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ISTOÉ
Dinheiro - Publicação em - 09/11/2005
Por
CHRISTIAN CARVALHO CRUZ
Você
sabe o que é podcast? Se não sabe, convém
se acostumar à palavra. Ela está se alastrando
com uma velocidade espantosa pelo ambiente corporativo –
inclusive no Brasil. É uma febre mundial, a reengenharia
da vez. Só que bem mais divertida e muito mais útil.
Podcast é um programa de rádio em MP3 que qualquer
pessoa, com ajuda de softwares apropriados, pode fazer, baixar
da internet e ouvir no computador, no laptop e nos tocadores
de música digital (como o iPod). A mania foi inventada
pelo americano Adam Curry, ex-VJ da MTV, no meio do ano passado.
Por seu caráter alternativo e caseiro de divulgação
de idéias, ela logo de cara conquistou o pessoal ligado
à música independente. Mas em pouco tempo emergiu
da cena “underground” e contaminou gente dos mais
variados perfis. O presidente George Bush tem podcast. O Vaticano
e governador do futuro Arnold Schwarzenegger também.
Duas
coisas facilitaram essa disseminação. Primeiro,
os pilares que sustentam a filosofia do podcast: personalização
(um para cada tipo de ouvinte), conveniência (ouça
quando e onde quiser) e multifuncionalidade (ouça enquanto
faz outras coisas). E segundo, uma tecnologia que permite assinar
podcasts (como revistas). Assim, você recebe automaticamente
no computador os novos episódios, conforme eles vão
sendo jogados na internet. E sem custo, porque, por enquanto,
podcast é de graça. Dadas as devidas explicações
técnicas, vamos ao que interessa: a onda chegou às
grandes corporações. Especialistas dizem que,
para as empresas, em curtíssimo prazo, ter podcast será
tão essencial quanto ter um website. “Já
existem 15 mil podcasts atualizados de maneira regular atualmente.
E surgem mil novos por semana”, afirma Walter Longo, fundador
da PodCasting Brasil e um dos pioneiros da produção
de podcasts no País.
No
exterior, as primeiras a aderir foram companhias de comunicação
como Fox News, ESPN e BBC, que transformaram programas de rádio
e TV em podcasts. Agora, uma segunda leva começa a se
valer da novidade, mas como ferramenta de marketing. Nestlé,
Whirlpool, GM e Disney (leia no quadro abaixo) já têm
podcasts. “É um jeito ótimo de manter uma
conexão emocional com nossos clientes”, avalia
Audrey Reed-Granger, diretora da americana Whirlpool (dona das
marcas Cônsul e Brastemp no Brasil). Seu podcast, “The
American Familiy”, trata de temas como educação
dos filhos, carreira, saúde e casamento.
O
momento é de conquistar territórios temáticos.
“A Nestlé quer ser referência em podcast
de nutrição, a Roche em cardiologia e assim por
diante”, exemplifica Longo, da Podcasting Brasil. Sua
empresa vem planejando podcasts para Itaú, Nestlé
e uma gigante de materiais esportivos. Outra empresa, a BroadBrand,
especializou-se em produzir podcasts corporativos. Na lista
de clientes estão Volkswagen, Degussa (multinacional
alemã do setor químico) e outros cujos nomes ainda
são secretos: um banco, uma fabricante de bebidas e uma
rede de academias de ginástica. “O podcast pode
ter inúmeras funções, não precisa
se restringir ao marketing”, diz Guilherme Athia, fundador
da BroadBrand. “Estamos desenvolvendo um para treinar
funcionários. Ele será ouvido no refeitório
da fábrica e nos ônibus que levam o pessoal”,
afirma.
Para
a Volkswagen, a BroadBrand criou o podcast de um campeonato
de surf patrocinado pela montadora. É uma mistura de
música com dicas de turismo. “Queríamos
que os jovens tivessem uma experiência diferente com a
nossa marca, uma experiência lúdica, marcante”,
comenta Herlander Zola, supervisor de propaganda e webmarketing
da Volks. Ele diz que, em apenas cinco dias, o número
de acessos ao site da companhia cresceu 50%. “O podcast
tem uma característica de disseminação
viral. O boca-a-boca entre os usuários é enorme”,
diz Marcelo Toledo, diretor de marketing da Kaiser. A cervejaria
realizou uma promoção na qual recebia podcasts
feitos por internautas do País todo. Mais de mil foram
enviados, e o website da empresa bateu recordes de visitação:
os acessos saltaram de 15 mil para 60 mil por mês. “As
pessoas passaram a ter uma experiência inovadora com a
marca, que ficou mais simpática, mais próxima
do consumidor”, avalia Toledo.
Quanto
custa ter um podcast? Nada, se sua empresa produzi-lo internamente
(e é algo bem fácil). Ou cerca de R$ 5 mil, se
você quiser uma produção mais caprichada.
Mas é bom correr, porque esses preços devem ser
apenas de início de temporada.
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