Informação:
AESP - Associação
das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de
São Paulo - 23/07/2004
O
Estado de S.Paulo - Política - Televisão
Janaina Vilella Do Rio
O
Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deve encaminhar hoje ao Ministério
Público Estadual o processo de impugnação
da candidatura de Marcelo Crivella (PL) à prefeitura
do Rio de Janeiro. Na última quarta-feira, o advogado
do senador José Carlos Costa Simonin apresentou ao TRE
a contestação do pedido de impugnação
feito pelo Partido Humanista da Solidariedade (PHS), por falsidade
ideológica na declaração de bens do candidato.
O julgamento deverá ocorrer até o próximo
dia 14 de agosto.
A
decisão de investigar o candidato surgiu depois que o
Ministério das Comunicações informou que
o senador Crivella possuía cotas das emissoras TV Cabrália,
na Bahia, e TV Record em Franca (SP), não foram declaradas
em seu patrimônio. Crivella tem reafirmado que as emissoras
foram vendidas em 1999, mas não foram passadas para os
compradores porque o "Ministério das Comunicações
demora para atualizar seu cadastro". O Ministério
Público Federal também está apurando o
caso.
Segundo
o MP, a participação do senador na sociedade fere
a Constituição, que determina que depois de diplomados,
deputados e senadores não podem firmar ou manter contrato
com empresa concessionária de serviço público.
O parlamentar também estaria ferindo o artigo 38 da lei
4.117/62, que proíbe os parlamentares de exercerem a
função de diretor ou gerente de concessões
para explorar serviços de radiodifusão.
Na
disputa pela prefeitura, o prefeito Cesar Maia esquentou a briga
pelo voto dos evangélicos, depois de visitar ontem a
Convenção Geral das Assembléias de Deus
do Brasil (CGADB). A disputa estava concentrada entre Crivella
(PL), bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. e Luiz Paulo
Conde (PMDB), que tem como vice o pastor da Assembléia
de Deus Manoel Ferreira (PP). Além de disputar os votos
dos evangélicos e católicos, Cesar quer os eleitores
batistas. O avanço sobre o rebanho alheio, no entanto,
não preocupa o pastor Gedeir, assessor direto de Manoel
Ferreira. Segundo ele, os fiéis ligados ao vice de Conde
congregam a Convenção Nacional das Assembléias
de Deus (CNADB). "Os fiéis do outro rebanho são
livres para escolher seu candidato, mas também estamos
nos articulando para conquistá-los", disse Gedeir.
Pela
estimativa da campanha do senador Crivella, a Igreja Universal
do Reino de Deus congrega 280 mil eleitores. Já a Convenção
Nacional das Assembléias de Deus - Ministério
de Madureira, da qual faz parte o pastor Manoel Ferreira, diz
ter 1,2 milhão de fiéis na Região Metropolitana
do Rio.
Crivella
não só ainda é sócio da TV Cabrália
como continua ativo na condição de gerente da
emissora.
Informação:
Jornal O Globo - 21/07/2004
O País
Gerson Camarotti
Documentos
analisados ontem pela Procuradoria da República no Distrito
Federal mostram que o senador Marcelo Crivella (PL) não
só ainda é sócio da TV Cabrália
como continua ativo na condição de gerente da
emissora, afiliada da Rede Record no Sul da Bahia. Na 21 alteração
do contrato social da TV Cabrália, datada de 13 de novembro
de 2003 e registrada na Junta Comercial da Bahia apenas em 10
de maio deste ano, aparece a assinatura do senador, candidato
a prefeito do Rio. O contrato tem como objetivo extinguir a
filial da TV Cabrália localizada na cidade de Eunápolis,
na Bahia.
A
Constituição proíbe que parlamentares diplomados
exerçam cargo em empresa concessionária de serviço
público e determina a perda do mandato de quem infringir
a lei. Os documentos contrariam a versão de Crivella
de que já não exercia função na
TV. Crivella deve ser acusado pelo Ministério Público
de falsidade ideológica por ter omitido das declarações
de bens encaminhadas ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio,
em 2002 e neste ano, a participação acionária
de 46% na TV Cabrália. As cotas ainda em poder de Crivella
somam R$ 267.422.
"O
senador deveria ter se desvinculado", diz Peres
O Senado deve pedir a cassação do mandato de Crivella
com base na informação publicada ontem pelo GLOBO
de que ele continua como sócio-gerente da TV Cabrália.
