Informação:
ISTOÉ
DINHEIRO - Publicação em 29/09/2004
Taís
Lobo
Quando
um mercado chega a 57 milhões de clientes, a demanda
por novidades é instantânea. Os consumidores não
ficam satisfeitos com aquilo que compraram. Almejam inovações.
Na semana passada, a rotina dos últimos tempos se repetiu.
As operadoras e os fabricantes sacaram uma nova onda de lançamentos
para atender seus clientes. No Rio de Janeiro, a Oi colocou
em exposição a casa do futuro. Um condomínio
na Barra da Tijuca foi escolhido para a exibição.
Entre as tecnologias apresentadas está o acionamento
à distância, por comandos de celular, da luz e
das portas. A Vivo, a maior do País com 23 milhões
de usuários, lançou o seu serviço de comunicação
instantânea entre celulares, similar aos walkie-talkies.
A fabricante de aparelhos SonyEricsson apresentou a parceria
com a Flextronics para a produção no país
de seus telefones. “É um mercado abastecido por
inovação”, afirma Roger Solé, diretor
da Vivo.
Esse
maremoto de novidades faz sentido porque desde a privatização
do Sistema Telebrás, em 1997, o Brasil se tornou um dos
dez maiores mercados de telefonia celular do mundo, o primeiro
da América Latina, na frente do México. São
31 aparelhos por cada 100 habitantes e em apenas um ano o número
de consumidores cresceu 42,2%. A cada semana, uma empresa do
setor anuncia uma safra de investimentos. A italiana TIM, por
exemplo, anuncia que nos próximos dois anos tem no caixa
R$ 7 bilhões para gastar no País. A líder
de vendas de aparelhos, a finlandesa Nokia, com 43% dos aparelhos
vendidos, fez, de uma única vez, no primeiro semestre,
o lançamento de 30 modelos diferentes. “Há
muitas oportunidades e ninguém quer ficar de fora desse
universo”, afirma Leandro Xavier, diretor da Tellvox,
empresa especializada em conteúdo para celulares.
Na
esteira do mercado interno, o Brasil também se transformou
em uma plataforma de exportação. Em 2000 foram
vendidos para o exterior US$ 700 milhões em celulares,
sete vezes mais que a exportação da indústria
de software. No ano passado, a diferença chegou a dez
vezes. Os celulares exportados renderam US$ 1 bilhão
e para 2004 a expectativa dos fabricantes é aumentar
ainda mais esse volume. O que acontece no Brasil é um
fenômeno de países emergentes onde há um
grande mercado à espera de novidades. Só na Ásia,
o instituto de pesquisa Yankee Group estima que serão
vendidos este ano 30 milhões de computadores versus cerca
de 200 milhões de celulares capazes de tirar fotos, receber
e enviar e-mails e com acesso à internet. Não
à toa, a Vivo prepara o mercado para alguns dos mais
inovadores projetos em solo nacional. “Nem sempre teremos
bons resultados financeiros a princípio com as novidades,
mas precisamos oferecê-las”, diz Solé. A
companhia lança, até o final do ano, um serviço
de informação no celular. A diferença é
que serão atendentes em pessoa, e não máquinas,
que passam as mais variadas informações, com base
em pesquisas feitas na internet. “Desde restaurantes em
determinado bairro até telefone de encanador”,
diz Solé. E para o próximo semestre, a companhia
ofertará serviços que usam a localização
no celular. Ou seja, GPS (sistema de rastreamento por satélite)
no telefone. Será possível saber a exata localização
do dono do aparelho em qualquer ponto da área de atuação
da Vivo. O serviço parece promissor. Melhor dizendo,
é um pote de ouro nesse mercado em crescimento, porque
a cada dia o celular é tudo, menos um simples telefone.
|