| Informação:
AESP - Associação
de Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de
São Paulo - 01/11/2005
4
de Novembro de 2005 - A taxa de repetência de crianças
brasileiras no nível básico é de 24%. Empreendimentos
voltados para a TV digital interativa (TVI) são ainda
um grande desafio para pesquisadores, técnicos e empresários.
Os recursos envolvidos numa iniciativa de caráter televisivo
via TVI são significativamente maiores que aqueles despendidos
quando se produz conteúdo para internet. Ainda assim,
a justificativa faz-se clara quando percebemos que o mundo está
caminhando rapidamente para esse tipo de iniciativa, sobretudo
no setor educacional, apesar das tímidas experiências
de que se tem notícia. Segundo a Unesco, a taxa de repetência
de crianças brasileiras no nível básico
está em 24%. O Brasil é o recordista do continente
latino-americano. Segundo estatísticas mais recentes
divulgadas pelo Ministério da Educação,
a taxa de repetência de 2000 – que usa dados de
1999 – é de 21,6% no nível fundamental e
de 18,6% no médio. Na avaliação da Unesco,
há problemas na qualidade do ensino. Um excelente benchmarking
pode ser feito com a World Gate e o Wish TV (www.wgate.com),
ou seja, um projeto americano em andamento que envolve escolas,
residências, pais, professores e alunos conectados via
cabo, utilizando os recursos educativos da TV digital e da internet
banda larga. A pouca participação dos pais no
processo educativo dos filhos é um fator crítico
que assola várias comunidades no mundo todo. Para resolver
essa questão crucial e diminuir o gap entre pais e filhos,
escolas e pais e mesmo o fosso digital, o programa The Wish
TV (WorldGate Internet School to Home) foi desenvolvido nos
EUA e utiliza-se da tecnologia disponível de TV digital
via cabo e conseqüente acesso à internet. O Wish
TV provê acesso à internet para estudantes e professores
na escola e nas residências através do sistema
a cabo e set top boxes instalados. Isso resolveu um outro problema
do custo das chamadas telefônicas e dos provedores de
acesso, além da velocidade de navegação
e potencialidade para uploads e downloads mais velozes.
O
Relatório Integrador dos Aspectos Técnicos e Mercadológicos
da Televisão Digital versão 1.0 de 28/3/2001,
assim como as premissas básicas do SBTVD (Sistema Brasileiro
de TV Digital) do governo federal, mostra a grande expectativa
que a Anatel deposita nos usos sociais da TV digital, disseminando
e tornando acessíveis serviços vitais para a população,
dentre eles a educação à distância.
Nesse mesmo relatório da Anatel, no capítulo "Expectativa
dos usuários brasileiros para a televisão do futuro",
fica clara a disposição favorável do nosso
público quanto aos recursos e facilidades que a TV digital
poderá trazer ao seu cotidiano. Cabe lembrar igualmente
a menção ao fato de que a TV digital é
um aparelho em tese mais simples de operar que o microcomputador
e mais abrangente – mais pessoas o utilizam. Apesar da
"popularidade" da internet, o Brasil ainda não
é um país on-line e demorará um pouco para
ser. Em relatório da OECD de 2001, aponta-se 2,9% da
população brasileira com acesso à internet;
em contrapartida, mais de 35 milhões de residências
no Brasil (mais de 90%) têm aparelhos de TV, provando
a capilaridade dessa mídia, do seu poder e do potencial
dessa demanda reprimida por conteúdos de maior informação
ou como veículo de educação.
No
cenário brasileiro temos o bom exemplo da TV Escola,
que promete ser a TV Escola Digital Interativa (www.mec.gov.br/seed).
Com 7.500 antenas de satélite digitais instaladas, num
parque de mais ou menos 55 mil escolas atendidas com antenas
analógicas, a TV Escola pode e deve ser o grande projeto
mundial de TV aplicada à educação, como
já o é, ao lado do Telecurso 2000, que certifica
mais de 350 mil pessoas por ano com aulas pela TV, apostilas
e alguma tutoria presencial. Tendo em vista esse movimento concreto
de países que já operam com a TV digital, a par
da expectativa positiva do público brasileiro, o Brasil
deve ser o protagonista mundial da TVI na integração
social e educacional, mais propriamente de inclusão digital,
encontrando as soluções adequadas e beneficiando
milhões de pessoas na América Latina, África
e países lusófonos. (Gazeta Mercantil/Caderno
A - Pág. 3)(Thais Waisman - Mestra em comunicação
e semiótica, coordenadora do LabITV da Escola do Futuro
da USP)
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