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ISTOÉ
DINHEIRO - (Publicação em 15/09/2004)
Por
Taís Lobo
O
sonho do presidente Lula de assistir à Copa de 2006 numa
televisão digital feita com tecnologia 100% nacional
está perto de se transformar em pesadelo. Disputas internas,
divisões entre os grupos de pesquisa e falta de verba
podem fazer virar pó os R$ 60 milhões destinado
pelo governo para a iniciativa. São 70 grupos de várias
universidades e o CPqD, uma instituição de pesquisas
em telecomunicações privatizada após a
venda do Sistema Telebrás, que deveriam dar as respostas
ao presidente. Até agora nada de concreto aconteceu.
As dúvidas começam dentro do próprio governo.
Os mais pragmáticos dentro do governo acham equivocada
a idéia da tv digital brasileira quando existem outros
três padrões no mercado: o europeu, o japonês
e americano.
A
turma mais nacionalista pensa o contrário. Aposta na
capacidade interna e nos recursos liberados como suficientes
para montar essa tecnologia. Dentro dos grupos de pesquisa a
situação não é diferente. Uma corrente
liderada pela Universidade de São Paulo defende o padrão
nacional. Outros cientistas são mais céticos porque
fizeram as contas e descobriram que a tv digital brasileira
precisaria de R$ 1 bilhão para sair do papel. “Está
todo mundo perdido. Ninguém sabe o que vai acontecer”,
diz um dos pesquisadores. O secretário-executivo do Ministério
das Comunicações, Paulo Lustosa, reacendeu a polêmica
ao se posicionar ao lado dos críticos da atual situação.
“Padrão próprio é como reinventar
a roda”, afirmou. Já o ex-ministro das Comunicações,
Miro Teixeira, era o maior entusiasta do modelo brasileiro,
afirmando que era preciso inovar e unir a comunidade acadêmica.
O
padrão próprio também implica mudar o perfil
da indústria nacional. A Sony se preocupa com o custo
de adequar sua linha de produção. “Precisamos
saber se as partes principais estariam disponíveis para
a produção no Brasil”, diz Minoru Itaya,
presidente da Sony.
US$
10 milhões é o investimento do governo no projeto
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