O senador Jefferson Peres (PDT-AM), membro do Conselho de Ética
do Senado, disse que o caso é muito grave e passível
de cassação do mandato. Segundo ele, a Corregedoria
do Senado deve averiguar os fatos e enviar o pedido de cassação
ao Conselho de Ética. Só depois é aberto
o processo de cassação.
-
O senador deveria ter se desvinculado de fato e de direito da
TV Cabrália. Isso é muito grave, passível
de cassação do mandato. É a Constituição
que determina. Espero que ele não tenha cometido este
erro - afirmou Peres.
Na
volta do recesso, a situação do senador do PL
deve ser examinada pelo corregedor da Casa, senador Romeu Tuma
(PFL-SP). Crivella ainda corre o risco de ter a sua candidatura
a prefeito do Rio impugnada. O pedido de impugnação
já foi enviado ao procurador regional eleitoral no Rio,
Antônio Carlos Simões Martins Soares, pelo procurador
da República no Distrito Federal Luciano Sampaio Gomes
Rolim.
A
documentação atestando a participação
do senador na sociedade da TV foi enviada ao procurador-geral
da República, Cláudio Fonteles, que está
de recesso e deve examinar o caso quando voltar. Ele tem o poder
de encaminhar ao Supremo Tribunal Federal proposta de abertura
de processo contra os parlamentares.
Candidato
volta a culpar burocracia do ministério.
Informação:
Jornal O Globo - 21/07/2004
O
País
O
senador Marcelo Crivella apresentou ontem nova versão
para o fato de continuar como sócio-gerente da TV Cabrália
e culpou a burocracia do Ministério das Comunicações,
que não teria completado o processo de cessão
de suas cotas para Osvaldo Roberto Ceola e José Célio
Lopes, também ligados à Igreja Universal. O senador
disse que Ceola, um dos novos sócios para quem pretendia
passar as suas cotas, teve o nome vetado pelo ministério
porque ultrapassava o limite legal fixado para estações
concessionárias em seu poder. O Ministério das
Comunicações detectou essa impossibilidade, mas
a desistência da troca societária foi solicitada
pela TV Cabrália, como mostra ofício da Delegacia
Regional do Ministério das Comunicações.
-
A culpa é da burocracia. É preciso fazer uma auditoria
no Ministério das Comunicações - disse
Crivella.
Crivella
admitiu que continua assinando documentos da TV Cabrália
porque o ministério ainda não homologou a troca
societária.
-
Isso é uma chatice! Toda hora vem um chato pedindo para
eu assinar. Sendo um homem muito honesto, sou obrigado a continuar
assinando até o ministério concluir o processo,
porque recebi o dinheiro deles e passei para o meu Imposto de
Renda. Se fosse desonesto, pegaria a TV Cabrália de volta.
Segundo
um parlamentar com bom trânsito junto aos líderes
políticos da Igreja Universal, o bispo Edir Macedo usa
poucos pastores e bispos de confiança para colocar as
TVs em seus nomes. Por isso alguns integrantes da Universal
acabam acumulando sociedade em várias emissoras em poder
da Igreja, como é o caso de Ceola.
Também
ontem, em corpo-a-corpo na Central do Brasil, no Rio, Crivella
disse que vendeu a participação na TV Cabrália
em 1999. Antes, dissera que tinha vendido há dez anos.
Para ele, o procurador da República Luciano Sampaio Gomes
Rolim, que pediu a impugnação de sua candidatura,
está mal informado.
As
versões de Crivella sobre o caso vêm mudando. No
último dia 9, ele alegou ter vendido as cotas há
mais de dez anos e disse nem mesmo se lembrar do nome dos compradores.
Durante
o corpo-a-corpo, o grito de guerra dos correligionários
de Crivella era "A voz do povo é a voz de Deus.
A Globo é Cesar, mas o povo é Crivella".
O candidato do PL esteve na Bolsa de Gêneros Alimentícios
do Rio (BGARJ). Segundo o presidente da bosa, José de
Sousa e Silva, o candidato do PL disse estar sendo perseguido
pelo GLOBO.
-
Ele disse estar sofrendo uma perseguição do jornal
- contou Silva.
Empresa
do senador não funciona no endereço informado
à Receita.
