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Informação:
Observatório
da Imprensa - 01/11/2005
Documento
final da III Semana Nacional pela Democratização
da Comunicação, reunida entre os dias
17 e 23 de outubro em todo o país, em defesa
de uma mídia em que estejam representados a
pluralidade e a diversidade de opiniões e de
interesses existentes na sociedade.
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Na
sociedade atual, os grandes meios de comunicação
são os principais veículos de informação,
entretenimento, difusão da cultura e formação
de valores. TV, jornais, rádios, revistas e a internet
são hoje um espaço de debate com fortíssima
influência sobre o cotidiano dos brasileiros e brasileiras.
No
entanto, hoje essa arena de debate é completamente controlada
por poucas empresas familiares, por conglomerados transnacionais
e políticos. Das manchetes dos telejornais às
capas das revistas e histórias das novelas, eles decidem
o que será visível ou não para o grande
público, que entende a comunicação hoje
como um mero serviço, e a informação, o
conhecimento e a cultura como mercadorias a serem consumidas.
Seguindo
esta lógica, cada vez mais os meios de comunicação
vêm se constituindo como aparelhos ideológicos
das classes dominantes, atuando pra naturalizar este modelo
de sociedade desigual que subjuga a maioria da população
aos interesses de poucos.
Para
que a diversidade e pluralidade características da nossa
sociedade se reflitam nos meios de comunicação
e para que este passe a ser um espaço ocupado por todos
e todas, se faz urgente a democratização da comunicação
no Brasil, visando à plena efetivação do
direito humano à comunicação.
Para
defender esta idéia, diversas associações,
movimentos sociais e ONGs se reuniram em São Paulo durante
a III Semana Nacional pela Democratização da Comunicação.
Agora, assumem o compromisso de incorporar a suas lutas essa
bandeira, como parte integrante da luta por uma sociedade mais
democrática e igualitária.
Acreditamos
que:
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a democratização da comunicação
é uma luta fundamentalmente conectada às lutas
populares, à luta pela reforma agrária e urbana,
pelo fim da desigualdade de classe e ao combate ao racismo,
ao sexismo, à homofobia e a todas as formas de opressão;
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a
busca pela pluralidade de sujeitos e opiniões na mídia,
componente essencial de um regime realmente democrático,
é central para mostrar que não existem porta-vozes
eleitos, mas que todas as pessoas têm direito de expressar
suas opiniões;
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a garantia da diversidade, seja de gênero, étnica,
religiosa, sexual, etária ou outra, é pressuposto
para a garantia da igualdade nos meios de comunicação;
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a isenção e a imparcialidade dos meios de comunicação
são mitos a serem desconstruídos; trata-se de
veículos que têm seus próprios interesses,
que apesar de legítimos, geralmente não representam
o interesse público;
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as
violações dos direitos humanos cometidas pelos
meios de comunicação devem ser combatidas sistematicamente,
assim como a criminalização dos movimentos sociais
por parte da mídia;
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a
implantação de instrumentos de controle público
sobre a mídia comercial, de forma a garantir que o interesse
público não seja contrariado, deve ser uma luta
de toda a sociedade;
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é necessária a criação, por parte
do Estado, em cumprimento ao que estabelece a Constituição
Federal acerca da existência de um sistema público
de comunicação, de espaços de comunicação
públicos e de gestão participativa, que possibilitem
a plena apropriação da comunicação
por parte de todos os sujeitos sociais. O Estado Brasileiro
tem um papel a cumprir neste processo de garantia dos direitos
humanos e de plena realização da democracia;
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ovimentos sociais, ONGs e indivíduos devem ser solidários
e se posicionar contra a repressão a todas as formas
de comunicação, sobretudo às rádios
comunitárias e livres, instrumentos legítimos
de comunicação de interesse público;
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modelos
flexíveis de gestão da propriedade intelectual,
assim como ferramentas e tecnologias livres e colaborativas
devem ser adotadas como forma de estímulo ao desenvolvimento
pleno e ao aumento do acesso aos benefícios do conhecimento
humano.
São
Paulo, 22 de outubro de 2005
Assinam
a presente carta
•
Associação Brasileira de Gays, Lésbicas
e Transgêneros – ABGLT
•
Campanha Pela Ética na TV
•
Central dos Movimentos Populares – CMP
•
Centro Acadêmico Benevides Paixão – PUC/SP
•
Centro Acadêmico de Biologia – USP
•
Centro Acadêmico Emílio Ribas – Nutrição/USP
•
Centro Acadêmico FOFITO/USP
•
Centro Acadêmico Lupe Cotrim – ECA/USP
•
Centro Acadêmico de Matemática, Estatística
e Computação – IME/USP
•
Centro Acadêmico Professor Paulo Freire – Pedagogia/USP
•
Centro Acadêmico Vladimir Herzog – Faculdade Cásper
Líbero
•
Centro de Direitos Humanos – CDH
•
Centro de Imprensa Alternativa
•
Coletivo Digital
•
ComunicaBem – Comunicação para Educação
e Cidadania
•
Conectas Direitos Humanos
•
CRIS Brasil – Articulação Nacional pelo
Direito à Comunicação
•
Diretório Acadêmico de Comunicação
e Artes do Mackenzie
•
Diretório Central dos Estudantes Alexandre Vannucchi
Leme – USP
•
ENECOS – Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação
Social
•
Fórum GLTTB
•
Gestos - Soropositividade, Comunicação e Gênero
•
ILGA-LAC – International Lesbian and Gay Association for
Latin America and the Caribbean
•
Instituto Edson Neris
•
Instituto Pro Bono
•
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação
Social
•
Instituto Pólis
•
Jornal Brasil de Fato
•
Jovens Feministas
•
Mídia Étnica
•
Movimento Negro Unificado/SP - MNU/SP
•
MUCCA - Mudança com Conhecimento, Cinema e Arte
•
Ondas Paranóicas – oficina de rádio
•
Projeto Arrastão
•
Projeto "Cala-boca Já Morreu"
•
Revista Viração
•
RITS – Rede de Informações para o Terceiro
Setor
•
SINERC – Sindicato Nacional das Emissoras de Radiodifusão
Comunitária
•
Sociedade Cultural Dombali
•
União Cristã Brasileira de Comunicação
Social – UCBC
•
União dos Movimentos de Moradia – UMM
•
Vídeo: Cultura e Trabalho/Ação Educativa
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