| Informação:
AESP - Associação
de Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de
São Paulo - 21/11/2005
O
Estado de S.Paulo Economia - TV Digital
Primeiras
imagens de alta definição estão em teste
desde 15 de novembro
Ethevaldo
Siqueira
Transmissor
brasileiro, caixa de conversão brasileira, software básico
brasileiro. E tudo compatível com o resto do mundo. Assim
começa a TV digital brasileira, cujo primeiro sinal está
no ar desde o feriado de 15 de Novembro, em São Paulo.
Bem melhor que o nome – Sistema Brasileiro de Televisão
Digital (SBTVD) – são suas imagens de alta definição,
com 1.080 linhas, transmitidas do Alto do Sumaré e recebidas
na Cidade Universitária, da Universidade de São
Paulo (USP), em televisores fabricados no Brasil, sendo um deles
de 40 polegadas de tela plana, no Laboratório de Sistemas
Integráveis (LSI) da Escola Politécnica. O sinal
digital é decodificado numa caixa de conversão
desenvolvida pelos pesquisadores do LSI sob a coordenação
do professor Marcelo Knörich Zuffo.
“Essa
é a primeira prova de que o Brasil pode ter um sistema
próprio de TV digital, sem qualquer incompatibilidade,
concebido para atender à sua realidade socioeconômica
e cultural e criado mediante a associação de padrões
abertos internacionais e padrões proprietários
nacionais e internacionais”, comemora Zuffo.
O
fato essencial é que a tecnologia utilizada no projeto
funciona. Em TV digital não há meio termo: ou
a imagem chega perfeita ou se transforma numa tela preta ou
numa imagem congelada. É impressionante a qualidade obtida
nas primeiras transmissões, graças ao padrão
de modulação utilizado, que os especialistas chamam
de Muliplexação por Divisão de Freqüência
Ortogonal (OFDM. Com esse padrão de modulação,
o sinal se torna muito mais intenso e estável, garantindo
boa recepção em locais de difícil propagação
e até com antenas internas de baixo custo.
Sem
pretender reinventar a roda, a equipe de pesquisadores optou
pelo padrão OFDM de modulação do sinal,
o mesmo utilizado nos padrões japonês (ISDB) e
europeu (DVB). O transmissor utilizado foi desenvolvido pela
empresa brasileira STB, de Santa Rita do Sapucaí (MG),
com apoio dos pesquisadores da Universidade Mackenzie, liderados
pelo professor Gunnar Dedics.
Com
financiamento da Finep, recursos do Fundo Nacional de Tecnologia
de Telecomunicações (Funttel) e apoio do Ministério
das Comunicações, o SBTVD congrega o esforço
de mais de 90 pesquisadores, incluindo equipes da Universidade
Federal de Santa Catarina, liderada pelo professor Valdecir
Becker; do Instituto Nacional de Telecomunicações
(Inatel), da Universidade da Paraíba e de entidades como
FiTEC, CPqD e Instituto Genius.
PRIMEIRA
FASE
Entre os pesquisadores, ninguém pensa que o desafio está
vencido. Por maior que seja a vitória inicial, essa é
apenas a primeira fase, a da integração de uma
plataforma da TV digital brasileira. O circuito básico
de transmissão só se completou no dia 14 de novembro,
com o acoplamento da caixa de conversão brasileira. As
etapas seguintes incluem os testes de middleware, a partir de
amanhã. “A cada semana deveremos dar um passo adiante
e anunciar novos avanços”, prevê Zuffo.
O
SBTVD, segundo os pesquisadores, se propõe a ser totalmente
compatível com os demais sistemas do resto do mundo,
permitindo a adoção das tecnologias mais avançadas
de produção, transmissão e recepção,
tanto para imagens de alta qualidade como para as aplicações
interativas. Para Marcelo Zuffo, “o SBTD segue a trajetória
de evolução da televisão no Brasil, por
incorporar em suas grandes linhas os padrões abertos
e as tecnologias de domínio universal, como o próprio
OFDM”.
Uma
das peças básicas desse sistema é a caixa
de conversão. Esse equipamento é, na realidade,
um conversor digital-analógico que possibilita a recepção
de sinais da TV digital pelos televisores de hoje, com imagens
da melhor qualidade. Foi desenvolvido pela equipe do SBTVD da
Escola Politécnica, com apoio da ST Microelectronics.
Graças
a um controle remoto padronizado para a TV digital brasileira,
essa caixa de conversão permitirá, ainda, um grande
número de aplicações interativas, como
pesquisas de opinião e audiência, votações
eletrônicas e comércio eletrônico. A previsão
é que o preço das caixas de conversão,
quando produzidas em escala industrial, não supere os
R$ 300.
Além
da excelente imagem, a TV digital proporciona o salto qualitativo
da interatividade. É com base nessa característica
que o Brasil poderá criar projetos de inclusão
digital e de governo eletrônico. Num só canal de
freqüência de 6 Megahertz (MHz) podem ser transmitidos
até quatro programas, em quatro níveis de definição:
baixa, normal ou padrão, melhorada e alta ou high definition
(HDTV).
A
essência da contribuição brasileira ao projeto
está no chamado middleware, software intermediário
que funciona à semelhança de sistema operacional
e conecta duas aplicações separadas, que torna
possível a maioria das aplicações interativas.
Há uma tendência mundial à padronização
do middleware, liderada pela União Internacional de Telecomunicações
(UIT), que tem recomendações específicas
nessa área. O Brasil poderá utilizar muito dessas
recomendações de middleware de TV digital.
Guido
Lemos, líder das pesquisas no Mackenzie e representante
do consórcio de desenvolvimento do middleware, diz que
o projeto brasileiro levantou e estudou os pontos comuns aos
diversos middlewares (europeu, japonês e americano) para,
a partir daí, incluir a contribuição brasileira
a esse segmento essencial da tecnologia de TV digital. Desse
modo, o Brasil poderá não apenas manter as características
do núcleo comum aos diversos middlewares, comoacrescentar
as funcionalidades que a realidade brasileira assim o recomendar,
sem depender de autorização dos detentores dos
padrões internacionais. O padrão que atende a
essas condições está em desenvolvimento
final na UIT.
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