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Informação:
Observatório
da Imprensa - 01/11/2005
Venício
A. de Lima (*)
Inaugurou-se
na terça-feira (25/10) uma nova etapa na luta pela democratização
das comunicações no Brasil.
O
Instituto Projor – mantenedor deste Observatório
da Imprensa na web, na TV e no rádio – protocolou,
na Procuradoria Geral da República (PGR), documentos
para servir de base a uma representação que questiona
a legalidade da ação de deputados que, além
de concessionários de rádio e televisão,
e membros da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação
e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados,
também votam em favor da renovação de suas
próprias concessões.
Que
se saiba, até aqui foram muito poucas as ocasiões
em que a sociedade civil participou diretamente de ações
concretas deste tipo. Os movimentos e instituições
que lutam pela democratização das comunicações
no Brasil têm se limitado a diagnósticos, críticas
e protestos. Eles são fundamentais, mas não são
suficientes.
Por
outro lado, o Conselho de Comunicação Social –
órgão auxiliar do Congresso Nacional que tem entre
os seus membros representantes da sociedade civil – tem
tido não só sua composição, como
também sua capacidade efetiva de ação,
fortemente questionadas.
Políticas
públicas
No
início da década de 1990, houve participação
de representantes da sociedade civil na elaboração
do anteprojeto da Lei do Cabo (nº 8.977/95), posteriormente
aprovado no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente
da República em janeiro de 1995.
Naquela
época a Federação Nacional dos Jornalistas
(Fenaj), a Federação Interestadual dos Trabalhadores
em Telecomunicações (Fittel) e o Fórum
Nacional pela Democratização da Comunicação
(FNDC) trabalharam em conjunto com empresários do setor
de radiodifusão sob o amparo da CCTCI. É bem verdade
que houve forte dissenso no Grupo de Trabalho e que o resultado
final foi – e continua sendo – polêmico. Mas,
de qualquer forma, foi um momento de participação
concreta de setores que não o Executivo ou o Legislativo
na formulação de políticas públicas
de comunicação.
A
ação que o Projor agora patrocina, repito, inaugura
uma nova etapa.
Conseqüência
legal
Com
base em minucioso trabalho de pesquisa que acompanhou os processos
de novas concessões e renovações de concessões
de rádio e televisão comerciais que tramitaram
na CCTCI em 2003 e 2004 – e que foram efetivamente transformados
em Decretos Legislativos até o início da Sessão
Legislativa de 2005 – e o cruzamento desses dados com
o cadastro de concessionários do Ministério das
Comunicações, o Projor pôde oferecer à
PGR documentação que revela fortes indícios
de que ilegalidades estão sendo cometidas por parte de
vários senhores deputados.
Cabe
agora à PGR verificar a procedência desses indícios
e, caso confirmados, promover as ações legais
cabíveis.
Ao
buscar dar conseqüência legal ao seu trabalho de
pesquisa, o Projor certamente aponta um importante caminho para
todos os movimentos e instituições comprometidos
com a democratização das comunicações
no Brasil.
(*)
Pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia
e Política (NEMP) da Universidade de Brasília
e autor, entre outros, de Mídia: Teoria e Política
(Editora Fundação Perseu Abramo, 2ª ed.,
2004)
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