| Foi
publicado no Diário Oficial da União de ontem,
dia 27 de outubro, o Aviso de Habilitação nº
1/2005 abrindo inscrições para entidades interessadas
em executar o Serviço de Radiodifusão Comunitária
em nada menos que 485 localidades em vinte e cinco dos vinte
e sete Estados da Federação. Somente ficaram de
fora, localidades dos Estados do Amazonas e Roraima. Para o
do Rio Grande do Sul foram previstas 60 localidades, abaixo
apenas de Tocantins com 62 localidades e Minas Gerais com 74
localidades.
Considerando que para cada localidade nomeada inscrevam-se,
no mínimo, duas entidades interessadas serão mais
de 900 novos processos a congestionar o já tumultuado
acervo a espera de soluções no Ministério
das Comunicações.
Nada temos contra a Radiodifusão Comunitária desde
que legalmente instalada e operando de acordo com as normas
que regem o serviço. No entanto não há
como negar que este é um número expressivo de
novos processos para análise e decisão, considerando
o grande número de processos já existentes e por
serem analisados.
Diante desta situação o que mais nos espanta é
o Senhor Secretário de Serviços de Comunicação
Eletrônica ter declarado no 18º Congresso Gaúcho
de Rádio e Televisão, no dia 19 passado, logo
no início da sua palestra, que a sua Secretaria tem um
acervo de 42.500 processos de emissoras comerciais para serem
analisados, sem que tenha previsão de tempo para solução
e pessoal suficiente para o desempenho de tamanha tarefa.
Causa-nos estranheza toda esta pressa em abrir novas inscrições
quando todos os esforços do Ministério deveriam
estar concentrados na solução destes 42.500 processos
que aguardam análise necessitando para isto, nas palavras
do senhor secretário, na organização de
grupos de trabalho ou forças tarefas. Que política
ou falta de política é esta adotada pelo Ministério
das Comunicações em relação à
radiodifusão brasileira, que flerta, perigosamente, com
o caos total?
Entre os 42.500 processos citados pelo senhor Secretário
estão alterações de características
técnicas – aprovação de locais para
que os serviços sejam iniciados ou continuados -, alterações
contratuais, renovações de outorgas, transferência
direta e indireta e nomeação de diretores, além
de vários outros assuntos de interesse da radiodifusão
brasileira que necessitam de soluções urgentes,
dada à dinamicidade que se processa neste setor específico
das telecomunicações. Existem emissoras que aguardam,
há anos, autorização do Ministério
para alterarem seus contratos objetivando, inclusive, o benefício
da inclusão no SIMPLES. Novas outorgas estão encalhadas
e as empresas deixam de recuperar seus investimentos.
Por outro lado, existem inúmeras concorrências
que ainda não tiveram solução e há
um mês que não se registra qualquer movimento da
Comissão Especial de Licitação que foi
reconstituída.
Esperava-se que a nova administração que assumiu
a pasta das Comunicações fosse mais sensível
ao “desmantelamento” – termo usado pelo próprio
Ministro Hélio Costa alguns dias atrás –
que vem sofrendo o Órgão Concedente nos últimos
anos e colocasse a “casa em ordem” antes de abrir
novas frentes neste verdadeiro “caos de papéis”
que se transformou o Ministério das Comunicações.
O “desmantelamento” é bom que se diga, vai
além da “perda de poder e funcionários para
a ANATEL”. Ele passa pela extinção das Delegacias
Regionais nos Estados com a redistribuição de
muitos de seus servidores para outros órgãos federais
e perda das locações onde funcionavam e mais recentemente
pela transferência, para Brasília, de todo o acervo
de processos de radiodifusão, que pertencia a essas Delegacias
e que estavam, temporariamente, arquivados nos escritórios
da ANATEL.
Tem
muito trabalho a ser feito não só de reorganização
interna do Ministério mas, também, de definição
de políticas para o setor de radiodifusão que
está em vias de dar um “gigantesco salto tecnológico”
rumo a digitalização, com altos custos para o
radiodifusor.
Analisar pelo menos 970 novos processos complexos que necessitam
de estudos demorados que envolvem avaliações técnicas,
documentos, critérios de pontuação, outorgas
e licenciamentos é uma tarefa que requer tempo e, principalmente,
a participação de pessoal especializado que, segundo
o senhor secretário, já é “matéria
prima” escassa que não dá conta das demandas
atuais que abarrotam os armários e mesas de sua secretaria.
A situação enfrentada pelo Ministério das
Comunicações fica, ainda, agravada, pela simples
adição dos processos que diariamente são
protocolizados no Órgão e que, também exigem
trabalho e atenção. O Ministério, que já
não tem pessoal suficiente, corre o risco de também
não ter espaço físico suficiente e necessário
para tanto processo...
Por último uma reflexão: qual a urgência
desta medida que, certamente não será concluída
em prazo razoável e, sem dúvida tolherá
as demais ações do Ministério das Comunicações
de tal forma que sua máquina administrativa acabará
por emperrar, “ atolada” em meio a tanto papel!
Com esta política, parece-nos que “o passo será
bem maior que as pernas”.
Equipe
Sulradio - 28/10/2005
Clique
aqui e veja a íntegra do Aviso de Habilitação
nº 1/2005, em PDF.
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