Informação:
QUADRANTE - RTE 37 - 20/10/2004
A
TV analógica possui uma resolução de aproximadamente
125 mil elementos de imagem por quadro. O seu formato é
de 4:3, ou seja, a relação de tela é de
quatro unidades de comprimento na horizontal por três
na vertical. Usa 525 linhas por quadro e são transmitidos
30 fps (quadros por segundo). Feita a digitalização
dos sinais obtém-se uma taxa de 216Mb/s.
A
TV digital (TVD) tem o formato de tela e a resolução
de imagem é associada a resolução espacial
(definida pelo número de pixels) e a resolução
temporal (quantidade de quadros/segundo). Assim, a imagem pode
ser de duas categorias:
•
HDTV (televisão de alta definição): utiliza
um formato de tela igual ao das telas de cinema, widescreen
(formato de 16:9). O sistema possui 1.125 linhas por quadro.
Para transmissão de 30 fps, a taxa é de 1,24Mb/s,
ou seja, uma resolução cinco vezes superior a
da TV analógica.
•
SDTV (televisão padrão): - é um sistema
de 525 linhas/quadro, com varre-dura intercalada de 30 fps.
O sistema SDTV possui 483 linhas ativas por quadro, resultando
em uma taxa de 248Mb/s, próxima à da TV analógica
4:3, mas com resolução de imagem bem superior.
Observa-se
que a taxa de bits correspondente a um programa em HDTV equivale
a quatro em SDTV e isso no atual canal de 6MHz. Ao contrário
do que muitos pensam a televisão digital não é
sinônimo de TV de alta definição. A HDTV/SDTV
é apenas um dos avanços possibilitados pelas mídias
digitais. Além disso, a tecnologia digital permite integrar
diversos aparelhos e criar novas aplicações, com
a convergência entre tecnologias. Logo será possível
receber notícias, informações ou programas
de TV em telefones celulares ou palmtops. Esta tecnologia possibilitará
a interatividade, multi-plicidade de programas e acesso a informações
adicionais sobre a imensa programação da TVD.
Classes
de interatividade
Muito
se discute sobre a TV digital e seu uso como solução
para a inclusão digital. Porém, poucos textos
têm tratado do assunto "interati-vidade" como
um dos caminhos para essa inclusão.
Quando
se fala de interatividade se tem em mente cinco classes dife-rentes
de TVD, que indicam o quanto o telespectador está interagindo
com programação:
•
Tipo 1: Interação forte com transmissão
bidirecional simétrica, como nas redes RDSI (Rede Digital
de Serviços Integrados) ou na HFC (Híbrida fibra-coaxial),
que oferecem altas taxas tanto no upstream como no downstream.
•
Tipo 2: Interação forte com transmissão
bidirecional assimétrica e retorno solicitado pelo usuário
(como nas redes com tecnologias TDMA e CDMA). Essa interação
faz o compartilhamento do canal de retorno entre os usuários
usando preferencialmente CDMA ou TDMA.
•
Tipo 3: Interação média com transmissão
bidirecional assimétrica e retorno solicitado pelo provedor.
Nessa interação, o usuário apenas pode
escolher entre algumas opções propostas pela emissora.
•
Tipo 4: Interação fraca com transmissão
bidirecional assimétrica e retomo of-line, sem possibilidade
de mudança na programação.
•
Tipo 5: Interação sem canal de retorno com transmissão
unidirecional, sendo o STB (set top box) apenas um servidor
de aplicações. Não há interação,
pois o sinal transmitido traz opções incorporadas
que são armazenadas na memória da caixa digital.
O telespectador somente escolhe as opções que
o aparelho oferece.
Destas
classes, apenas a 1, 2 e 3 são interativas, uma vez que
possibilitam a resposta do usuário a um determinado apelo,
ou sua intervenção no conteúdo exibido.
Sendo mais excludente e focando na interatividade necessária
à inclusão digital como acesso á Internet
e videoconferência, então só as classes
1 e 2 são interativas.
Se
hoje a TV aberta utiliza meios como o telefone, a Internet e
o fax para que o telespectador participe de sua programação,
com a TVD a convergência dessas mídias passará
a concretizar o diálogo, através de dados recebidos
e armazenados nos set top boxes. E, acima de tudo, por um canal
de retorno que possibilita a interatividade real.
O
cabo e o espaço livre (satélite e enlaces terrestres
de microondas) estão entre as formas usuais de se transmitir
a TVD. A linha telefônica conven-cional também
é utilizada, mas no Brasil essa modalidade não
está plenamente aproveitada, limitando-se a ser canal
de retorno para a TV aberta e talvez a melhor alternativa para
prover interatividade aos usuários da TVD terrestre.
