| Ciclo
de Debates Rede Minas 20 anos se encerra com debate sobre financiamento
da TV pública.
Informação:
ABEPEC -
Associação Brasileira das Emissoras Públicas,
Educativas e Culturais - 02/12/2004
Como
captar recursos em uma emissora pública sem ferir a legislação
e o código de ética vigentes? Este foi o principal
foco de discussões da última edição
do Ciclo de Debates Rede Minas 20 anos, realizada no dia 30
de novembro, no Teatro da Assembléia, com o tema “Financiamento
da TV Pública, Educativa e Cultural”. Os participantes
foram Cícero Feltrin, diretor de marketing da TV Cultura
de São Paulo; Cláudio Bianchini, diretor de mídia
impressa da Associação Mineira de Propaganda e
diretor comercial da Band Minas e Ângela Carrato, presidente
da Fundação TV Minas Cultural e Educativa/Rede
Minas.
A
jornalista Ângela Carrato abriu as apresentações
informalmente, fazendo um balanço geral de todos os debates
realizados, agradecendo a presença de todos os convidados
e palestrantes e ressaltando a importância da participação
da sociedade na formação de uma TV pública
de qualidade para a população. “Tivemos
grandes avanços na Rede Minas nesses 20 anos de existência,
mas só não evoluímos na questão
de financiamento. Temos hoje praticamente o mesmo orçamento
de duas décadas atrás. A TV vem trabalhando em
uma espécie de efeito sanfona. Durante todo esse tempo,
a programação expandiu e encolheu ao sabor das
conjunturas. No início de 2003, exibíamos sete
horas diárias de programação própria
e hoje pulamos para 15 horas. Mas o orçamento está
três vezes menor do que há dois anos, ou seja,
estamos fazendo milagre”, desabafa a presidente da Rede
Minas.
Segundo
Ângela, a Fundação TV Minas Cultural e Educativa/Rede
Minas foi criada como uma fundação de direito
privado, mas em 1994 mudou para direito público e as
conseqüências estão sendo ‘sentidas’
agora. “Estamos engessados por uma legislação
que não condiz com as necessidades e agilidade de uma
emissora de televisão. Estamos no limite, mas a criatividade
é nosso grande desafio”, explica.
Para
driblar os problemas, Ângela antecipou algumas ações
realizadas pela emissora como permutas e parcerias com empresas
privadas, produção de programas de responsabilidade
social (como o Economia & Negócios, em parceria com
a Fiemg), alargar os horizontes na veiculação
de comerciais que não denigram a imagem da TV e que estimulem
valores positivos como paz e solidariedade. “Vamos também
lançar o balanço social da Rede Minas ano que
vem e vários produtos como um DVD dos Melhores Momentos
Rede Minas 20 Anos e o CD do Célio Balona, o 1º
com o selo da Rede Minas. Vamos também apoiar valores
e talentos artísticos do estado que não têm
espaço em outros meios de comunicação”,
adianta.
Cláudio
Bianchini fez um paralelo entre as TVs comerciais e as públicas,
partindo do pressuposto que os recursos têm a mesma origem,
mas são usados de formas diferentes. “Diversificação
é a palavra-chave. Cada vez se vende menos publicidade
e não podemos nos acomodar e demonstrar fragilidade em
relação ao poder público e empresas privadas.
A relação de ingerência está por
trás dos problemas que devemos resolver”, ressalta.
Outro ponto a ser trabalhado é a busca por novos modelos
de comercialização além da prestação
de serviços e apoios culturais e institucionais. A captação
comercial deve ser uma das fontes de uma emissora pública.
“O Brasil tem uma cultura muito forte e arraigada de que
a iniciativa privada remunera os sistemas de comunicação.
As TVs públicas usam os mesmos formatos que as comerciais,
tirando as devidas diferenças. Ou seja, está faltando
criatividade, inovação. Os formatos podem ser
revistos e analisados e novas formas de divulgação
de marcas podem ser descobertas. As empresas poderiam, por exemplo,
usar as emissoras públicas para divulgar seus programas
e balanços sociais”.
Na
visão do diretor comercial, pelas limitações,
as TVs públicas devem mostrar mais inventividade para
criar possibilidades éticas para ampliar seus espectros
orçamentários. “As fontes de financiamento
são as mesmas, mas as TVs comerciais também não
evoluíram”, finaliza.
Cícero
Feltrin deu uma verdadeira aula sobre a história da TV
Cultura e suas ações na área de captação
de recursos. “Temos de discutir antes de tudo, a gestão
de uma emissora pública. Seria ideal não dependermos
do mercado, do governo e da audiência, mas não
funciona assim. Ou conseguimos novas formas de financiamento
ou não sobreviveremos no mercado”, comenta o diretor
de marketing.
Os
desafios da TV Cultura e de todas as TVs públicas hoje
são modernizar suas gestões através de
um arranjo produtivo que traga mais eficiência; parar
de repetir fórmula antigas (quebra de paradigmas) e busca
de novas fontes de financiamento. “Temos nossos complicadores
como adaptação às novas tecnologias, a
conquista do mercado publicitário (admira mas não
investe) e o governo, que não repassa verbas suficientes.
Já começamos a buscar novas saídas e assumir
posturas diferentes para superar as dificuldades”, enumera
Feltrin.
Entre
as inovações propostas pela TV Cultura estão
a criação de uma incubadora de animação,
voltada para desenvolvimento e distribuição de
desenhos produzidos pelos artistas brasileiros; um projeto de
cinema para televisão financiado por um fundo de investimento
e uma redefinição de imagem da emissora, abandonando
o caráter assistencialista e indo atrás de uma
fatia justa do mercado publicitário.
“Queremos
mostrar que a Cultura faz parte da indústria do entretenimento.
Vamos lançar no dia 12 de dezembro o primeiro canal infantil
brasileiro da TV por assinatura, a TV Ra Tim Bum. Depois lançaremos
o TV DOC, que exibirá documentários audiovisuais
brasileiros; a TV FM, com todos os gêneros musicais e
o canal Saber Mais, com programas para qualificação
dos indivíduos no mercado de trabalho. Não abandonamos
nosso público, nem a TV aberta. Estamos apenas expandindo
os horizontes e as formas de captação de recursos”,
apresenta Feltrin.
O
último debate teve a participação de representantes
de emissoras do interior do estado que puderam tirar suas dúvidas
com os palestrantes e esclarecer um pouco sobre o funcionamento
e os problemas dos mercados fora das grandes capitais. O Ciclo
de Debates – 20 anos da Rede Minas teve o apoio da Assembléia
Legislativa de Minas Gerais, do grupo de hotéis Parthenon,
Palácio das Artes, Tim, Fiat e Rádio Inconfidência.
Na
segunda-feira, 6 de dezembro, a Assembléia Legislativa
do Estado de Minas Gerais realiza uma solenidade especial em
homenagem aos 20 anos da Fundação TV Minas Cultural
e Educativa/Rede Minas, a partir das 20h, no Plenário
Juscelino Kubitschek, por iniciativa dos deputados Carlos Pimenta
e Paulo Piau. E na quarta-feira, dia 8 de dezembro (dia do aniversário
da Rede Minas), às 15h30, Dom Walmor Oliveira de Azevedo,
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, celebra uma missa
em Ação de Graças na Igreja de Lourdes
em comemoração.
|