| Informação:
Folha de São Paulo - ombudsman - 26/12/2004
A
síntese da discussão a respeito do relacionamento
da imprensa com a sociedade é a auto-regulação.
Encaminhei para dois jornalistas experientes a seguinte questão:
você acredita que a imprensa brasileira seja capaz de
se auto-regular? Se não, por quê? Se sim, de que
forma? Eis as respostas.
Carlos
Eduardo Lins da Silva é jornalista e diretor da Patri
Relações Governamentais & Políticas
Públicas. Foi diretor-adjunto de Redação
do "Valor Econômico" e da Folha. É autor
de vários livros sobre jornalismo, como "O Adiantado
da Hora" (Summus, 1990), "Mil Dias" (Trajetória
Cultural, 1988) e "Muito Além do Jardim Botânico"
(Summus, 1985).
"Acho
que a imprensa brasileira tem as condições para
se auto-regular. Mais do que isso, acho que ela tem necessidade
e dever de fazê-lo. Creio que a sociedade faz bem em exigir
mais qualidade, equilíbrio e pluralidade. Se a imprensa
não cuidar desse assunto, tentativas estatais para controlá-la
vão acontecer novamente e/ou parcelas cada vez maiores
do público vão deixar de confiar nela e, afinal,
abandoná-la. Creio que a melhor maneira de exercer esse
autocontrole seja alguma fórmula similar à que
os publicitários brasileiros já vêm usando,
o Conar, que é apenas indicativo, não punitivo.
Ou o tradicional Conselho de Imprensa britânico. Ou ainda
a disseminação de ombudsman."
Geraldinho Vieira, 46, é jornalista, conselheiro da Andi
(Agência de Notícias dos Direitos da Infância
e representante da Fundação Avina no Brasil).
É autor do livro "Complexo de Clark Kent - são
Super-Homens os Jornalistas?" (Summus, 1991).
"Não.
Donos de meios de comunicação e jornalistas devem
compreender e respeitar que há atualmente uma grande
inquietação na sociedade quanto à qualidade
da informação, sendo o acesso a ela um direito
do cidadão. Se julgarmos a questionável qualidade
da formação do profissional diante da nova agenda
mundial, a urgente necessidade de ampliar as vozes que compõem
o noticiário e até um cenário que coloca
em dúvida a real liberdade e independência dos
meios, é normal que se busque de forma organizada a promoção
de um diálogo permanente e transparente com os vários
segmentos da sociedade. Essa forma, creio, deve inspirar-se
pelo interesse público e não admitir sombras de
censura. Quando os meios são empresas privadas e seus
donos têm o direito de possuir quantos veículos
de comunicação sejam capaz de negociar e custear,
quando políticos e empresários de comunicação
são praticamente os mesmos em muitos pontos do país,
admitir que haja um diálogo crítico com a sociedade
é o mínimo que se pode desejar. Esse debate não
se resume à questão da "liberdade de imprensa"
mas também à "liberdade de empresa"
e portanto à sua responsabilidade social."
Marcelo
Beraba é o ombudsman da Folha
desde 5 de abril de 2004. O ombudsman tem mandato de um ano,
renovável por mais dois. Não pode ser demitido
durante o exercício da função e tem estabilidade
por seis meses após deixá-la. Suas atribuições
são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores,
recebendo e verificando suas reclamações, e comentar,
aos domingos
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