|
Informação:
Comunqiue-se
- 16/11/2005
Milton
Coelho da Graça
A juíza que puniu a Rede TV! por conta de um programa
ofensivo aos homossexuais reacende o debate sobre a tênue
mas firme linha, que não permite confusão entre
censura e a legítima defesa da sociedade, grupos de cidadãos
ou mesmo indivíduos contra a violação de
seus direitos pelos meios eletrônicos de comunicação.
A
democracia não consiste apenas em cada um fazer o que
quiser, mas exige o princípio básico de cada indivíduo
aceitar como limite de sua liberdade e seus direitos a liberdade
e os direitos alheios.
Os
meios eletrônicos de comunicação, da mesma
forma como os jornais, gozam das garantias constitucionais à
livre expressão. Mas dependem de concessões da
sociedade, através de um Parlamento livremente eleito.
Por isso, deveriam se submeter não apenas ao Código
Penal mas também a um Código de Ética,
que explicite os padrões aceitos pela MAIORIA democrática
da sociedade, não apenas pelo Judiciário.
Os
nossos constituintes de 1988 entenderam isso perfeitamente e,
por isso, criaram o Conselho de Comunicação Social.
Como representante da sociedade (e não de políticos
nem dos próprios concessionários, como acabou
se tornando após dormir durante 14 anos nas gavetas de
parlamentares), o CCS deveria ser ouvido nas concessões
de rádio e tevê, bem como nos princípios
éticos e qualitativos a serem respeitados por toda a
programação.
Moisés,
ao descer do Monte Sinai com o seu Código de Ética
- os Dez Mandamentos -, tinha a intenção de manter
a nação judaica unida por objetivos comuns. Sua
liderança não nascera de uma eleição,
mas ninguém duvida de que ele representava a ampla maioria
dos judeus quando estabeleceu que cada um deveria tratar o próximo
como a si mesmo.
Moisés
também exigiu que nenhum homem cobiçasse a mulher
do próximo. Tantos milênios depois, este mandamento
claramente deixou de ser democrático, deixou de ter o
apoio da maioria.
Mas
o primeiro, sem qualquer dúvida e aqui no Brasil, continua
a ter. Não se trata de censura, mas de proteção
da sociedade. Temos de lutar permanentemente por maior qualidade
na TV e no rádio. E isso não se conquista com
a atitude leniente do “deixa cada um fazer o que quiser”.
O
Congresso deveria restaurar o CCS da forma desejada pelos constituintes
de 88.
|