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Informação:
Folha de São
Paulo - Dinheiro - 30/10/2005
Ministro
afirma que "apanha" do setor
DA
ENVIADA ESPECIAL A FLORIANÓPOLIS
Na
guerra entre telefônicas e empresas de radiodifusão,
o ministro das Comunicações, Hélio Costa,
tem sido alvo de críticas nos bastidores como um aliado
de TVs e rádios. Na última segunda, porém,
surpreendeu positivamente o empresariado das teles. Afirmou
que o governo está empenhado em regulamentar a convergência
de mídias em 2006 -o que é do interesse das teles.
"Ainda
bem. Minhas costas estavam doendo de tanto apanhar", disse
à Folha, ao comentar a mudança de humor dos executivos.
A
seguir, leia trechos da entrevista. (JANAÍNA
LEITE)
Folha
- O paulistano poderá assistir aos jogos da Copa de 2006
em TV digital ou isso é apenas uma promessa para obter
simpatia política?
Hélio Costa - Estamos trabalhando contra o tempo
para que possamos, no ano que vem, fazer o teste da TV digital.
Já há canal disponível e condições
técnicas. Não adianta provar para nós mesmos
que estamos em condições de transmitir digitalmente,
temos de fazer experiência pública. Foi decidido
que haverá em São Paulo.
Folha
- O teste ficará restrito a São Paulo?
Costa - Teremos alguns pontos em Brasília e
no Rio, mas onde haverá uma transmissão pública
é em São Paulo.
Folha
- O que falta para colocar o teste na rua?
Costa - Estamos apenas aguardando o relatório
do grupo liderado pelo CPqD [Centro de Pesquisa e Desenvolvimento
em Telecomunicações]. Ele deverá ser apresentado
em 10 de dezembro. O CPqD terá espaço de algumas
semanas para apresentar sua opinião. Em cima das decisões,
o governo decidirá sobre o sistema de modulação
principalmente, que é o que vai definir os outros instrumentos.
A pirâmide da TV digital é composta de aparelhos
eletrônicos e ferramentas de informática. O CPqD,
durante dois anos, organizou estudos em busca de soluções
no Brasil para alguns problemas que vimos nos modelos japonês,
europeu e americano.
Folha
- Quais são os problemas?
Costa - O principal é a dificuldade de recepção.
Isso pode passar pelo aumento da potência. Se não
houver um sistema robusto de transmissão, não
adianta, porque não dá para pegar [o sinal].
Folha
- E a rádio digital? Como está andando?
Costa - Assinaremos, possivelmente na próxima
semana, um convênio do Ministério das Comunicações,
por meio da Funtel, com o Instituto Inatel de Santa Rita do
Sapucaí. Prevê, já para o ano que vem, a
conversão do rádio para a rádio digital.
Na verdade, isso é feito por um aparelho que funciona
como um excitador de rádio digital. Ele custa hoje US$
30 mil. Minha proposta é que uma empresa brasileira desenvolva
esse produto para nós. O preço vai cair, quem
sabe, até para R$ 10 mil. É isso que o país
precisa: pesquisa para desenvolver produtos.
Folha
- A condução desse processo relativo a rádio
digital está gerando críticas sobre a falta de
licitações. São justas?
Costa - Não estamos implantando sistemas, nem
vendendo ou comprando produtos. Estamos financiando uma pesquisa
que trará resultado prático: dotará empresas
brasileiras de capacidade tecnológica para fazer um produto
que, agora, só existe fora. Ou fazemos isso ou teremos
comprar para sempre dos americanos e dos europeus. Isso vai
ao encontro da política industrial.
Folha
- Fala-se muito em inclusão digital como prioridade do
governo, mas há medidas efetivas que garantam isso na
prática?
Costa - Faremos uma licitação no final
do ano para chamar as empresas que vão suprir a proposta
do Ministério das Comunicações de se tornar
o "ministério da conectividade". Chegaremos
a um local -pode ser escola, posto de saúde, hospital-
e diremos: "Onde vamos ligar a internet para você?".
Se tiver telefone digital, será por telefone. Se tiver
TV a cabo, usaremos o cabo. Nas cidades onde não há
telefone, colocaremos via satélite. Nós, do governo,
garantiremos a conectividade.
Folha
- E a inclusão digital das pequenas empresas?
Costa - Do ponto de vista empresarial, se a empresa
não tem R$ 34, custo da banda larga mais comum no interior
do Brasil, fica a questão. De 40 mil habitantes para
cima, diria que pelo menos nas regiões leste, sul e principais
cidades do Norte e do Nordeste há o serviço. Lá
o governo entra e pode até resolver.
Folha
- O governo estuda mudar a Lei Geral de Telecomunicações?
Costa - Garanto que não haverá modificação.
Conversei isso com o presidente da República e com o
ministro da Fazenda. Ambos também pensam que mudanças
não são razoáveis.
Folha
- Mas alguns pontos da Lei Geral não podem ser mudados
por meio da Lei Geral de Comunicação de Massas?
Costa - A Lei Geral de Comunicação de
Massas é outra coisa. Será discutida a partir
de janeiro com o Congresso Nacional. A primeira vez que chegou
ao Legislativo veio carregada de problemas, notadamente os impostos.
A idéia do governo é criar uma ampla frente de
discussão, inclusive com todos os parlamentares afeitos
à área de comunicação, para garantir
uma tramitação rápida, respeitando o debate
sobre o modelo, as audiências públicas.
Folha
- Uma de suas principais bandeiras tem sido o telefone social,
mas a proposta é bastante criticada pelas teles. O governo
vai mesmo levá-la adiante?
Costa - Está em fase final um procedimento realizado
pelo governo para equacionar a proposta da Anatel e a do Ministério
das Comunicações. Segundo as operadoras, do jeito
que o texto foi escrito pela Anatel, o telefone social implicaria
R$ 7 bilhões de prejuízos num prazo de cinco anos.
Pedi que fosse feita uma análise porque, se houver desequilíbrio,
quem paga a conta é o governo.
Folha
- O projeto continua de pé?
Costa - Sim, continua. E vai ser um sucesso.
Folha
- O governo já escolheu um nome para ficar à frente
da Anatel?
Costa - Não. Tenho um encontro marcado com a
ministra Dilma [Rousseff, Casa Civil] para definir isso. Mas
tenho certeza de que não precisaremos mostrar ao presidente
uma lista tríplice. Vamos chegar a um nome de consenso.
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