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Informação:
Observatório
da Imprensa - 08/11/2005
Ana
Rita Marini (*)
A
XII Plenária do FNDC reuniu em Belo Horizonte, de 28
a 30/10, entidades da sociedade civil de 15 estados, além
de associações nacionais de trabalhadores e de
veículos públicos e comunitários.
O
governo federal esteve representado nos debates sobre democratização
da comunicação. Dois representantes da Casa Civil,
André Barbosa e Israel Bayma, dois do Ministério
das Comunicações, Joanilson Barbosa e Waldemar
Gonçalves, e o presidente da Radiobrás, Eugênio
Bucci, participaram dos debates abertos aos público.
Houve ainda a visita, prestigiando o encontro, do ex-Secretário
de Direitos Humanos da Presidência da República,
Nilmário Miranda.
A
sociedade civil organizada em torno da democratização
da comunicação também esteve marcadamente
representada. Dos 12 Conselhos de Psicologia nacionais, oito
enviaram representantes à XII Plenária. Seis Sindicatos
de Jornalistas estiveram presentes e a Federação
Nacional dos Jornalistas também, através de sua
Executiva. Participaram ainda da XII Plenária do FNDC
os presidentes das principais entidades do segmento da radiodifusão
pública e comunitária nacionais, o diretor de
TV Digital da Fundação CPqD, Ricardo Benetton,
deputados mineiros e o presidente da CUT do Estado de Minas
Gerais. No total, foram 59 delegados e observadores, representando
entidades da sociedade civil.
De
acordo com os dados da Secretaria Executiva do FNDC, dez entidades
nacionais associadas ao FNDC e sete comitês regionais
de seis estados participaram do encontro. Outros nove estados
enviaram representantes como observadores individuais. Entidades
independentes também enviaram observadores. O FNDC possui
hoje um total de 124 entidades associadas, sendo 15 nacionais
e 109 ligadas aos 12 comitês regionais.
Celso
Schröder destaca a presença significativa dos movimentos
sociais e agentes políticos do governo e avalia que o
encontro "serviu principalmente para definir o foco de
atuação do FNDC, o que permitirá maior
eficiência nas nossas intervenções".
A digitalização da comunicação,
cenário de fundo de quase todos os debates, foi destaque
em função da sua potencialidade de democratização.
"Não tem como pensar em democracia na comunicação
sem pensar na digitalização em todas as suas potencialidades",
avalia Schröder, "ou corremos o risco de, por características
especificamente tecnológicas, aprofundarmos o processo
de exclusão na comunicação".
TV
Digital no primeiro dia
A
Digitalização das Comunicações,
especialmente a implantação da TV Digital no Brasil,
foi o tema central no primeiro dia da XII Plenária. O
debate de abertura trouxe como tema "As definições
cruciais da Lei de Comunicação Eletrônica
de Massa e da Tecnologia Digital". Na composição
da mesa, a diversidade dos representantes movimentou a discussão.
O
representante do Ministério das Comunicações
(Minicom), Waldemar Gonçalves, esclareceu as opções
do governo para a adoção do sistema de digitalização
no Brasil. "Cerca de 1,5 mil pesquisadores do país
e 22 consórcios estão envolvidos nesse processo.
Foram formados grupos, como o Finep, para a administração,
e o CPqD, para a parte técnica, com o intuito de chegarmos
ao melhor sistema para o país", explicou Gonçalves.
No entanto, Gabriel Priolli, presidente da ABTU, se mostrou
decepcionado com os rumos da implantação do sistema
de tv digital brasileiro. "Vejo com grande decepção
o que acontece. Percebo que o que é importante (para
o Ministério das Comunicações) é
o modelo técnico e não o modo de uso do sistema
digital", argumentou.
Ricardo
Benetton, do CPqD, expôs o projeto SBTVD deixando claro
que a transição do sistema analógico para
o digital encontra um entrave na Constituição
Federal. "A Constituição diz para fazer o
uso otimizado do espectro (onde transitam os canais de rádio
e TV), assim, para se trabalhar com Televisão Digital,
o cuidado com a recepção deve ser considerado",
avaliou. Para Priolli, a prioridade na discussão do sistema
digital brasileiro é a multiprogramação
– que possibilitaria um maior número de canais
e interatividade – o que mudaria o cenário inclusive
da educação a distância. "A imagem
de alta definição é importante, mas não
é a prioridade", reforça o presidente da
ABTU, ao criticar o governo, prestes a anunciar o padrão
do sistema digital "sem o debate aprofundado que teríamos
que ter tido sobre o modelo de uso". Leia cobertura desse
painel na íntegra clicando aqui.
