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Informação:
ISTOÉ
Dinheiro - Publicação em - 09/11/2005
Por
Roberto Castro
Elifas
Gurgel caiu da Anatel. Neste sábado 5, termina seu mandato.
Por pressão direta do ministro das Comunicações
Hélio Costa, o presidente Lula decidiu não reconduzi-lo
ao cargo. Ele foi o terceiro presidente da agência em
três anos de governo. Recentemente, Costa emitiu sinais
de que desejava colocar no lugar um homem de sua confiança.
Gurgel, indicado pelo ex-ministro Eunício Oliveira, lutou
para ficar. “Gostaria de continuar”, confessou à
DINHEIRO. Pediu apoio aos senadores José Sarney e Renan
Calheiros. Costa fechou aliança com a ministra Dilma
Rousseff, da Casa Civil, e venceu. Mas por que, afinal, Hélio
Costa exigiu a cabeça de Gurgel? “Nem eu entendi”,
responde o próprio decapitado. “Eu o procurei,
me coloquei à disposição, fiz uma excelente
gestão, mas o ministro não quis compor”.
Hélio Costa tem outra versão. “O Elifas
é fraco”, explica. “Deixou o Conselho da
Anatel se dividir e virou joguete na mão dos dois grupos”.
Na terça-feira 8, Costa tem encontro com Lula para decidir
quem será o presidente da Anatel. O principal nome na
bolsa de apostas é o de Antônio Bedran, consultor
jurídico da agência e amigo do ministro. “Não
está decidido”, desconversa Costa. “Vocês
podem ter uma surpresa”.
“Se
for para esse Bedran assumir, é melhor fechar a agência”,
protesta o presidente da Federação dos Trabalhadores
em Telecomunicações, José Zunga. “Ele
defende as operadoras e não tem compromisso com a população”.
Há quinze dias, Lula recebeu Zunga em seu gabinete para
discutir a saída de Gurgel. Zunga tem força efetiva
com Lula. Foi ele quem indicou o antecessor de Gurgel, Pedro
Ziller. Desta vez, Zunga faz lobby pelo petista Jarbas Valente,
atual superintendente de Serviços Privados da Anatel.
Já a bancada do PMDB tenta emplacar o ex-ministro Paulo
Lustosa. Qualquer que seja o escolhido, terá pela frente
uma tarefa delicada. Há três anos a Anatel é
uma agência dividida por frutricas internas. De um lado,
estão dois conselheiros herdados do governo FHC, Luiz
Alberto da Silva e José Leite Pereira. De outro, dois
conselheiros ligados ao PT, Pedro Ziller e Plínio de
Aguiar. Gurgel tentou compor com os dois grupos. Costa avaliou
que não poderia contar com ele nos momentos de aperto.
Nos
últimos dias, Costa e Gurgel entraram em pugilato público
por conta do telefone social. E a maior briga ainda estaria
por vir. Nos próximos dias, Costa inicia o processo de
implantação da TV Digital no Brasil, que vair
girar R$ 10 bilhões em investimentos privados. Briga
que o ministro nem cogita perder.
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