Set
top box:
O
conceito de "caixa digital" ou unidade receptora decodificadora
(URD) ou simplesmente set top box (STB) nasceu como uma plataforma
para aplicações multimídia de redes de
serviços digitais interativos.
Os
STB são constituídos por hardware e software e
responsáveis pela recepção em HDTV e SDTV,
permitindo que aparelhos analógicos recebam imagens digitais.
A caixa digital é formada por:
•
Placa mãe: responsável por receber todas as informações
referentes ao sinal digital e compartilhá-la com os demais
componentes.
•
Sintonizador é o receptor em si, capaz de receber os
diferentes sinais das redes digitais baseadas nas modulações
(QAM, COFDM, QPSK, 8-VSB).
•
Decodificadores: convertem os bits recebidos em formato de áudio,
vídeo e dados. Temos decodificadores de vídeo,
decodificadores de áudio e interpretadores de dados.
Após a decodificação, os dados são
enviados para a CPU.
•
CPU: é responsável pela inicialização
do sistema, processamento de aplicações da Internet
e TV interativa, administração de IRQ do hardware,
retirada de dados e interrupção de memória.
•
Armazenamento: pode ser feito desde uma simples memória
volátil do tipo flash, até HD com alta capacidade
de gravação. É através dessas interfaces
que se tem uma das características do STB, o PVR (personal
video recorder), que é a propriedade de se armazena a
programação das emissoras no HD do STB, possibilitando
ainda rebobinar ou adiantar o programa de TV gravado.
•
Interfaces para periféricos adicionais (como IEEE 1284;
USB; IEEE 1398; 10BaseT; PCMCIA tipo 11 e interface serial RS-232).
•
Sistema operacional: é preciso um sistema robusto e multitarefa,
capaz de processar dados e validar mensagens de segurança
(exemplo: Linux, Java e Windows CE).
Interatividade
A
interatividade na TVD está ligada à forma como
os dados são tratados pelo STB e como são interpretados
pelas diversas interfaces de processamento.
Os
serviços interativos da TVD necessitam de um canal de
retorno para o usuário, como e-commerce, jogos, e-mail
e Internet.
Conteúdos
multimídia, apesar de não necessitarem de canal
de retorno, também podem se beneficiar dele. São
os serviços do tipo:
Guia
eletrônico de programação (EPG)
São
os que auxiliam os usuários dos STB a navegar pela enorme
quan- tidade de canais e serviços que da TVD. São
divididos em:
•
Básicos: informam ao usuário a programação
que está passando, qual virá a seguir e um resumo
da programação semanal.
•
Intermediários: contêm diversos menus de informações
sobre a programação em curso. Podem ser configurados
para atender melhor às necessidades do usuário.
Existem ainda os mosaicos, uma tela na qual são apresentados
os logotipos dos vários canais ou imagens on air dos
canais transmitidos. A seleção de um desses logotipos
no mosaico leva a um atalho para o respectivo canal.
•
Avançados: são verdadeiros portais de serviços
digitais interativos, permitindo compras on-line, jogos e vídeo
por demanda, além dos serviços de configuração
e informação dos programas em curso.
Enhanced
TV
A
Enhanced TV contém características associadas
aos sinais de transmis-são dos canais (programas), como
consultas as estatísticas de um jogo, replay de melhores
momentos, escolha de finais diferentes em programas com a participação
do público, vários ângulos de uma transmissão
de jogo ou eventos (multicâmeras) e outras facilidades.
As informações serão fornecidas pelo programador
e um ícone aparecerá na tela quando o evento permitir
o acesso a esses dados.
Vídeo
por demanda (VOD)
Fornece
acesso instantâneo de filmes como se fosse uma videolocadora
atendendo em casa. O usuário/assinante solicitará
a transmissão de um filme (de uma lista disponível)
para a data e horário de sua conveniência. Poderá
ter o controle total, ou seja, avançar, voltar ou parar
a exibição do programa.
IPPV
- Impulse Pay-Per-View
É
a compra de programas e/ou eventos, como shows, filmes, jogos,
etc., feita através do controle remoto nos pacotes de
áudio, vídeo e dados que trafegam no sinal da
operadora.
*
Resumo do artigo de Tom Jones Moreira de Assis “As Promessas
da TV Digital”, na revista RTI, de set/04, pág.
76 a 81.
|