Enviado
do ministro
O
painel "Cenários da Democratização
da Comunicação no Brasil", realizado na manhã
de sábado, esquentou os debates na XII Plenária
do FNDC. O ministro das Comunicações, Hélio
Costa, destacou às pressas o secretário dos Serviços
de Comunicação Eletrônica do Minicom, Joanilson
Barbosa, para esclarecer a visão do Ministério
sobre o futuro das comunicações no Brasil. O secretário
confirmou a importância da discussão que, segundo
ele, se trava pelo país sobre a convergência tecnológica
e a democratização da comunicação.
"O ministro está com as portas abertas a todos e
tem recebido representantes de todo o tipo de movimento",
afirmou.
Apesar
do preâmbulo democrático do recado de Costa às
entidades e movimentos presentes na plenária, do relato
de ações do ministério no sentido de acelerar
os processos de outorga de radiodifusão comunitária
em andamento – previsão de "zerar" a
quantidade de processos até 2006 -, o que veio a seguir
não agradou nem um pouco aos participantes da Plenária
vinculados à radiodifusão comunitária.
"O ministério entende que rádios não
outorgadas são rádios piratas, e rádios
piratas devem ser fechadas. Isso é o que diz a Lei",
afirmou Joanilson, que relatou que o Minicom está fazendo
um grande esforço para atender aos pedidos protocolados
de outorga.
Mais
tarde, na abertura para as intervenções do público,
indignados, representantes dos movimentos se manifestaram. O
coordenador nacional da Associação Brasileira
de Radiodifusão Comunitária (Abraço), Clementino
Lopes, repudiou a institucionalização do termo
"Pirata". Numa exposição emocionada,
questionou: "até quando seremos vítimas dos
interesses do monopólio da comunicação?"
Debate
com a Casa Civil
No
mesmo painel de sábado, estavam na mesa o assessor especial
da Casa Civil da Presidência da República, André
Barbosa, o secretário do Congresso Brasileiro de Cinema,
Geraldo Veloso, o representante da Campanha Ética na
TV da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos
Deputados, Augustino Veit, e o coordenador do Laboratório
de Políticas de Comunicação da Universidade
de Brasília (UnB), Murilo César Ramos.
Falando
em nome da ministra Dilma Rousseff, André Barbosa explicou
o trabalho do Governo Federal no processo de democratização
da comunicação, citando o exemplo do projeto Casa
Brasil, de inclusão digital, e o papel da internet, com
sua nova estrutura de linguagem, de relacionamento: "uma
forma muito maior de democratização da comunicação".
Barbosa
manifestou-se a favor do movimento da Radiodifusão Comunitária
no sentido de dar voz à comunidade, ao cidadão.
Sobre TV Digital, ele se mostrou sensível à necessidade
de discussões mais aprofundadas. "Temos que incluir
nos ‘bits’ do novo espectro a participação
da população", defendeu Barbosa, que garante
que a pesquisa realizada pelo grupo brasileiro de entidades
tem dado um "show" de qualidade.
Augustino
Veit confessou-se assustado com as exposições
do primeiro painel sobre a digitalização das comunicações.
"Essa discussão tem que ir longe, ainda". Ele
declarou que pretende levar as pautas de democratização
da comunicação para a Comissão de Direitos
Humanos. Geraldo Veloso avaliou que seu setor (cinema) ainda
está muito "cru" em relação às
sutilezas tecnológicas. "Estamos muito preocupados
com fomento, presença de programação. O
cinema, hoje, começa a ser revisado em sua forma de fazer.
Película? Digital? As tecnologias digitais se apresentam
para nós como uma outra forma possível de realização,
que estamos apenas começando a conhecer".
Veloso
defendeu a descentralização da produção
do cinema, que, na avaliação do CBC, deve ser
cada vez mais ligado às identidades culturais, às
etnias, com a ampliação das possibilidades das
comunidades olharem para si mesmas e da ampliação
desses olhares, buscando a diversidade cultural.
Murilo
Ramos traçou um breve panorama sobre as lutas pela democratização
da comunicação, das quais vem fazendo parte há
mais de duas décadas. Fez um resgate da forma como foi
formulado o Capítulo da Comunicação Social
na Constituição Federal, em 1988, que avaliou
como um "remendo", e, numa breve análise sobre
a legislação de Comunicação Social,
passou pelo episódio mal conduzido da discussão
da Ancine no governo FHC (em 2001) – que enterrou o projeto
– até chegar ao momento atual, com o governo Lula,
que "teve o conteúdo do programa de comunicação
extirpado do seu governo", segundo ele. "O que é
fundamental, neste momento, a ser discutido? Falta encarar a
discussão da digitalização da radiodifusão".
