização de outorgas
de forma mais rápida e transparente. Além disso,
foi redigido outro anteprojeto de lei que anistia os operadores
de radiodifusão comunitária sem autorização
do Poder Público e recomendada a criação
de um fundo para financiamento das rádios e o estímulo
à criação de conselhos municipais de comunicação.
Do
ponto de vista da contribuição teórica,
o grupo elaborou um estudo da legislação comparada
de 12 países que traça uma panorama detalhado
deste meio que ainda é incipiente na maioria dos locais
onde já é previsto legalmente. E produziu um diagnóstico
sobre o andamento dos processos de autorização
de outorgas no âmbito do Poder Executivo [veja tabela
ao final da matéria].
Apesar
dos avanços, o relatório não agradou ao
ministro das Comunicações, Hélio Costa,
que o está retendo desde agosto principalmente por ser
contra a publicidade nas rádios comunitárias,
e nem a alguns líderes do movimento de rádios
comunitárias, que entendem que as propostas do GTI não
deveriam ter sido redigidas sob forma de recomendação.
Desde
1998, quando foi aprovada a lei, esta é a segunda vez
que o Poder Executivo, desenvolve uma análise aprofundada
sobre o segmento. Em 2003, o grupo de trabalho apresentou uma
série de recomendações que não foram
implementadas. Resta saber qual o encaminhamento que o presidente
Lula dará ao trabalho assim que ler o relatório.
Conclusão
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Proposta
ou recomendação
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Legislação
- é necessária uma revisão
da legislação vigente, em especial as
disposições sobre aspectos técnicos
contidos na Lei 9.612/98, que inviabilizam a disseminação
das rádios comunitárias
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Alteração
da legislação
Alteração
da Norma Complementar nº1/2004
Descriminalização
|
Outorgas
- o sistema é moroso (em média 3,6 anos
para todo o processo, sendo 26 meses no Ministério
das Comunicações, 14 meses na Presidência
da República e um período desconhecido
no Congresso Nacional). O sistema atual faz exigências
documentais excessivas e dificulta a avaliação
da natureza comunitária
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Avisos
de habilitação periódicos
Avisos
de habilitação regionalizados
Simplificação
do procedimento na Presidência da República
Zoneamento
de Freqüências
Aumento
da oferta de canais
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Transparência
e relação com a sociedade - dificuldades
no acesso a informações precisas sobre
os serviços, como procedimentos de outorgas,
andamento dos processos, avaliação do
serviço e denúncias. A sociedade está
alijada da formulação da política
pública de radiodifusão comunitária
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Plano
de Divulgação
Integração
com os programas governamentais
Audiências
Públicas
Participação
da comunidade
Disseminação
|
Precariedade
institucional - a estrutura do Ministério
das Comunicações tem limitações
de recursos de pessoal e de sistemas de informação,
prejudicando a gestão de processos e a formulação
de uma política pública para o setor
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Gestão
de processos
Sistema
de informação
|
Fiscalização
- não atende às demandas da sociedade
e é insuficiente para flagrar as rádios
autorizadas e não autorizadas que não
atendem aos objetivos do serviço. Criminalização
às radios não autorizadas é questionável
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Fiscalização
Educativa
Transparência
da fiscalização
Segurança
de vôo
Pesquisa
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Capacitação
e sustentabilidade - apesar de previsão
na Lei Orçamentária Anual de 2005, até
o momento não ocorreram ações voltadas
para a capacitação dos profissionais envolvidos
na radiodifusão comunitária. As regras
que proíbem a publicidade prejudicam a sustentabilidade
das emissoras comunitárias
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Capacitação
de radiodifusores comunitários
Integração
com outras emissoras de radiodifusão
Participação
das Universidades
Incentivo
à produção de conteúdo
Recursos
financeiros
Publicidade
Veiculação
das ações e programas da União
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Vedação
à formação de redes -
é questionável sob o ponto de vista da
finalidade do serviço (tal como previsto em lei)
e do direito à comunicação e à
liberdade de expressão
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Formação
de redes
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Outras
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Anistia
Conferência
Nacional de Radiodifusão Comunitária
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Diagnóstico
da Situação da Radiodifusão Comunitária
1.
Total de Avisos
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19 |
Localidade
Contempladas
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5.490 |
Municípios
Contemplados
|
4.385 |
Entidades
que atenderam aos avisos
|
8.515 |
2.
Total de processos em tramitação
|
1.364 |
3.
Total de processos arquivados
|
4.555 |
4.
Total de rádios autorizadas
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2.353 |
5.
Total de municípios com rádios autorizadas
|
2.178 |
6.
Total de municípios sem rádios autorizadas
|
3.384 |
Fonte:
Ministério das Comunicações, julho de 2005
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