Informação:
Jornal O Globo -
21/07/2004
O
País
Elenilce Bottari e Adauri Antunes Barbosa
Única
empresa registrada em nome do candidato do PL à Prefeitura
do Rio, Marcelo Crivella, segundo sua declaração
de Imposto de Renda entregue à Receita Federal e ao TRE
este ano, a Fazenda Nova Canaã Produções
Artística, responsável pela produção
de discos e divulgação, não tem endereço
conhecido. Para a Receita Federal e para a Junta Comercial de
São Paulo, a empresa funciona no 11 andar do número
395 da Alameda Ministro Rocha Azevedo, na Cerqueira Cesar. No
lugar, porém, a segurança e a zeladoria informaram
ontem que a empresa mudou de endereço há pelo
menos dois anos.
Segundo
empregados do prédio - onde funcionam outras empresas
ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus - a Fazenda
Nova Canaã mudou para o 8 andar do edifício Miami
Center, na Rua São Carlos do Pinhal 696, em Bela Vista,
também na capital paulista, junto com outra empresa da
qual Crivella também já foi sócio, a UNI
Participações. No local, no entanto, funcionam
outras três empresas: Life Empresarial Saúde Evangélica,
Credinvest Facility e Cremo Empreendimentos.
Na
Life, uma atendente explicou, por telefone, que a empresa faz
parte da Universal, mas não tem nada a ver com a Nova
Canaã. Segundo a administração do prédio,
tanto a UNI Participações como a Nova Canaã
nunca funcionaram no local.
Também
não há registros no serviço de assinantes
da Telesp em nome da Nova Canaã. No endereço da
Alameda Ministro Rocha Azevedo só constam números
de telefones da própria Igreja Universal, enquanto que
no 8 andar da Rua São Carlos do Pinhal 696 constam telefones
em nome da Life.
De
acordo com os registros da Receita Federal e da Jucesp, a Nova
Canaã foi aberta em 27 de junho de 2000 com R$ 8 mil,
sendo R$ 6 mil de Crivella e R$ 2 mil de Sylvia Jane Rodge Crivella.
A empresa - proprietária do selo Canaã - está
sediada nas salas 8, 9 e 10 do 11 andar do número 395
da Alameda Ministro Rocha Azevedo. Crivella também aparece
como acionista nos arquivos da Receita Federal e da Jucesp como
sendo acionista da Uni Participações S.A. que,
segundo o cadastro da Receita Federal, deveria funcionar no
2 andar do mesmo prédio.
Site
ainda mostra Crivella como dono de emissoras
A página de consulta de participações societárias
do Ministério das Comunicações, retirada
do ar depois que Crivella reclamou que estaria defasada, voltou
a funcionar ontem com as mesmas informações sobre
o candidato do PL. Segundo o site, Crivella ainda é o
dono das emissoras TV Cabrália, da Bahia, e TV Record
de Franca. Toda a documentação referente a essas
empresas foi juntada pelo Ministério Público ao
processo de impugnação que o Partido Humanista
da Solidariedade move contra Crivella no TRE.
Saiba
mais sobre a lei.
Informação:
Jornal O Globo -
21/07/2004
O
País
O
decreto-lei de 1967, assinado pelo então presidente militar
Humberto Castello Branco, estabeleceu que uma mesma pessoa não
pode deter mais de dez emissoras de TV em todo o país,
sendo que no máximo cinco desses canais poderão
ser em VHF (até o canal 13). Além disso, o mesmo
grupo não pode ter mais de duas emissoras no mesmo estado.
As
regras de funcionamento das empresas de radiodifusão
(rádio e TV) foram estabelecidas pelo Código Brasileiro
de Telecomunicações, de 1962, mas até hoje
ele não foi modificado em sua totalidade. A principal
mudança foi a que permitiu a participação
do capital externo nas emissoras de rádio e TV até
o limite de 30%.
Pela
legislação, a mesma pessoa jurídica não
pode participar da direção de mais de uma concessionária
de TV ou de rádio na mesma localidade. Também
é proibido exercer a função de diretor
ou gerente de emissoras de radiodifusão quem for parlamentar
ou tiver direito a foro especial, como governadores e ministros.
O
prazo de concessão das emissoras de TV é de 15
anos e de rádios, de dez anos, renováveis por
iguais períodos, sem limitações.
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