| Informação:
Comunique-se
- 01/02/2005
Da
Redação
Por cinco dias, durante o Fórum Social Mundial (FSM),
foi realizada a transmissão experimental da TV Brasil,
emissora de televisão que reúne os esforços
de quatro iniciativas de comunicação dos três
poderes brasileiros: Radiobrás, TV Senado, TV Câmara
e TV Justiça. O Comitê Gestor da nova TV, que tem
como objetivo inicial integrar os países da América
do Sul, foi criado por um decreto presidencial em setembro de
2004 e deliberou a experiência no FSM.
“A
idéia de uma TV nacional nasceu no início de 2003,
em uma viagem feita pelo presidente Lula e pelo presidente do
Senado, José Sarney, à Argentina, para a posse
do presidente Kirchner. No avião eles conversaram sobre
a possibilidade de o Brasil colocar no ar uma televisão
internacional”, conta o diretor de Jornalismo da Radiobrás,
José Roberto Garcez. A partir da idéia, foi feito
o contato com os outros poderes, e aconteceu a adesão
imediata.
A
transmissão da TV Brasil iniciou na quarta-feira (26/01),
durante a marcha de abertura do FSM, e se estendeu até
as 21h30 de ontem (31/01), dia de encerramento do evento. Uma
equipe de 40 pessoas foi responsável por toda a operacionalização
da emissora, desde a criação das vinhetas até
a operação com o satélite. “Nós
estamos organizados como uma redação, com as funções
compartilhadas. Temos um corpo de repórteres dos três
poderes e também profissionais daqui de Porto Alegre
e de outros países da América do Sul”, explica
D. Kaiser, assessor de Comunicação do Supremo
Tribunal Federal.
As
equipes se conheceram dois dias antes da abertura do Fórum,
quando também a estrutura – que contou com estúdio
de gravação, redação, ilhas de edição
e equipamentos de transmissão – começou
a ser montada. Garcez destaca o entusiasmo dos profissionais:
“As equipes estão integradas, mesmo com todas as
diferenças que têm na cultura de trabalho, estamos
construindo um exemplo de articulação democrática
entre os três poderes. Nós conseguimos aqui uma
dedicação das pessoas ao projeto que supera as
diferenças”.
Nos
caminhos da integração
A TV Brasil teve toda a sua programação produzida
em espanhol, 24h por dia. Além da transmissão
ao vivo de atividades do Fórum, também foram realizados
debates e entrevistas, além do telejornal diário,
que foi ao ar às 21h. O sinal, veiculado gratuitamente
um segmento espacial de 6 MHz no satélite NSS-806 da
empresa Newskies, pode ser captada na América do Sul,
Central e do Norte, além da Europa Ocidental. “Já
soubemos que a TVE Espanha retransmitiu trechos da nossa programação,
e ainda estamos recebendo informações sobre a
utilização do nosso material”, comemora
Garcez.
Sobre
o público que será atingido pela TV Brasil, Kaiser
salienta que a intenção é atingir a população
dos países envolvidos, mas que para isso serão
necessários ajustes técnicos: “Por exemplo,
a imagem é gerada por satélite e a recepção
é feita por operadoras de televisão a cabo. Nós
negociamos o apoio de TVs públicas, que estão
descendo o sinal e retransmitindo a programação”.
A transmissão nos demais países será negociada
caso a caso, em função das peculiaridades locais.
“Quando a TV tiver sua estréia definitiva, nós
vamos trabalhar com vários países a melhor maneira
desse sinal ser distribuído internamente. Na Argentina,
por exemplo, existe um contingente muito grande de lares com
TV paga. No Brasil, o número é muito pequeno”,
esclarece Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás.
Com
o foco na integração, a equipe da TV Brasil também
vai buscar parcerias para produção de programas,
conforme Kaiser: “Queremos buscar produções
na Argentina, no Uruguai, no Paraguai, no Chile para mostrar
a diversidade e as ligações que existem na cultura
de todos estes países. Mostrar que a integração
se faz também no cotidiano”. Márcio Marques
de Araújo, diretor de Comunicação da Câmara
dos Deputados diz que também será incluída
produção nacional: “Queremos a integração
das emissoras que se interessarem em fornecer conteúdo,
a produção independente, a produção
que esteja inovando no formato, inclusive de âmbito regional”.
“A
TV Brasil é uma iniciativa inédita pois não
se propõe apenas a divulgar o país, e sim a criar
uma linguagem de televisão sul-americana, uma linguagem
da integração”, afirma Garcez. E Bucci completa:
“Nós queremos programas em que o portunhol seja
o idioma oficial. A linha editorial será pensada para
produzir o diálogo. Por que realizar a experiência
no Fórum? Porque o FSM reúne representantes de
todos os países da América do Sul, e as relações
são horizontais. Esse é o sentido da TV Brasil”.
Custos
Os investimentos feitos em equipamentos pela Radiobrás
em 2004 somaram R$ 6,3 milhões e já despertaram
críticas na imprensa. O presidente da estatal ressalta
que a compra de equipamentos foi necessária para a atualização
da empresa: “A Radiobrás fez uma compra grande
de equipamentos no início dos anos 90. Depois disso,
não houve praticamente nenhuma atualização
tecnológica. O investimento capacita a Radiobrás
a dar cabo não só dos seus compromissos atuais,
como do futuro compromisso que é a TV internacional”.
A infra-estrutura, equipamentos e pessoal serão custeados
por todas as instituições envolvidas, que deverão
ter orçamento específico para a TV. A operação
será feita dentro do espaço físico da Radiobrás.
Bucci
ressalta que a experiência no FSM teve custo praticamente
zero, pois a vinda dos profissionais foi custeada pelo Fórum
a partir de um acordo de fornecimento de serviços de
telecomunicação: “A cobertura que nós
estamos realizando aqui também seria feita de qualquer
forma, porque o presidente e 11 ministros vieram para cá,
além de vários parlamentares, que seriam acompanhados
pela TV Câmara, e da realização do Fórum
de Juízes, que seria coberto pela TV Justiça“.
O
projeto-piloto será agora avaliado pelo Comitê
Gestor, que é formado por representantes do Senado, da
Câmara dos Deputados, do Itamaraty, do Supremo Tribunal
Federal, da Secretaria de Comunicação de Governo
e da Radiobrás. A meta é estreiar ainda em 2005,
mas Bucci diz que não é ainda possível
dizer quando: “Cada uma das pessoas que está aqui
quer colocar a TV no ar amanhã. É a primeira vez
que se faz um canal do Estado brasileiro para o exterior, é
a primeira vez que há integração dos três
poderes para um projeto dessa magnitude. Não queremos
anunciar mais do que isso, porque não está decidido
no Comitê Gestor”.
Garcez
acredita que o piloto foi um sucesso: “Foi uma experiência
fantástica, que dá um sinal sobre o tipo de trabalho
que vamos realizar. Essa TV vai nascer sob o signo do FSM, permeada
por muito companheirismo e solidariedade”. A intenção
é, depois da América do Sul, expandir os horizontes,
conforme afirma o diretor de Comunicação da Câmara:
“Queremos chegar aos países com os quais o Brasil
tem relação comercial e cultural, como os países
de língua portuguesa, a América do Norte, a Europa
Ocidental, e também aos lugares onde há uma grande
concentração de emigrantes brasileiros”.
|