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Informação:
Direto
da Redação - 16/11/2005
O
batismo de sargentos em uma unidade do exército no Paraná,
como mostrou o Fantástico, domingo, não chegou
a me surpreender, pois suponho ser assim em qualquer exército
do mundo, pelo menos é o que vemos através de
filmes.
Imagino
que baldes de água no rosto, chineladas e outros tipos
de tortura física ou psicológica devem ser muito
mais dolorosos que os batismos que enfrentamos no colégio,
na universidade, no time de futebol, trotes de empresa, etc.
Mas no caso, trata-se de militares, todos treinados e preparados
física e emocionalmente.
Uma
brincadeira dura, é verdade, mas como poderia ser outro
o batismo de militares? Pessoal treinado para enfrentar as condições
mais adversas, até uma guerra, onde todo tipo de tortura
é usado contra prisioneiros. Depois de pensar nisso tudo,
compreendi que batismo de militar não pode ser com confeti
e serpentina.
Agora,
o que pensar sobre um participante do BBB, por exemplo, ter
que dançar até doze horas seguidas para passar
por uma prova? Ou ter que comer olho de cabra? Não será
esse BBB uma tortura muito mais grave porque expõe as
pessoas ao ridículo, onde elas são tratadas como
ratos de laboratório e as crises psicológicas
são claras e inevitáveis? Se isso não é
tortura, não sei que outro nome tem.
Esse
facismo branco vem desde a abertura do programa. Paulo Ricardo
dá o tom: canta versos que falam do bem e do mal, e da
importância de resistir e vencer se quiser ser o melhor.
E
quem não se lembra de Zeca Camargo apresentando os programas
"No limite" e "Hipertensão", onde
pessoas comuns eram desafiadas a comer insetos ou deitar numa
cova com 300 ratos?
Trote
dentro de um quartel que diz respeito somente a eles é
uma coisa, muito pior é passar por humilhações
em transmissão nacional.
Recentemente,
a Rede Globo usou todo seu poder para defender o desarmamento,
mas não deixou de apresentar no mesmo período
filmes violentos em "Domingo Maior", e agora volta
com nova temporada de sua violenta minissérie "Cidade
dos homens".
Se
deseja fazer justiça, sem segundas e terceiras intenções,
por que a Globo não sai em defesa dos trabalhadores que
sofrem tortura física e psicológica quando não
conseguem levar o pão para casa ? Por que não
sai em defesa de uma população oprimida com seu
salário congelado há quase 10 anos? Por que não
cobra explicações dos coronéis nordestinos
sobre exploração de mão de obra? Por que
não denuncia o narcotráfico que tortura e mata
a população pobre da favela ao invés de
fazer apologia do crime através de minissérie
como "Cidade dos homens"?
Tudo
isso para concluir que a emissora, que algumas vezes se coloca
como defensora da liberdade e justiça, nem sempre faz
aquilo que prega. Se transformada em gente, seria como tantos
que desejamos à distância de tão contraditórios
e hipócritas que são.
Antonio
Monteiro é analista de sistemas e mora em São
Paulo (SP). Seu email é antonio_monteiro@terra.com.br
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