Para
quem está nessa seara há anos, esse já
se tornou um discurso "chato, murrinha", declarou
Ramos. E sugeriu: "vamos pensar tudo de novo, em termos
de democratização da comunicação.
A luta não vai ser colocada pela digitalização.
De volta ao começo". Leia mais clicando aqui.
Modelo
sul-americano de radiodifusão pública
"É
preciso apostar no desconhecido", afirmou o presidente
da Radiobrás, Eugênio Bucci, na abertura de sua
exposição, no painel da manhã domingo.
Ele falava de uma inversão no modelo vigente para a radiodifusão
pública na maior parte dos países. "O Brasil,
e praticamente todos os países da América do Sul,
importam para constituição de sua radiodifusão,
um modelo comercial, que é o modelo americano, sem, portanto,
importar os marcos legais e toda a toda a regulamentação
que impede a concentração de propriedade, propriedade
cruzada e assim por diante, e nesse sentido conspira contra
a pluralidade, contra a competição comercial".
Esse
modelo selvagem é o modelo hegemônico no nosso
continente, garantiu Bucci, que se baseia nos últimos
acontecimentos mundiais para concluir que falta ao continente
americano uma espécie de rede Al-Jazeera, que dê
o outro lado da visão sobre os fatos.
Bucci questionou se existe um ponto de vista latino-americano
sobre os fatos mundiais. "O que esse outro lado quer comunicar?
Eu tenho certeza de que nós não sabemos".
Segundo Bucci, faz falta nos ambientes de comunicação,
no Brasil e nos países vizinhos, dar visibilidade ao
cidadão.
O
presidente da Radiobrás acredita que é preciso
trabalhar com a idéia de construção de
uma diversidade, nexos de debate, enfrentamentos no sentido
de posições diversas, de dentro da América
do Sul, e não de uma posição polarizada
apenas entre o Norte e o Sul. "A riqueza da condição
cultural de nosso continente é uma coisa impressionante
e desconhecida, mas nós estamos muito mais distantes
de Bogotá do que de Paris ou de Nova Iorque. Isso requer
a nossa disposição de apostar no desconhecido.
O público bem informado, tendo garantido seu acesso à
visibilidade, à voz e à informação
de qualidade, será capaz de forjar caminhos diferentes
daqueles que nós somos capazes de imaginar hoje."
Além
de Bucci, o último painel da XII Plenária teve
a mesa composta pelo vice-presidente da Associação
Brasileira de Televisão Universitária, Cláudio
Magalhães, o representante da Telesur, Luís Carlos
Bernardes, e do representante da coordenação da
Campanha Cris-Brasil, Jonas Valente, com a mediação
de José Guilherme Castro, da Associação
Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço).
Grupos
de Trabalho
A
XII Plenária aprovou a proposta de criação
de grupos de estudo e trabalho (GETs) abrangendo as cinco ementas
constantes do seu programa. No dia 30/10, foi proposta e aprovada
a criação de um sexto GET que tratará especificamente
da Conferência Nacional de Comunicação.
Os GETs são estruturas de apoio à implementação
do programa e das ações do FNDC e têm natureza
técnica e de estudos e funcionarão até
a XIII Plenária. Os coordenadores dos GETs foram eleitos
pela XII Plenária e formarão a Comissão
de Projetos, que tem a função de implementar,
junto com a Coordenação Executiva do FNDC, o programa
de captação de recursos e suporte aos grupos bem
como buscar universidades e instituições parceiras
para o desenvolvimento dos projetos..
Qualquer
membro de uma entidade associada ao FNDC pode participar dos
GETs. Para isso, os interessados devem enviar um e-mail para
o coordenador do grupo que tem a temática do seu interesse.
Os
contatos com as coordenações do GETs são
os seguintes:
**
Tecnologia
Digital e Mudança Social, coordenador Thiago Skárnio,
Comitê SC, (get.digital@fndc.org.br)
**Alfabetização
para a Leitura Crítica da Mídia, coordenadora
Andréa Torres, Comitê SP, (get.lcm@fndc.org.br)
**Concentração
dos Meios e Conglomerados de Mídia, coordenadora Berenice
Bezerra, Aneate, (get.concentracao@fndc.org.br)
**Conferência
Nacional de Comunicação, coordenador Ricardo Moretzsohn,
Comitê MG, (get.conferencia@fndc.org.br)
**
Radiodifusão
Pública e Comunicação Comunitária,
coordenador Jonicael Cedraz, Comitê BA, (get.publica@fndc.org.br)
**
Legislação
e Regulação da Comunicação Social,
coordenadora Dagmar Camargo, Comitê RS, (get.legislcacao@fndc.org.br)
(*)
Jornalista da equipe do e-Fórum
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