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Informação:
Folha de São
Paulo - Ilustrada - 15/12/2004
ESTHER
HAMBURGER
ESPECIAL PARA A FOLHA
A
reunião plenária do Conselho de Cinema prevista
para depois de amanhã foi desmarcada. Fala-se uma nova
data em janeiro, no meio das férias de verão.
Por que esse adiamento?
Dificilmente
os nove ministros e 18 representantes do setor e da sociedade
civil cancelaram a reunião por falta de tempo para coroar
um processo de negociação espinhoso, mas aberto
à manifestação dos mais diversos segmentos
envolvidos. As pressões sobre a criação
da Ancinav são imensas.
Basta
lembrar que a Ancine era Ancinav até a véspera
da promulgação da medida provisória que
a instituiu. A pressão das emissoras de TV levou à
redução da agência ao âmbito do cinema.
A
Agência Nacional do Audiovisual proposta no projeto gestado
no Ministério da Cultura mexe com interesses pesados:
televisão, telefonia celular, monopólio de direitos
autorais etc. Ela confronta as arquipoderosas emissoras de TV,
que superaram temporariamente suas diferenças, se aliaram
com outros segmentos empresariais, fundaram uma nova entidade,
o Fórum do Audiovisual e do Cinema (FAC), que se reúne
hoje em São Paulo para defender a "liberdade de
expressão e a livre iniciativa" (sic).
Ironicamente
cineastas remanescentes do cinema novo legitimam a reunião
se prestando a enfeitar um bolo de gosto duvidoso.
É
difícil imaginar que quase 20 anos depois da queda do
Muro de Berlim, em plena democracia brasileira, um projeto de
regulamentação do setor do audiovisual ameace
a propriedade privada e a liberdade de expressão.
Afinal, que cláusulas tão bombásticas esse
projeto contém? Esperamos que os interesses contrariados
expressem suas reivindicações em termos bem concretos.
Ou
ficará a sensação desagradável de
que corporações falam mais alto que o interesse
público justamente em um momento em que a tecnologia
digital acena com uma série de possibilidades libertadoras.
Esther
Hamburger é antropóloga e professora da ECA-USP
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